23/02/2026

Gestos de Bolsonaro, Ciro Nogueira e Valdemar mostram que SC terá sua eleição mais nacionalizada

Poucas vezes em sua história política, Santa Catarina foi tão assunto fora de Santa Catarina. A chegada de Carlos Bolsonaro (PL) para concorrer a Senado pelo Estado a pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) gerou imediata e inédita atenção da imprensa nacional às movimentações do cenário político estadual, assim como a atuação de dirigentes nacionais para reencaixar as peças no tabuleiro.

Valdemar da Costa Neto tentou atravessar articulações de SC em nome de acordo com Ciro Nogueira, mas foi desautorizado por Jair Bolsonaro.
Valdemar da Costa Neto tentou atravessar articulações de SC em nome de acordo com Ciro Nogueira, foi desautorizado por Jair Bolsonaro e aguarda reação da União Progressista.

Por isso, observamos chegarem de Brasília no final de semana que passou as duas principais novidades no quadro político estaduais. Primeiro, a confirmação da informação de que Jair Bolsonaro decidiu que a deputada federal Caroline de Toni (PL) será a colega de chapa de Carlos Bolsonaro na disputa pelas duas vagas de senador, mesmo que isso coloque em risco a aliança nacional entre PL e federação União Progressista desenhada pelos presidentes nacionais Valdemar da Costa Neto (PL), Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União Brasil).

Segundo, as reações calculadamente expressadas de Ciro Nogueira, senador pelo Piauí e ex-ministro de Bolsonaro, ao que considerou uma quebra de acordo. Pelos termos públicos da articulação, a federação apoiaria a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) em troca de apoios em Estados importantes para os partidos da federação, o que incluiria a reeleição do senador Esperidião Amin (PP) em Santa Catarina.

Começo pelo primeiro capítulo. após receber visitas na Papudinha, onde se encontra preso, Jair Bolsonaro deu ao deputado federal gaúcho Sanderson (PL), pré-candidato a senador no Estado vizinho, a missão de vocalizar sua vontade pela chapa de Caroline e Carlos – que vinha sendo anunciada há duas semanas em Santa Catarina pelo governador Jorginho Mello, mas que carecia de respaldo nacional.

Afinal, foi em Brasília e não em Florianópolis que essa dúvida foi criada, quando Valdemar da Costa Neto, invocou um acordo nacional com a federação União Progressista para tentar convencer Caroline de Toni a desistir de concorrer a senadora. Por por cima de Jorginho, inclusive, ao oferecer a ela a vaga de vice-governadora que já está prometida ao prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo). A deputada não desistiu do Senado e, à época, retomou conversas com o Novo para filiação, colocando Jorginho em alerta.

A fala de Sanderson, autorizada por Bolsonaro, é a versão ao áudio da carta escrita que a parlamentar exigia para permanecer no PL. Nela, o gaúcho emulou o estilo do ex-presidente, ao dizer que “não tem mais porque nós ficarmos nos desgastando, perdendo energia ou falar em algo que já está definido.” A Valdemar coube a resignação, confirmada em entrevista ao Metrópoles no domingo:

– Discordo de apoiar Caroline de Toni ao Senado, mas aval é de Jorginho.

Encerrado esse enredo, pelo menos aparentemente, veio o segundo capítulo, também no sábado. Em entrevistas ao Uol e ao Metrópoles, Ciro Nogueira quebrou os pratos e disse que, diante da quebra de acordo, defenderia que Esperidião Amin buscasse abrigo na chapa do prefeito chapecoense João Rodrigues (PSD), pré-candidato a governador – que disse na semana que passou que o progressista seria “bem-vindo” em sua chapa.

Além das entrevistas, Ciro Nogueira foi ao X expor seu rancor, lembrando relato recente do Metrópoles sobre a exigência de Caroline de Toni de declarações públicas e concretas para permanecer no PL.

É a política nacional encaixando os palanques em Santa Catarina, como costuma acontecer. Repare que Ciro Nogueira já vinha adaptando seu discurso sobre o apoio da federação União Progressista à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, condicionando a composição a uma postura mais moderada e “fora da bolha” por parte do filho de Jair Bolsonaro.

O fator Santa Catarina entra nessa conta como uma justificativa para uma neutralidade que o dirigente progressista já teria começado a negociar com o presidente Lula (PT) em troca de um refresco do petista no Piauí, onde Ciro Nogueira precisa buscar a reeleição. Certo é que os olhos do Brasília estão e vão continuar com um olhar quase inédito sobre os meandros da nacionalizada política catarinense.

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