Toda Copa do Mundo começa muito antes da bola rolar. Ela nasce nas mesas de bar, nas resenhas de rádio, nas colunas de jornal e, claro, nas intermináveis discussões sobre quem deveria ou não estar na lista da Seleção.

Diz o velho ditado que o Brasil tem 200 milhões de técnicos. Em ano de Mundial, então, cada um deles escala sua própria seleção. E quase nunca ela coincide com a do treinador que, de fato, assina a convocação.
A história está cheia desses capítulos.
Em 2010, por exemplo, Dunga ignorou o clamor popular e deixou fora Ronaldinho Gaúcho, Neymar, Ganso e Adriano. Um quarteto que, tecnicamente, parecia superior a muitos dos escolhidos.
Em 2006, Alex vivia grande fase no futebol turco. Não era uma unanimidade nacional, mas havia quem defendesse sua convocação. Parreira não se convenceu.
Voltando um pouco mais, quem não lembra da pressão para que Felipão levasse Romário em 2002? O baixinho ficou fora. E o Brasil, mesmo assim, foi campeão do mundo.
Curiosamente, quatro anos antes, em 1998, Romário era o pedido da nação. Chegou a ser convocado, mas acabou cortado por Zagallo, que alegou falta de tempo para recuperar a lesão antes da estreia na França.
Em 1994, Rivaldo foi o preterido. Parreira apostou em Raí como camisa 10. No fim, quem terminou titular foi Mazinho.
Em 1990, Neto tinha o clamor da Fiel e de boa parte da torcida. Sebastião Lazaroni nem deu bola para os técnicos de arquibancada.
Antes disso teve Renato Gaúcho em 1986, Leão em 1982, Falcão em 1978…
Sempre existe um nome. Sempre existe uma discussão. E sempre existe uma polêmica que alimenta os meses que antecedem a Copa.
Agora é Neymar.
Que é um jogador acima da média, isso ninguém discute. Tecnicamente, continua muito acima da safra que Carlo Ancelotti tem nas mãos. Mas futebol não vive de passado.
O que Neymar tem mostrado em campo pelo Santos e, principalmente, fora dele não credencia o craque a ser protagonista numa Copa do Mundo.
Falta preparação física. Falta sacrifício pessoal. Falta comprometimento para liderar um grupo que sonha com o Hexa.
Por isso, apesar do apelo popular, dessa vez fico com o italiano.
Copa do Mundo não é homenagem por serviços prestados. É competição no mais alto nível.
Neymar, hoje, parece viver uma realidade paralela. Virou personagem constante das mesas de poker e das colunas de celebridades. Um bom vivant que, muitas vezes, parece pouco preocupado com a própria imagem.
E no futebol, como na política, existe uma máxima simples: não basta ser, precisa parecer.
Nesse ponto, a gestão da carreira de Neymar passa longe do profissionalismo.
Muita mídia.
Mas, infelizmente, quase sempre pelas razões erradas.






