19/03/2026

Veja a linha do tempo que resultou na saída de Topázio do PSD

O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, está oficialmente fora do PSD. Desde a última quarta-feira, quando uma troca de mensagens no grupo do partido no WhatsApp expôs uma divisão interna significativa, o PSD-SC vive dias intensos. O ponto alto da crise, agora, é o conteúdo da carta em que Topázio pede desfiliação do partido. Ele foi a figura central no bate-boca entre João Rodrigues e o ex-governador e líder pessedista, Jorge Bornhausen.

Linha do tempo da última semana

  • quarta-feira (11): prints da conversa do grupo do partido foram vazados à imprensa; neles, João reage a uma matéria de Sol Urrutia, em que Topázio diz que vai apoiar Jorginho Mello à reeleição e afirma que, se ele permanecer no partido, irá rever sua candidatura;
  • no momento da troca de mensagens, Jorge Bornhausen estava em São Paulo, em um jantar com o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab;
  • quinta-feira (12): Jorge Bornhausen convoca uma coletiva e diz que a postura de João Rodrigues indica que ele não é mais candidato do partido;
  • sexta-feira (13): João Rodrigues também convoca uma coletiva para anunciar seu futuro político;
  • durante a entrevista, o presidente estadual, Eron Giordani, diz que João é o candidato a governador do PSD, que o partido abriria um processo para expulsar Topázio e marca uma reunião da executiva estadual para segunda-feira (16);
  • sábado (14): Jorge Bornhausen diz que nesta semana iria anunciar o “seu candidato” a governador pelo PSD;
  • segunda-feira (16): João passa o fim de semana em Gramado (RS); a reunião do PSD é adiada;
  • terça-feira (17): cresce a expectativa pela expulsão ou pelo pedido de saída de Topázio Neto, que permanece em silêncio; Eron diz que um pedido de expulsão do prefeito foi protocolado por um vereador de Chapecó;
  • quarta-feira (18): João Rodrigues anuncia que o evento marcado para o dia 21 (sábado) está cancelado. Ele argumenta que a rede hoteleira está lotada e que, por questão logística, o encontro não vai mais acontecer na data prevista;
  • ainda na quarta-feira, o prefeito de Chapecó liga para uma liderança do PSD e diz que pensa em se filiar ao PP e “sair candidato” pelo Progressistas;
  • no mesmo dia, à noite, João envia um áudio aos apoiadores e diz que, após conversa com Gilberto Kassab, sua candidatura agora é para valer;
  • quinta-feira (19): às 7h da manhã, Topázio encaminha uma extensa carta de desfiliação do partido.

A carta
O conteúdo da carta chama atenção pelo tom das declarações. Em espécie de desabafo, Topázio questiona a candidatura de João Rodrigues e afirma que a decisão do partido pode prejudicar deputados. Ele fala ainda em “truculência, intimidação e socos na mesa”, chama a movimentação interna de “grotesca encenação” e acusa o prefeito de Chapecó de agir por “ego, vaidade e sede de poder”.

Topázio diz ainda que a direita deveria estar unida e critica uma possível posição do PSD na eleição nacional, que tende a ter candidato próprio em vez de apoiar o pré-candidato Flávio Bolsonaro.

Efeito imediato
Entre os efeitos imediatos do rompimento de Topázio com o agora seu ex-partido está também o distanciamento político com Júlio Garcia, presidente da Assembleia Legislativa. Isso porque, na mesma entrevista em que reforça apoio a Jorginho, ele diz que seu candidato a deputado federal é Júlio Garcia, o que, com a saída do PSD, perde viabilidade.

Nos bastidores, Topázio não esconde ter ficado aborrecido com o silêncio de Júlio diante da pressão que vinha sofrendo publicamente para deixar o partido.

O teor das declarações evidencia que as críticas mais duras são dirigidas a João Rodrigues e a Eron Giordani. Ambos não têm seus nomes citados na carta. Topázio se refere a eles como “prefeito de Chapecó” e “presidente estadual do PSD”.

Leia o que disse Topázio Neto:

À Executiva do Diretório Estadual do PSD de Santa Catarina

Através desta carta aberta, encaminho formalmente meu pedido de desfiliação do Partido Social Democrático. Abaixo, minhas razões.

