Depois de dois mandatos como deputado estadual (1986 e 1990) e quatro como deputado federal (1994, 1998, 2002 e 2006), além de três passagens pelo secretariado estadual — na Educação com Paulo Afonso, na Casa Civil com Luiz Henrique e na Administração com Raimundo Colombo —, sempre pelo MDB, João Batista Matos, aos 78 anos, levava uma vida tranquila na aposentadoria, no litoral catarinense.

A pré-candidatura do filho, João Matos — o empresário Joãozinho — a deputado federal pelo MDB, no entanto, o trouxe de volta à estrada. Nesta semana, pai e filho percorreram juntos os municípios de Apiúna, Ibirama, José Boiteux, Vitor Meireles, Witmarsum, Dona Emma e Presidente Getúlio, no Alto Vale do Itajaí, região onde João Matos construiu sua trajetória política.
“Eu cresci vendo meu pai fazer política. Aprendi que política de verdade não vive de discurso vazio, mas de resultado, trabalho e compromisso com vidas transformadas”, afirma Joãozinho, que busca sua primeira eleição. “Há momentos em que a vida deixa de perguntar e começa a cobrar respostas. Já ensaiamos antes, já sentimos o peso da decisão. Agora não há mais espaço para dúvida: é agora ou não é mais”, completa.
Joãozinho tem no pai sua principal referência. “Aprendi cedo, dentro de casa, que política de verdade não nasce da briga, mas da conversa, da escuta e do respeito. Vi meu pai mostrar que é possível avançar sem dividir, construir sem atacar e servir sem vaidade. Esse exemplo moldou minha caminhada”, diz.
Para João Matos, a agenda recente simboliza mais do que uma articulação eleitoral. “Mais do que uma viagem política, foi o encontro entre passado e futuro. Volto agora acompanhado de novos passos, novos compromissos e da tentativa de transformar legado em continuidade”, resume.
A movimentação também reforçou a construção de uma dobradinha dentro do MDB entre Joãozinho e o deputado estadual Jerry Comper, que busca a reeleição.
A tradição do MDB no Alto Vale
O MDB mantém uma longa tradição de representação no Alto Vale do Itajaí. Desde a década de 1970, com a eleição de José Thomé para deputado federal e Lauro André da Silva para estadual, o partido consolidou presença na região.
Nos anos 1980, essa representação continuou com Ivo Vanderlinde, na Câmara Federal, e João Matos, na Assembleia Legislativa. Em 1994, com a eleição de João Matos para deputado federal, o MDB ficou momentaneamente sem representante na Alesc, situação revertida em 1998, quando ele se reelegeu e Peninha, ex-prefeito de Ituporanga, conquistou vaga no Legislativo estadual.
A dupla representou o Alto Vale até 2010, quando Peninha disputou a Câmara Federal e João Matos ficou fora da eleição. Na Alesc, foi eleito Aldo Schneider, ex-prefeito de Vitor Meireles, que se reelegeu em 2014 e faleceu durante o mandato, em 2018.
Naquele mesmo ano, seu então assessor, Jerry Comper, foi eleito deputado estadual, sendo reeleito em 2022 e novamente pré-candidato. Já Peninha deixou a política em 2018 e apoiou seu assessor, o jornalista Rafael Pezenti, eleito deputado federal e atualmente candidato à reeleição. Peninha, por sua vez, ensaia retorno, colocando-se à disposição como possível suplente de senador.






