Hoje foi um dia comum. Ou pelo menos parecia.
A rotina seguiu, as conversas foram acontecendo, as notificações chegaram como chegam todos os dias. Mas em algum momento, quase sem avisar, eu me dei conta de que estava olhando para uma mudança grande. Dessas que não chegam com anúncio, mas que vão se formando até que um dia fazem sentido.
E o que apareceu hoje, de forma muito clara, foi uma ideia simples, quase óbvia quando dita em voz alta. Não disputar espaço, ampliar espaço. Chegar em algum lugar e permitir que mais gente caiba ali. Eu demorei pra entender isso.
Quando comecei, em 2012, vindo do mercado de eventos, o trabalho era muito mais sobre fazer do que sobre entender onde eu estava. Eu fazia, aprendia, testava, mas sem ter a dimensão de que aquilo era parte de algo maior. Não existia uma sensação de mercado, existia uma sensação de caminho individual.
Em 2023, um convite do Fred Perillo e da Nani Blanco pra palestrar no Reboot mudou essa percepção. Não foi uma virada brusca, foi mais como quando você enxerga um desenho inteiro depois de ter visto só partes soltas. Pela primeira vez, aquilo ganhou contexto. Tinha gente, tinha troca.
Meses depois, eu viajei pela primeira vez pra falar sobre isso. São Luís, Maranhão. Eu lembro da chegada, do ambiente, da programação, e de ver que na última mesa estava Emerson Saraiva. Eu já sabia quem ele era. Ele não sabia quem eu era. Eu falei antes. Desci do palco sem qualquer interação com ele. E então ele subiu.
O que aconteceu ali foi simples. Um comentário, um reconhecimento breve, quase natural. Mas aquilo reorganizou o lugar onde eu estava. Me colocou dentro de uma conversa maior. Me deu a sensação de pertencimento a algo que até então eu ainda estava tateando.
Não foi um gesto performático. Foi um gesto natural de alguém que já entendia o tamanho do espaço que ocupava e o quanto ele podia ser ampliado. Eu guardei isso. Com o tempo, fui percebendo que aquilo não era um episódio isolado. Era um traço. Uma forma de conduzir tudo.
E, olhando agora, parece evidente que muita coisa que aconteceu no nosso mercado carrega esse mesmo movimento.
Nos últimos anos, o que a gente viu foi um crescimento consistente. Surgiram formações, eventos, iniciativas em diferentes partes do país. O CAMP cresceu, COMPOL, muitos eventos, grupos, projetos. Mais gente entrou, mais gente se encontrou, mais gente passou a se reconhecer como parte de um mesmo ambiente profissional.
O mercado deixou de ser uma soma de trajetórias individuais e passou a ter uma identidade coletiva.
Hoje, Emerson, junto com um grupo obstinado, forma a primeira turma da Formação Marketeiro Eleja.se.


Eu acompanhei o início, estive presente no lançamento, participei como professor. E hoje, vendo os registros, as fotos, a movimentação de quem está começando, aquela memória de São Luís voltou com outra dimensão.
Porque o gesto de lá atrás ganha continuidade aqui. Existe uma coerência nisso tudo. Uma linha que conecta pequenas atitudes a movimentos maiores. Formar gente, abrir espaço, compartilhar experiência, legitimar novos profissionais. Isso vai criando um ambiente mais sólido, mais confiável, mais estruturado.
Em algum momento, lá no primeiro COMPOL Brasil, eu disse que o mercado de marketing político no Brasil é tão bom quanto nós todos somos, juntos. Com o tempo, essa frase deixou de ser uma ideia e passou a ser uma constatação.
O que está acontecendo hoje reforça isso.
Quando alguém com trajetória consolidada decide investir em formar novos profissionais, está contribuindo para um mercado mais qualificado, mais diverso, mais preparado. Está ajudando a construir algo que ultrapassa a própria trajetória. E isso que torna o dia de hoje especial.
Ele mostra que existe um caminho possível. Um caminho em que crescimento e compartilhamento caminham juntos. Em que reconhecimento não fecha portas, amplia. A gente ainda vai ver muitos movimentos assim. Mais gente formando, ensinando, abrindo espaço, puxando outros junto.
Hoje algo importante aconteceu em Campina Grande.
E quanto mais isso acontecer, mais o mercado vai se fortalecer.
Porque, no fim, ele é exatamente isso. Um espaço que vai sendo ampliado à medida que mais gente decide construir junto. Vida longa ao Eleja.se. Obrigado Emerson Saraiva!





