18/05/2026

Oscar Montedo projeta o futuro do setor cerâmico do Sul em entrevista ao Histórias Catarinenses

A transição de uma trajetória de mais de uma década no chão de fábrica para os laboratórios de pesquisa acadêmica sintetiza o esforço de aproximação entre o mercado e a universidade no Sul catarinense. Conduzido pelo jornalista Upiara Boschi no programa Histórias Catarinenses, da Unesc TV, o diálogo com o pesquisador Oscar Klegues Montedo resgatou a evolução tecnológica do setor cerâmico desde a década de oitenta até os desafios atuais de sustentabilidade.

Veja o Histórias Catarinenses com Oscar Montedo

O professor defendeu que o diálogo em nível de pós-graduação é o que permite transformar a indústria regional em uma lançadora de tendências globais, ressaltando o papel da instituição na formação de profissionais capazes de falar a linguagem da inovação disruptiva.

O engenheiro químico iniciou sua atuação na área em 1983 e acumulou passagens por empresas como Cecrisa e PortoBello antes de ingressar na docência. Com base nessa experiência, Montedo expôs o cenário atual do polo cerâmico do Sul do estado, que enfrenta uma encruzilhada estratégica em relação à disponibilidade geográfica de recursos.

Segundo o pesquisador, as matérias-primas nobres estão cada vez mais escassas na região e disponíveis em grande quantidade no Nordeste, o que motiva o interesse das empresas em expandir os negócios produtivos para aquela região. Contudo, o especialista ponderou que o Nordeste ainda não dispõe de recursos humanos qualificados no mesmo nível, gerando um dilema logístico e de mão de obra para o setor.

Para o professor, a manutenção da competitividade regional e o status de lançadora de tendências dependem diretamente da formação de profissionais de pesquisa conectados com a indústria. Ele apontou que a consolidação de linhas de pesquisa maduras capacita a estrutura local a responder às novas demandas de mercado, como a redução da espessura das placas para economia de insumos e energia, associada ao aumento das dimensões das peças por exigência estética do comércio.

Como exemplo prático dos resultados obtidos na articulação entre a universidade comunitária e o setor produtivo, o entrevistado destacou os projetos desenvolvidos no Programa de Pós-Graduação em Ciências e Engenharia de Materiais da Unesc. Entre as tecnologias patenteadas e geradas nos laboratórios locais, Montedo citou soluções na área biológica, como biovidros e cimentos odontológicos, e o desenvolvimento de uma placa balística multicamada de alta proteção.

O material de blindagem foi testado contra impactos de munição de fuzil calibre 7.62 em avaliações realizadas no laboratório do Exército, no Rio de Janeiro, para a medição da capacidade de absorção de energia do componente.

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