25/03/2026

Nadal desponta como favorito para presidir Alesc em movimento para equilibrar forças com bancada do Pl

Assim que as urnas do primeiro turno mostraram quem conseguiu sobreviver aos humores do eleitorado e renovar os mandatos na Assembleia Legislativa, além de apresentar os novos rostos do parlamento catarinense, começou uma nova disputa, desta vez pelo comando da Casa. E se o eleitor deu ao Partido Liberal (Pl) de Jair Bolsonaro e Jorginho Mello uma superbancada de 11 integrantes, a política reage para garantir algum equilíbrio na correlação de forças do Estado. A presidência da Alesc é o embate silencioso que acontece dentro dos limites do Palácio Barriga Verde.

Antes de mais nada, é importante ponderar os efeitos da renovação de 16 das 40 cadeiras do parlamento estadual – o equivalente a 40%. Essa renovação veio na esteira da movimentação de dez deputados estaduais da atual legislatura que concorreram a outros cargos e de três que preferiram não disputar as eleições. Concorrer à reeleição e não renovar o mandato, apenas três: Felipe Estevão (União), Laércio Schuster (União) e João Amin (Progressistas).

Quem mais se beneficiou das vagas aberta foi o Pl, que reelegeu seus sete parlamentares e incorporou mais quatro novatos à bancada. Para contextualizar o peso dessa bancada, basta lembrar que desde 2006 um partido não conseguia conquistar 11 cadeiras na Alesc – o último havia sido o Pmdb na reeleição de Luiz Henrique da Silveira ao governo, primeira eleição da tríplice aliança com Pfl e Psdb. A envergadura da bancada do Pl faz com que desponte como favorita para liderar a Casa, mas gera também os efeitos de uma lei que muitas vezes prejudicou as antigas superbancadas emedebistas: não existe direito natural na Alesc, tudo precisa de acordo.

Agora, é o Mdb que pode se beneficiar dessa regra não escrita. Enquanto a bancada do Pl discute internamente os possíveis nomes para comandar a Alesc – a recordista Ana Campagnolo, os experientes Maurício Eskudlark e Nilso Berlanda e o jorginhista fiel Marcius Machado -, ganha corpo no parlamento uma costura para colocar um nome da bancada emedebista, a segunda da Casa com seis integrantes, para equilibrar o poder do Estado. Na Alesc, é dado como certo que Jorginho Mello (Pl) vai vencer o segundo turno contra Décio Lima (Pt). Assim, o movimento não apenas tira o partido do possível futuro governador do comando do parlamento, como também blinda a agenda da Casa da interferência direta da ala mais ideológica do partido.

O nome que desponta como favorito é do deputado estadual reeleito Mauro de Nadal (Mdb), que presidiu a casa em 2021 – no ano seguinte, renunciou para cumprir acordo de divisão de mandato com o atual presidente Moacir Sopelsa (Mdb), que não concorreu à reeleição. Além dele, é citado o deputado estadual reeleito Marcos Vieira (Psdb), um dos mais experientes da Alesc. Pesa a favor de Nadal, no entanto, o tamanho da bancada – os tucanos têm apenas dois representantes.

O jogo da presidência da Alesc tem uma rotina clara desde os anos 2000, quando acabou o voto secreto na disputa: quando alguém consegue confirmar 21 apoios, acaba a disputa e começa a composição. Ninguém quer ficar fora da mesa diretora ou perder espaço em comissões por causa de uma disputa perdida. É essa construção que está em andamento. Neste momento, Mauro de Nadal tem tudo para voltar ao comando Casa.


Sobre a foto em destaque:

Os retratos dos ex-presidentes dando uma passeada pelo plenário em uma sessão de homenagem em 2013. Foto: Agência Al, Divulgação.

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