Em entrevista a Upiara Boschi para o SCC SBT, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), projetou o cenário político-eleitoral para o governo federal em Santa Catarina. Historicamente alinhado à direita e considerado um dos principais redutos do bolsonarismo no país, o estado é visto pelo Palácio do Planalto como um território de disputa desafiadora, mas com potencial de avanço para a esquerda.
Guilherme Boulos veio a Florianópolis participar do mais uma edição do programa Governo do Brasil na Rua, iniciativa que reúne, em um único espaço, serviços e atendimentos de órgãos e entidades do governo federal – incluindo negociação de dívidas por meio do Desenrola Brasil, perícias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e atendimento da Caixa. O evento acontece nesta quarta-feira, na Arena Floripa.

Ao analisar o desempenho do presidente Lula da Silva em solo catarinense, Boulos relembrou os números do último pleito e demonstrou otimismo quanto ao futuro.
– O Lula teve 30% em 2022 aqui. Tenho confiança que vai ter mais. O presidente Lula pode até não ganhar, mas vai crescer aqui – afirmou o ministro.
Para justificar a projeção de avanço em um eleitorado tradicionalmente conservador, o ministro adotou um tom assertivo de comparação direta com a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo Boulos, a entrega de investimentos e serviços públicos será o principal argumento do governo federal para conquistar o eleitor catarinense.
– Se a gente for comparar o que o governo anterior trouxe para Santa Catarina e o que o governo do Lula trouxe… Olha, é 7 a 1 em qualquer área para o Lula – declarou.
Como contrapartida factual, o chefe da Secretaria-Geral elencou obras nas BRs 470, 282 e 101, além da expansão do programa Mais Médicos, a criação de novos Institutos Federais e investimentos em habitação popular. Admitiu, no entanto, que falta avançar em outras prioridades, como a duplicação da BR-282.
– Está tendo obras, reparos na rodovia. Não está tendo a duplicação, você tem razão. Como eu te disse, você não faz tudo em um governo. Nós tamos fazendo por partes. Agora, o outro governo teve quatro anos e não fez absolutamente nada disso, deixou aos cacos – afirmou o ministro.
Boulos sinaliza possibilidade de debater fim da cota da tainha
Ao ser questionado sobre a crise que envolve a pesca da tainha em Santa Catarina, Boulos demonstrou abertura para rediscutir as regras atuais e acenou com a possibilidade de o governo federal pautar o fim cota para a modalidade artesanal.
– Eu acho que esse é um debate legítimo de ser feito. Eu tenho conversado muito com os movimentos de pescadores artesanais – afirmou o ministro, ressaltando que o segmento possui organizações sólidas e representativas em âmbito nacional.
No entanto, Boulos ponderou que qualquer alteração estrutural no sistema de cotas precisa caminhar em sintonia com a preservação da espécie.
– Lógico que isso precisa ser equilibrado com o tema ambiental. Porque também não adianta você falar ‘libera geral a pesca da tainha’ e, de repente, não tem mais tainha. Então você tem que considerar o ecossistema, a reprodução, todas essas questões – ponderou.
Apesar da necessidade de cautela técnica e ambiental, o ministro garantiu que o canal de diálogo com o setor produtivo artesanal catarinense permanecerá permanentemente aberto e ativo para construir uma solução equilibrada.
– Quando se trata do pequeno, do pescador artesanal, nós achamos que isso tem que ser visto com muito carinho. E vamos ouvir. Esses trabalhadores vão ter porta aberta para serem recebidos na mesa – assegurou Boulos.





