07/03/2026

O agro segue fazendo conta porque política, guerra e mercado entram na mesma planilha.

Por Letícia Schlindwein da Agro Agência Catarina — direto de Brasília

Panorama da Semana

A primeira semana cheia de março mostrou que, mesmo quando o debate político gira em torno de trabalho, guerra ou transição energética, o agro continua no centro da conversa nacional.

No Congresso, o setor produtivo ocupou a mesa de negociação ao entregar à Coalizão de Frentes Produtivas um manifesto pela modernização da jornada de trabalho, entrando de vez no debate sobre o fim da escala 6×1, tema que ganhou forte repercussão entre cooperativas e entidades empresariais.

Na Câmara e no Senado, também avançaram pautas estruturais para o campo: o uso de recursos do Fundo Garantidor para operações do PRONAF, até R$ 500 milhões, novas regras para apreensão de máquinas agrícolas em caso de dívida, além da discussão sobre a regulamentação do uso da palavra “leite” em produtos alimentícios.

No mercado internacional, a tensão entre Estados Unidos e Irã colocou o agro brasileiro em alerta. O possível fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo, já começa a aparecer nas planilhas do setor, pressionando custos de diesel, fertilizantes e fretes.

Enquanto isso, no campo, a Conab anunciou R$ 73,6 milhões para apoiar arrozeiros, reforçando instrumentos como PEP e Pepro para sustentar preços abaixo do mínimo.

E, em meio às turbulências, os números lembraram o tamanho da força do setor: a agropecuária foi o segmento que mais cresceu no PIB brasileiro em 2025, com avanço de 11,7%, puxado por soja e milho.

Entre sanidade, cooperativismo e tecnologia, Santa Catarina também apareceu em destaque — com a entrevista da presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos, e o reconhecimento da catarinense Tania Zanella, como uma das mulheres mais poderosas do país pela Forbes.

Agro em Alerta

Guerra longe, custo perto

O conflito no Oriente Médio entrou no radar do agro brasileiro. A tensão na região ameaça elevar o preço do petróleo e, com isso, pressionar diesel, fertilizantes e fretes marítimos. Milho, soja e carnes exportados ao Oriente Médio podem enfrentar custos logísticos mais altos.

Socorro ao arroz

A Conab anunciou R$ 73,6 milhões para apoiar a comercialização do arroz da safra 2025/2026. Os recursos serão operacionalizados por meio dos mecanismos Pepro e PEP, usados quando o preço de mercado fica abaixo do mínimo oficial.

Tilápia vira pauta nacional

Depois de Santa Catarina endurecer regras sanitárias para entrada de tilápia, o tema chegou ao Congresso. Projeto em análise na Câmara propõe proibir a importação do peixe, alegando riscos sanitários e concorrência desleal com a produção nacional.

Regras da tainha

Os ministérios da Pesca, da Agricultura e do Meio Ambiente publicaram nova portaria definindo as regras da safra da tainha no Sul e Sudeste, tema sensível para pescadores artesanais e industriais.

Leite na rotulagem

Avançou na Câmara a proposta que restringe o uso da palavra “leite” apenas para produtos de origem animal. O objetivo é evitar confusão do consumidor diante da expansão de bebidas vegetais

Indicadores da Semana

PIB do Brasil (2025)
• Crescimento total: 2,3%

Agropecuária
• Crescimento: 11,7%
• Valor gerado: R$ 775 bilhões

Produção agrícola
• Milho: +23,6%
• Soja: +14,6%

Projeção da CNA para 2026
• VBP do agro pode cair 4,6%, pressionado por preços mais baixos. Sabia mais no video completo, clique aqui!

Radar do Agro: O que observar na semana de 9 a 13 de março

Segunda-feira (9)
Retomada das discussões no Congresso sobre modernização da jornada de trabalho, tema que ganhou força após o manifesto entregue pelo setor produtivo.

Terça-feira (10)
Debates na Câmara sobre crédito rural e instrumentos de garantia financeira, com atenção especial ao uso do Fundo Garantidor no PRONAF.

Quarta-feira (11)
Expectativa de novas discussões sobre seguro rural e endividamento agrícola, pautas que seguem como linha vermelha da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Quinta-feira (12)
Avanço de pautas sanitárias e comerciais no agro, incluindo discussões sobre importações de pescado e rotulagem de produtos lácteos.

Sexta-feira (13)
Expectativa de novos dados de mercado e acompanhamento da evolução dos custos logísticos globais, especialmente diante da instabilidade no Oriente Médio.

Visão da Semana

O agro na encruzilhada: trabalho, guerra e mercado

A política brasileira discutiu jornada de trabalho.
O mundo discutiu guerra.
O agro fez conta.

Entre escalas trabalhistas, conflitos geopolíticos e debates comerciais, o campo segue tentando responder a uma pergunta simples — e difícil: como produzir mais, com custos cada vez mais imprevisíveis?

O manifesto entregue pelo setor produtivo sobre jornada de trabalho mostra que o agro não quer apenas reagir às mudanças — quer participar delas.

E os números do PIB lembram uma verdade que Brasília às vezes esquece:

Quando o agro cresce, o Brasil respira!

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