06/02/2026

Dengue dispara em SC e casos explodem 73% em poucas semanas

Santa Catarina começou 2026 em alerta para a dengue. Em apenas 16 dias, entre os dias 4 e 19 de janeiro, período que compreende o início da semana epidemiológica 1 até a última atualização do boletim estadual, foram registrados 1.215 casos prováveis da doença, um aumento de 73% em relação ao mesmo período de 2025, quando haviam sido contabilizados 701 casos.

Os dados constam no Informe Epidemiológico nº 01/2026 e refletem a metodologia adotada pelo estado desde 2024, que utiliza o conceito de casos prováveis, que é a soma de casos confirmados, suspeitos e inconclusivos, como principal indicador para monitoramento da situação epidemiológica. Do total atual, 14 casos já tiveram confirmação final para dengue, enquanto 1.201 permanecem classificados como suspeitos. Não há, até o momento, registros de dengue grave, casos com sinais de alarme ou óbitos no período analisado.

Ao todo, foram registradas 1.946 notificações da doença no estado. A distribuição dos casos prováveis já alcança 99 municípios, o que evidencia a rápida disseminação do vírus neste início de ano.

O cenário é agravado pela ampla presença do Aedes aegypti. Entre 4 e 19 de janeiro, foram identificados 2.007 focos do mosquito em 199 municípios. Dos 295 municípios catarinenses, 184 são considerados infestados pelo vetor, o que amplia o risco de transmissão não apenas da dengue, mas também de outras arboviroses.

Além da dengue, o informe aponta 21 casos prováveis de chikungunya, a partir de 25 notificações, um crescimento de 56,3% em comparação com o mesmo período de 2025. A circulação viral já foi identificada no estado, aumentando o risco de transmissão comunitária. Em relação ao vírus da zika, houve três notificações, com um caso suspeito e dois descartados.

As autoridades de saúde reforçam que, embora o número de casos confirmados ainda seja baixo, o indicador de casos prováveis é o principal parâmetro oficial para avaliação do cenário atual, justamente por permitir uma resposta mais rápida frente ao avanço da doença.

Passo a passo de prevenção à dengue

Segundo o manual prevenção à dengue do Ministério da Saúde, esses são os passos para prevenir a doença.

  • Eliminar água parada
    Esvaziar, lavar e manter secos recipientes que possam acumular água, como pratos de plantas, baldes, garrafas, lonas e bandejas. Caixas-d’água, cisternas e reservatórios devem permanecer bem vedados. Estudos mostram que o mosquito deposita seus ovos em água parada; sem criadouros, não há reprodução do vetor.
  • Manter quintais e áreas externas limpos
    Retirar entulhos, pneus, sucatas e materiais descartáveis. Manter ralos externos limpos e, quando possível, protegidos com telas. Os ovos do Aedes aegypti podem resistir por meses em ambientes úmidos e eclodem quando entram em contato com a água.
  • Limpar calhas, lajes e telhados regularmente
    Evitar o acúmulo de folhas e sujeira que impeçam o escoamento da água da chuva. Calhas são apontadas em levantamentos epidemiológicos como um dos principais criadouros em áreas urbanas.
  • Proteger-se contra a picada do mosquito
    Utilizar repelente, especialmente durante o dia, período de maior atividade do Aedes aegypti, concentrado nas primeiras horas da manhã e no fim da tarde. Evidências indicam que o uso correto de repelentes reduz de forma significativa o risco de infecção.
  • Utilizar barreiras físicas
    Instalar telas em portas e janelas e usar mosquiteiros, sobretudo para crianças, idosos e pessoas acamadas. Barreiras físicas diminuem o contato entre o mosquito e as pessoas, reduzindo a transmissão.
  • Descartar corretamente o lixo
    Manter o lixo bem fechado e em locais cobertos, respeitando os dias e horários da coleta. Resíduos expostos favorecem o acúmulo de água e a formação de novos focos do mosquito.
  • Apoiar as ações do poder público
    Permitir o acesso de agentes de combate a endemias aos imóveis e seguir as orientações técnicas, inclusive quanto ao uso de larvicidas quando indicados. A ciência aponta que o controle integrado, com ações domiciliares e do poder público, é mais eficaz do que medidas isoladas.

O Ministério da Saúde reforça que a prevenção da dengue não depende apenas do uso de inseticidas. A eliminação contínua dos focos do mosquito é considerada a estratégia mais eficiente, sustentável e segura para reduzir casos, surtos e óbitos da doença.

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