O governador Jorginho Mello (PL) já encaminhou sua chapa majoritária — movimento cada vez mais antecipado nesta eleição —, mas segue empenhado em atrair o MDB e a federação União Progressista para o seu projeto.

Segunda-feira, no Podcast Upiara.net, Bruno Mello, presidente do PL, conformou esse desejo do governador.
A estratégia é clara: ampliar a base para tentar liquidar a disputa ainda no primeiro turno, evitando os riscos de uma segunda etapa, que costuma reconfigurar alianças e dar novo fôlego à oposição.
O histórico catarinense recomenda cautela. Desde a adoção do sistema de dois turnos, houve cinco disputas em segundo turno, com três viradas (1994, 2002 e 2018). Ou seja, liderar na largada não garante vitória.
No campo adversário, articula-se um bloco liderado por João Rodrigues (PSD), que pode reunir PSD, MDB e União Progressista. Em tese, essa composição resgata um potencial eleitoral relevante: em 2022, forças hoje dispersas somaram cerca de 57,7% dos votos no primeiro turno.
Naquele cenário, Jorginho — então alinhado a Jair Bolsonaro — obteve 38,6%. Seus principais adversários estavam fragmentados: Carlos Moisés (16,9%), Gean Loureiro (13,6%) e Esperidião Amin (9,7%). Já Décio Lima, apoiado pela esquerda, fez 17,4% e avançou ao segundo turno.
Hoje, o cenário é distinto. Jorginho deixou de ser oposição e passou a ocupar o governo, com a máquina administrativa e maior visibilidade, além de bons índices de aprovação.
Ainda assim, a eventual união das forças adversárias não implica transferência automática de votos. O comportamento do eleitor depende do contexto, das candidaturas e da dinâmica da campanha. O histórico recente, porém, segue como referência relevante para o cálculo político.
O desafio de unir os desunidos
João Rodrigues mira justamente o eleitorado que ficou fora do campo de Jorginho e da esquerda em 2022 — cerca de 40%. O problema é transformar esse potencial em unidade.
Na federação União Progressista, o segmento oriundo do União Brasil, liderado por Fábio Schiochet e Gean Loureiro, demonstra maior afinidade com esse projeto. Já no PP, prefeitos em diferentes regiões sinalizam apoio ao governador, contrariando o movimento de Esperidião Amin, que busca a reeleição ao Senado.
No MDB, o quadro também é dividido. O presidente Carlos Chiodinitrabalha pela composição — podendo inclusive ocupar a vaga de vice —, mas prefeitos e parlamentares se movimentam em direção ao governo. Há, inclusive, articulação para reunir o maior número possível de prefeitos emedebistas em torno de Jorginho.
Unificar esses interesses divergentes é o principal desafio de João Rodrigues até agosto, quando as convenções oficializam alianças e chapas.
Uma história de viradas no segundo turno
Desde a adoção do sistema de dois turnos, Santa Catarina registrou três viradas eleitorais no segundo turno — duas delas protagonizadas por candidatos do MDB. Apenas Luiz Henrique e Jorginho Mello chegaram em primeiro e venceram o segundo turno (2006 e 2022).
A primeira ocorreu em 1994. Paulo Afonso Vieira chegou ao segundo turno em desvantagem, com 34% dos votos, enquanto Angela Amin havia obtido 45,8%. Na etapa decisiva, no entanto, Paulo Afonso virou o resultado e venceu por 50,8% a 49,2% — uma diferença de pouco mais de 40 mil votos.
O segundo caso veio em 2002. Esperidião Amin liderou o primeiro turno com 39,8%, contra 30% de Luiz Henrique da Silveira. No segundo turno, o emedebista conseguiu a virada: 50,34% a 49,66%, numa diferença apertada de 20.724 votos.
Antes disso, em 1990, Vilson Kleinubing venceu ainda no primeiro turno, feito repetido por Amin em 1998. Em 2006, Luiz Henrique voltou a enfrentar Amin, mas dessa vez chegou à frente no segundo turno e confirmou a vitória, sem permitir reversão — abriu vantagem superior a 170 mil votos.
Já Raimundo Colombo venceu suas duas eleições, em 2010 e 2014, ambas no primeiro turno.
A terceira virada ocorreu em 2018. Gelson Merísio liderou o primeiro turno com 31,1%, seguido por Carlos Moisés, que fez 29,7%. No segundo turno, Moisés protagonizou a maior virada da história recente do estado: 71,1% contra 29,9%.
Mais recentemente, em 2022, Jorginho Mello liderou o primeiro turno com 38,6% e consolidou a vitória no segundo, com 70,7% frente a 29,3% de Décio Lima.






