O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), tem aproveitado a oportunidade dada pelo próprio Flávio Bolsonaro, ao ter se aproximado de Daniel Vorcaro, para ‘bater’ no pré-candidato a presidente do PL. Há três semanas, Zema tem sido monotemático quanto a isso. Em qualquer chance, lá está o mineiro dizendo que a proximidade entre Flávio e Vorcaro ‘é chocante’ ou ‘imperdoável’.

Romeu Zema também é pré-candidato a presidente, pelo Novo. Só que, diferente de seu adversário ungido com o sangue dos Bolsonaros, o mineiro ainda não chegou nem perto de dois dígitos nas mais variadas pesquisas de intenção de voto para a eleição de outubro.
Quando esteve em Santa Catarina, na semana passada, o ex-governador disse que, apesar de ter ficado chocado com os áudios divulgados pelo Intercept, seu maior adversário ainda continuaria sendo o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. “Por pior que seja o adversário de Lula no segundo turno, eu sou antipetê”, disse.
O que Zema quer, afinal?
A declaração de Zema abriu margem para uma eventual interpretação de que o mineiro ainda tinha esperança de se viabilizar até como vice de Flávio. Mas os mais atentos, em Brasília, alertam que não é bem assim. “O que Zema quer, neste momento, é inviabilizar a candidatura de Flávio Bolsonaro e vai trabalhar intensamente para isso”, disse um interlocutor.
“Por qual motivo?”, perguntei.
A leitura nos bastidores é de que Romeu Zema está, na verdade, de olho em 2030. Isso porque, se Lula for candidato e vencer, essa será sua última eleição. Já se Flávio for o candidato e vencer, será sua primeira eleição para presidente e, como você sabe, quem está no cargo costuma ter vantagem natural sobre os demais concorrentes. Isso tornaria a busca de Zema pela Presidência mais difícil. Desse modo, desgastar o nome de Flávio a ponto de inviabilizar sua eleição será a estratégia adotada pelo representante do Novo na corrida presidencial, disse uma pessoa ouvida pela coluna.
O Novo como opção ao bolsonarismo
O Novo nunca fez questão de esconder o desejo de ser uma opção ao bolsonarismo. Um partido ‘menos’ político, em tese mais independente e de direita, ou seja, uma alternativa para o eleitor que quisesse manter seu voto à direita, mas sem dar uma segunda chance a um indicado por Jair Bolsonaro. Com a turbulência que Flávio enfrentou nas últimas semanas, Zema pode ter voltado a acreditar que, em caso de o bolsonarismo encolher de vez na próxima eleição nacional, o Novo possa ocupar o espaço vago.
Em Santa Catarina, há quem tenha dúvida se a dobradinha PL/Novo será mantida, com Adriano Silva vice de Jorginho Mello. Aqui, vale destacar que a escolha estratégica de Adriano, ex-prefeito da maior cidade do estado, na região com a maior concentração de votos de Santa Catarina, se deu pela figura de Adriano, e não do partido. Ainda que o que vale seja o que se decide em convenção, que ocorre em julho, as investidas de Romeu Zema, por enquanto, não interferiram na composição catarinense. O ex-governador mineiro precisa ficar atento para não mirar na era pós-bolsonarismo e acertar em João Doria.
Flávio com Trump
Falando nos Bolsonaros, o senador Flávio viajou aos Estados Unidos nesta terça-feira e divulgou uma foto ao lado do presidente americano Donald Trump, na Casa Branca. Veja os detalhes aqui.




