08/05/2026

Prefeito e ex-prefeito quebram silêncio após operações contra corrupção em Blumenau

O atual e o ex-prefeito de Blumenau, Egídio Ferrari e Mário Hildebrandt, ambos do PL, se manifestaram nas redes sociais após a deflagração de três operações do Gaeco e do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) que investigam supostos esquemas de corrupção envolvendo contratos públicos da Prefeitura de Blumenau.

As manifestações ocorreram após as operações “Ponto Final”, “Sentinela” e “Arbóreo”, deflagradas entre quarta-feira (6) e quinta-feira (7).

O que disse Egídio Ferrari

Em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito Egídio Ferrari afirmou que a atual gestão não é alvo das investigações e que as apurações envolvem contratos firmados entre 2020 e 2024, período anterior ao início do mandato dele.

“Nosso governo não está sendo investigado. As ações da Polícia e do Ministério Público se referem a investigações sobre contratos da gestão anterior”, afirmou.

Egídio também declarou que nenhum integrante da equipe atual está entre os investigados e reforçou que a prefeitura está colaborando com as autoridades.

Segundo ele, policiais estiveram na prefeitura para recolher documentos relacionados a licitações e contratos dos últimos anos.

O prefeito ainda destacou que sua gestão adotou medidas de revisão contratual e maior rigor nos processos administrativos.

“Se irregularidades forem comprovadas, os responsáveis precisam ser punidos com o rigor da lei”, disse.

O que disse Mário Hildebrandt

O ex-prefeito Mário Hildebrandt também divulgou vídeo nas redes sociais após as operações.

Na manifestação, ele afirmou que não é alvo das investigações e negou envolvimento nos supostos esquemas apurados pelo Ministério Público.

“Eu não sou alvo das investigações. Nenhuma das três operações deflagradas tem envolvimento de prefeitos municipais”, declarou.

Mário também comentou a investigação relacionada à contratação emergencial de segurança armada para escolas após o ataque à creche Cantinho Bom Pastor, em abril de 2023.

Segundo ele, a contratação ocorreu de forma rápida para garantir a segurança de alunos e professores.

“Eu não tenho dúvidas de que a decisão pela contratação emergencial foi a melhor para garantir a segurança armada nas escolas e creches”, afirmou.

O ex-prefeito ainda ressaltou medidas adotadas durante sua gestão, como a criação da Controladoria do Município e do programa de compliance, além da exoneração de servidores investigados em casos anteriores.

“Sempre combati a corrupção”, disse.

Operação “Ponto Final” investiga contratos de obras públicas

Deflagrada na quarta-feira (6), a operação “Ponto Final” apura um suposto esquema envolvendo servidores públicos e empresários do setor de obras públicas.

Segundo o MPSC, as investigações apontam que o grupo atuava desde 2020 manipulando contratos, combinando resultados de licitações e elevando valores de serviços.

De acordo com o Ministério Público:

  • 47 contratos são investigados;
  • cerca de R$ 500 milhões em contratos públicos foram assinados pelas empresas investigadas;
  • 31 pessoas são investigadas;
  • oito empreiteiras são alvo da operação.

Durante a ação, foram apreendidos cerca de R$ 500 mil nas casas de um empresário e de um servidor investigados.

Operação “Sentinela” mira contratos de segurança escolar

Já a operação “Sentinela”, deflagrada na quinta-feira (7), investiga um grupo suspeito de manipular contratos públicos relacionados à segurança em escolas municipais.

Conforme o MPSC, empresas investigadas teriam recebido milhões em contratos públicos entre 2021 e 2024.

Um dos focos da investigação é a contratação emergencial de vigilância armada e desarmada após o ataque à creche Cantinho Bom Pastor.

Segundo o Ministério Público, informações sigilosas teriam sido compartilhadas para favorecer uma empresa na disputa pelo contrato, que ultrapassa R$ 9 milhões.

Operação “Arbóreo” apura suposta propina em contrato da merenda

Também na quinta-feira, a operação “Arbóreo” investigou supostas fraudes em contrato de fornecimento de refeições para a rede pública municipal.

Segundo o Gaeco e o MPSC, agentes públicos e representantes de uma empresa do setor alimentício teriam atuado em conjunto para favorecer a vencedora da licitação.

As investigações apontam que:

  • o contrato foi firmado em abril de 2022;
  • a prefeitura rescindiu o vínculo em janeiro de 2025;
  • o esquema previa pagamento de propina equivalente a 3% dos valores pagos pela prefeitura;
  • o montante das vantagens indevidas pode ter ultrapassado R$ 3,6 milhões.

De acordo com o Ministério Público, operadores do esquema monitoravam pagamentos públicos e realizavam viagens frequentes ao Paraná para recolher dinheiro em espécie.

Com informações do SCC 10

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