
A campanha Cada Voto Conta, puxada por entidades empresariais para ampliar a representatividade de Joinville na Assembléia Legislativa e na Câmara Federal, nasceu de uma constatação correta: a maior cidade de Santa Catarina tem menos força política do que deveria.
Mas se o objetivo é eleger mais representantes, o excesso de pré-candidatos pode produzir exatamente o contrário e o fracasso anunciado. Hoje, pelo menos dez dos 19 vereadores de Joinville aparecem no tabuleiro de 2026: William Tonezzi (PL), Adilson Girardi (MDB), Ascendino Batista (PSD), Diego Machado (PSD), Brandel Junior (Republicanos), Érico Vinicius (Novo), Liliane da Frada (Podemos), Neto Petters (Novo), Tânia Larson (União) e Vanessa da Rosa (PT). Fora os deputados estaduais com mandato como Fernando Krelling (MDB), Maurício Peixer (PL), Matheus Cadorin (Novo) que vem à reeleição e o deputado estadual Sargento Lima e deputado federal Zé Trovão na disputa federal. E ainda tem uma série de outros postulantes sem mandato que já trabalham em busca dos votos.
Só na Câmara de Vereadores é metade dos integrantes da casa olhando para a próxima eleição. O número impressiona e também preocupa. Vai faltar voto, falta estratégia e vai faltar representante de Joinville no poder.
Em todos os partidos tem muitos grupos medindo força e, no fim, uma bancada menor do que o peso econômico e populacional da cidade.
O fracasso anunciado
A campanha Cada Voto Conta só fará sentido se conseguir transformar voto em cadeira. Caso contrário, vira apenas mais um slogan que apenas trocou de nome e mais uma vez não funcionou. O fracasso da Cada Voto Conta não será ter muitos candidatos. O fracasso será não conseguir organizar esse movimento.
Se cada partido lançar seu nome, se cada vereador apostar apenas na própria base e se as entidades empresariais ficarem apenas no discurso genérico da representatividade, Joinville poderá repetir o erro de sempre e entrar grande na eleição e sair pequena na conta final.
É preciso entender que votos são limitados. É um problema da direita e da esquerda na cidade. A direita achando que tem voto de sobra e a esquerda querendo na fatia que tem eleger um. Mas o problema dos dois é o mesmo: falta de estratégia e olhar para o histórico de votos. Exige maturidade para separar projeto coletivo de vaidade eleitoral.
A ACIJ, CDL, Ajorpeme, Acomac e OAB montaram o movimento “Cada Voto Conta” com uma tese simples. Entendem que não temos representantes a altura do poder eleitoral da cidade. Para mudar isso, pediram aos partidos que limitassem candidaturas. Dois nomes por sigla para a Alesc, um para federal e, com isso, concentração de votos.
A resposta da classe política até agora foi ignorar completamente o pedido da campanha.
A Câmara virou prévia de 2026
Não há qualquer problema em vereador querer disputar uma vaga de deputado. O problema é político. Quando dez parlamentares se movimentam ao mesmo tempo, a Câmara corre o risco de virar uma extensão da campanha eleitoral.
Cada discurso pode virar recorte para as redes sociais. Cada visita ou agenda vira cena de série de Netflix. Cada momento é um gesto para tentar viralizar. Cada projeto pode virar peça de marketing. Cada cobrança pode mirar mais a urna de 2026 do que o problema real do cidadão. Os discursos estão aí, basta ouvir.
Difícil missão de sentar à mesa
É preciso uma discussão mais aprofundada do que palestra do Caio Coppola. É preciso sentar na mesa e colocar as cartas do jogo. A campanha quer convencer o eleitor de que cada voto conta, mas precisa convencer antes as próprias lideranças políticas de Joinville.
O número de pré-candidatos na Câmara de Vereadores é só um sinal. A maior cidade de Santa Catarina poderá descobrir, mais uma vez, que candidatura demais pode ser o caminho mais curto para representatividade de menos.