Política para mim é diálogo, gratidão e respeito. Considero a palavra dada o bem mais valioso de um homem público. E tenho repulsa aos que acreditam que política se faz com truculência, intimidação e socos na mesa. Nos últimos dias, integrantes do meu partido decidiram agir dessa forma comigo, como retaliação às posições que defendo.

Como é de conhecimento geral, o Presidente Estadual do PSD de Santa Catarina, em conluio com o Prefeito de Chapecó, passou a exigir minha expulsão imediata do partido. Ainda que perplexo, considero essa grotesca encenação uma medalha: eu sei quem sou, e sei também a forma que eles costumam fazer política.

Recuso o silêncio que tentam me impor por discordar de uma candidatura do partido ao Governo do Estado. Apesar das ameaças pessoais, não me intimido e nem me omito. Como dirigente do PSD, não posso deixar de alertar sobre os danos devastadores que essa decisão poderá causar às chances de vitória dos nossos candidatos a deputado e deputada na próxima eleição.

Ao se tornar candidato de si mesmo, o prefeito de Chapecó transformou seus companheiros de partido em reféns de um projeto sem sentido, escancarando o que tantos comentam em voz baixa: seu ego, vaidade e sua sede de poder valem mais que o bem coletivo. É a isso que me oponho de forma convicta, porém respeitosa e civilizada.

Por justiça, dou ao Prefeito de Chapecó o direito à ignorância sobre minhas intenções. É possível que não tenha conseguido compreender as razões que me levaram a propor um caminho alternativo às suas desconexas e inconsequentes atitudes.

Há dois anos, defendo, de forma pública e transparente, o que acredito ser o melhor projeto para o bem de Santa Catarina: o apoio à reeleição do Governador Jorginho Mello. Esta decisão compartilhei, desde o primeiro minuto, com o Presidente Gilberto Kassab e o Deputado Júlio Garcia. De ambos, recebi compreensão, respaldo e anuência.

É de conhecimento de todos que essa parceria harmoniosa entre o PL e o PSD nasceu durante a minha vitoriosa eleição a Prefeito de Florianópolis, em 2024. Portanto, muito anterior a qualquer manifestação de uma pré-candidatura do PSD ao governo do estado. Por isso, repudio o rótulo de traidor que tentam, de forma covarde, me imputar.

Apoio o Governador Jorginho por que provou que é um gestor competente e um trabalhador obstinado. Seu governo é transformador e, seguramente, o maior parceiro das prefeituras na história de Santa Catarina. São investimentos gigantescos e milhares de obras espalhadas por todos os 295 municípios do estado, sem qualquer discriminação, seja ideológica ou política. Por que não ter a humildade e reconhecer quem está trabalhando direito?

Por isso, cabe a pergunta: em nome do quê alguém propõe trocar um governo cuja gestão é a mais bem avaliada do país, com mais de 75% de aprovação popular? Aliás, qual projeto de estado o prefeito apresentou até o momento? A mim, nenhum. O que propõe de forma planejada e aprofundada? Desconheço. Além de bravatas, só ouço o seu silêncio sobre os temas que, verdadeiramente, interessam ao povo catarinense.

Minha decisão de desfiliação traz ainda uma outra razão fundamental: a forte indicação que o PSD não irá apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro a Presidente da República. Nesse momento em que as forças de direita no Brasil deveriam se unir em torno de um nome sólido e viável, o PSD vai na direção contrária ao que deseja o eleitor catarinense.

Para finalizar, reafirmo que sou de construir pontes e aproximar pessoas. Por isso, jamais me perdoaria se uma decisão minha causasse qualquer desarmonia dentro do meu partido, ainda que alinhada com nossas principais lideranças. Diante disso, reitero meu pedido de desligamento imediato dos quadros do PSD. Que Deus abençoe Santa Catarina.

Florianópolis, 19 de março de 2026.

Topázio Silveira Neto
Prefeito da capital dos catarinenses

Ex-pessedista, Topázio Neto. Foto/arquivo: John Pacheco/G1.

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