09/02/2026

Governo Jorginho confirma adesão técnica a pacto nacional contra feminicídio

O governo de Santa Catarina reagiu à informação de que estaria fora do Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, lançado pelos Três Poderes em Brasília. Em nota oficial distribuída neste final de semana, a gestão de Jorginho Mello (PL) confirmou a adesão ao acordo federal, formalizada após o envio de representantes do Executivo para uma agenda técnica no Ministério das Mulheres, na semana passada.

O gesto garantiu a inserção do Estado no sistema integrado de dados e nos repasses de recursos da União, mas manteve o governador catarinense distante do palanque político montado pelo governo Lula (PT) na cerimônia oficial do dia 4 de fevereiro.

Para além da agenda federal, o Centro Administrativo listou um pacote de ações que buscam carimbar uma identidade local no combate à violência contra a mulher. A principal aposta de marketing é a campanha protagonizada pelo ex-campeão do UFC Fabrício Werdum. A escolha de um lutador para falar com o público masculino sinaliza uma estratégia de comunicação voltada a “identificar e coibir comportamentos agressivos”, tentando engajar homens na prevenção através de uma figura de autoridade física e esportiva, perfil que dialoga diretamente com a base eleitoral conservadora do estado.

No campo institucional, a resposta do governo estadual centraliza as ações no programa “Catarinas por Elas”, lançado em novembro de 2025. A iniciativa, coordenada pela vice-governadora Marilisa Boehm (PL), tem o objetivo político de puxar a paternidade das medidas de segurança para dentro do gabinete do governador, via Secretaria de Governo.

Segundo a Secretaria de Comunicação, a intenção é “vincular os esforços de todos os programas para que a gente possa ter mais efetividade”, transformando ações dispersas da Polícia Civil e Militar em uma vitrine única da gestão estadual.

A nota do governo também destaca a musculatura da estrutura já existente, numa tentativa de demonstrar que Santa Catarina não depende das diretrizes de Brasília para operar. São citadas a expansão das “Salas Lilás” para 41 unidades, a reestruturação das delegacias especializadas (DPCAMIs) com previsão de 26 novas unidades e o uso consolidado do Botão de Pânico no aplicativo da Polícia Militar.

O Estado também promete para março de 2026 a entrega do Plano Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres, com um investimento superior a R$ 1 milhão, reforçando a tese de que a adesão ao pacto federal é um complemento, enquanto a política real de segurança será executada com a marca da gestão local.

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