16/04/2026

Santa Catarina já vive o futuro que o Brasil ainda não aprendeu a nomear. Por Paula Lunardelli Guimarães

Artigo de Paula Lunardelli Guimarães, cofundadora da DOM Senior Living

Existe uma transformação demográfica em curso no mundo que ainda não encontrou tradução direta no vocabulário brasileiro. No debate internacional, ela aparece como NOLT, sigla de New Older Living Trend (uma nova forma de viver a longevidade). Em Santa Catarina, no entanto, esse movimento já deixou de ser tendência para se tornar realidade concreta.

O estado registra a maior expectativa de vida do país, com média de 81,1 anos, segundo dados do IBGE de 2024, o que equivale a quase cinco anos acima da média nacional. Ao mesmo tempo, concentra cerca de 1,25 milhão de pessoas com 60 anos ou mais, o que equivale a 15,6% da população. Em pouco mais de uma década, esse contingente cresceu de 10,9% para o patamar atual, indicando não apenas um envelhecimento progressivo, mas também uma reconfiguração estrutural da pirâmide etária.

O conceito de NOLT surge justamente para dar conta dessa mudança qualitativa. Trata-se de uma geração que chega à maturidade com características inéditas: maior longevidade, autonomia financeira, repertório cultural e um posicionamento claro diante do envelhecimento. Diferentemente de gerações anteriores, não associa essa fase da vida à dependência nem à perda de protagonismo. Ao contrário, busca manter a autonomia, os vínculos sociais e o propósito.

Esse novo perfil evidencia um desalinhamento relevante no mercado brasileiro. Enquanto países como os Estados Unidos estruturaram um ecossistema robusto de senior living, com soluções habitacionais e serviços voltados a esse público, o Brasil ainda opera com uma oferta incipiente. A discrepância é expressiva: o mercado americano é cerca de 300 vezes maior que o brasileiro, não por diferença demográfica, mas pela maturidade da oferta.

Nesse cenário, Santa Catarina se destaca como um território estratégico para a consolidação desse novo modelo. O envelhecimento mais acelerado, aliado a indicadores socioeconômicos acima da média nacional, cria as condições para a emergência de soluções alinhadas a esse novo comportamento.

É nesse contexto que entra em operação, no Passeio Pedra Branca, em Palhoça, o LOMA Pedra Branca by DOM Senior Living, primeiro empreendimento do estado concebido integralmente sob a lógica do New Older Living Trend. A proposta rompe com o paradigma tradicional das instituições de longa permanência e se aproxima de um modelo de moradia voltado à autonomia: unidades privativas, serviços sob demanda, programação estruturada de longevidade e inserção em um ambiente urbano caminhável, com acesso facilitado ao comércio, à saúde e à convivência.

Mais do que uma solução habitacional, o modelo propõe uma mudança de lógica: antecipar decisões que, historicamente, eram tomadas apenas em contextos de dependência. Morar com estrutura, rede de apoio e estímulos adequados deixa de ser uma resposta emergencial e passa a ser uma escolha preventiva.

Evidências internacionais reforçam esse direcionamento: ambientes planejados para o envelhecimento ativo podem ampliar o período de autonomia funcional por até cinco anos. Em termos práticos, isso representa mais tempo com independência, mobilidade e capacidade de decidir sobre a própria vida.

Santa Catarina já alcançou patamares elevados de longevidade. O desafio que se impõe agora é estruturar cidades e soluções habitacionais compatíveis com esse novo ciclo. O NOLT, a nova forma de viver a longevidade, não se configura como uma tendência de nicho ou de alto padrão, e sim como uma resposta direta a uma transição demográfica irreversível.

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