15/04/2026

O setor pesqueiro entrou de vez no radar: mais controle, mais regra, mais custo; agro cobra infraestrutura como política de Estado; confira outros destaques

Regras e tecnologia, o pescado entra na mira do Estado e não foi por acaso.

Entre novas exigências regulatórias, mudanças no acesso a benefícios e avanços tecnológicos inéditos, o Brasil redesenha a forma como controla, fiscaliza e organiza a cadeia do pescado.

De um lado, produtores enfrentam aumento de burocracia e sobreposição de regras que encarecem a atividade.
De outro, o Estado começa a incorporar ferramentas mais sofisticadas de controle, que elevam o padrão de qualidade e transparência.

No meio desse movimento, uma disputa silenciosa ganha força:
como equilibrar fiscalização eficiente sem travar quem produz.

E é exatamente esse ponto que começa a definir o novo momento do setor.

CNA reage e pede freio na burocracia para aquicultores

A CNA entrou em campo para tentar conter mais uma exigência que pesa sobre o produtor.

A entidade pediu a suspensão da obrigatoriedade do Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) para aquicultores, após a publicação da Portaria Interministerial nº 54.

O argumento é direto:

  • há sobreposição de exigências
  • aumento de custo
  • nenhum ganho efetivo de controle

Hoje, o setor já é monitorado por sistemas sanitários e pela Guia de Trânsito Animal.

Tradução: mais papel, sem mais eficiência.

Pescado sob pressão, adequação vira condição de mercado

Se de um lado a burocracia cresce, de outro a exigência internacional aperta.

O Ministério da Pesca definiu prazos para certificação sanitária de embarcações condição essencial para exportação.

O cronograma vai até 2028, variando conforme espécie e método de conservação.

Entre os marcos:

  • 2026: espécies como atum e lagosta
  • 2027: corvina, pescada e camarão
  • 2028: dourada, garoupa e tainha

O recado é claro: quem não se adequar, fica fora do mercado.

Seguro-defeso muda, mais controle, menos fraude

A Câmara aprovou a MP 1323/2025, que altera regras do benefício pago a pescadores durante o período de proibição da pesca.

A medida segue agora para o Senado.

Entre os principais pontos:

  • exigência de biometria e cadastro no CadÚnico
  • cruzamento de dados com CNH e TSE
  • prorrogação de prazos até 2026
  • aumento de penalidades para fraudes

Ao mesmo tempo, amplia o acesso ao crédito via Pronaf para pescadores artesanais.

Equilíbrio delicado: combater fraude, sem excluir quem precisa.

Santa Catarina sai na frente e coloca DNA na fiscalização

Aqui, o jogo muda de nível.

Santa Catarina passou a utilizar tecnologia de sequenciamento genético para verificar a autenticidade do pescado algo inédito entre as defesas agropecuárias do país.

A iniciativa é coordenada pela Cidasc, com apoio da Secretaria Executiva da Aquicultura e Pesca (SAQ), e conta com a parceria do Instituto de Metrologia de Santa Catarina (Imetro-SC) e do Procon/SC. Enquanto o Imetro-SC e o Procon catarinense atuam na coleta de amostras no mercado, a Cidasc é responsável pela logística, capacitação das equipes e realização das análises laboratoriais.

E o primeiro resultado já veio: 100% das amostras analisadas sem irregularidades.

O secretário Tiago Frigo destacou:

“A tecnologia garante mais segurança, transparência e valoriza quem produz corretamente.”

A presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos, reforçou:

“Esse trabalho integra fiscalização desde a produção até a comercialização, combatendo práticas irregulares.”

Resultado: Santa Catarina vira referência e eleva o padrão do mercado.

Frentes debatem compromissos com pautas de logística e infraestrutura

Enquanto o campo evolui, a logística continua no passado.

O Brasil terminou 2025 como o segundo principal exportador mundial de produtos agropecuários com mais de US$ 169,2 bilhões e por pouco não superou os Estados Unidos, que lideram esse ranking. No entanto, um dos gargalos de eficiência são as questões de logística e infraestrutura. Por isso, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e a Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos (FPPA) se juntaram para discutir compromissos com pautas relacionadas a esses temas. 

FPA e FPPA querem tornar a infraestrutura brasileira uma política de Estado. A ideia é dar garantias para os investimentos no setor, sejam eles com recursos privados ou públicos.

“O que se propõe aqui é justamente encontrar alternativas que a gente possa oferecer a quem estará à frente do país nos próximos quatro anos, para realmente resolver os problemas que a gente tem; esses gargalos de infraestrutura que são 30% do nosso custo de produção”, disse a vice-presidente de articulação política da FPPA e integrante da FPA, deputada Daniela Reinehr (PL-SC).

O diagnóstico é conhecido:

  • gargalos logísticos elevam até 30% do custo de produção
  • falta de armazenagem pressiona preços
  • escoamento precário reduz margem

O Brasil exige papel. Santa Catarina entrega tecnologia

O contraste de hoje é didático.

De um lado, o produtor enfrenta novas exigências, registros e regras que muitas vezes se sobrepõem.

De outro, um estado mostra que é possível avançar com:

  • tecnologia
  • integração
  • eficiência

O agro brasileiro não resiste à falta de inovação.
Resiste à falta de lógica.

Porque, no fim, não é o controle que trava o setor.

É quando o controle vira burocracia e não solução.

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