A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) liderou, nesta quarta-feira (18), uma coletiva de imprensa no Salão Verde da Câmara dos Deputados ao lado de outras parlamentares, anunciando uma série de medidas contra a condução da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e a eleição da deputada Erika Hilton para a presidência do colegiado.

Durante a coletiva, Zanatta confirmou a apresentação de um recurso ao presidente da Câmara, Hugo Motta, questionando a legalidade do processo eleitoral que levou Erika Hilton ao comando da comissão.
Segundo a deputada, o resultado evidencia irregularidades. “Foram 12 votos em branco e apenas 10 votos na candidata proclamada eleita. O segundo escrutínio foi ilegítimo. Além de não representar as mulheres, a eleição não cumpriu os trâmites”, afirmou.
Ao abrir a coletiva, Zanatta adotou um tom firme: “Não somos imbecis. Não somos o esgoto da sociedade. Somos o pilar das famílias e da sociedade brasileira. E não vamos admitir que tentem nos calar.”
A representação contra Erika Hilton foi motivada por uma manifestação pública realizada em 11 de março de 2026, quando a parlamentar utilizou a expressão “esgoto da sociedade” ao se referir a setores com posições divergentes.
Além da ação no Conselho de Ética, Zanatta denunciou episódios recentes dentro da Comissão da Mulher, incluindo o não recebimento de um requerimento de sua autoria no sistema legislativo — o que, segundo ela, configura quebra de isonomia e restrição à atuação parlamentar.
“Quando impedem uma parlamentar de exercer seu mandato, não estamos mais falando de debate democrático, mas de cerceamento”, afirmou.
Durante o encontro, também foi destacada a apresentação de um requerimento para realização de audiência pública sobre os impactos da censura à liberdade de expressão de mulheres e seus efeitos sobre direitos garantidos pela Constituição.
As parlamentares haviam se reunido na terça-feira (17), quando articularam o movimento conjunto e convidaram outras deputadas titulares da Comissão da Mulher para o posicionamento público.
Zanatta afirmou que a reação será conduzida dentro dos instrumentos regimentais, mas deixou claro que não haverá recuo diante do que classificou como tentativa de apagamento.
“A tentativa de tornar as mulheres invisíveis não será aceita. Vamos reagir com firmeza”, concluiu.







