Artigo de Isadora Piana (NOVO), bacharel em Direito pela Unoesc e pré-candidata a deputada estadual

Nos últimos anos, diversas cidades do interior catarinense perderam linhas de ônibus intermunicipais ou passaram a contar com apenas poucas viagens semanais. O fenômeno tem sido chamado por pesquisadores de “apagão do transporte público regional”, com impactos diretos no acesso a trabalho, estudo, saúde e serviços.
Estudos sobre mobilidade em Santa Catarina mostram que o transporte intermunicipal perdeu cerca de 70% dos passageiros entre 2000 e 2023, acompanhado por forte redução no número de viagens e linhas disponíveis.
Cidadãos de uma cidade média, como Chapecó (SC) no Oeste do estado, e muitas pequenas cidades presentes ao seu redor, enfrentam uma a baixa mobilidade entre os municípios, afetando deslocamentos diários e pontuais. A região registrou uma queda no volume de passageiros de 41% em duas décadas.
A demanda pelo transporte intermunicipal não deixou de existir, mas diante da diminuição da oferta, a população passou cada vez mais a depender de outros meios como caronas, fretados, transporte privado, vans etc.
Em soma o serviço essencial tem experienciado um forte declínio, movido pela falta de interesse de operadores em linhas menos atrativas financeiramente, culminando no encerramento de operações em cerca de 150 linhas no estado, entre 2010 e 2019. E assim se forma um círculo vicioso onde a queda na oferta gera a queda na demanda pelo serviço regular.
Em 2024, foi apontado pelo IBGE na publicação Perfil dos Municípios Brasileiros, que 22% dos municípios de Santa Catarina não contam com transporte por meio de ônibus intermunicipais, sofrendo um aumento de 5% desde a pesquisa realizada em 2020.
Essa tendência afeta principalmente o catarinense que está fora das regiões metropolitanas e de alta aglomeração. Este cidadão agora tem que arcar com um novo custo, o do carro próprio ou de outros serviços privados, isso quando não se volta para o transporte informal, como única solução para se deslocar.
Uma alternativa antes simples e acessível para a mobilidade regional, hoje o ônibus passou a ter um papel residual. Cidades como São Miguel do Oeste, assumiram com a queda da oferta, uma função de polos para a mobilidade, onde mesmo viagens curtas que antes eram oferecidas por linhas regulares agora necessitam ser “quebradas” em duas partes, ou seja, ao invés de uma viagem direta, o passageiro agora precisa sair de sua cidade em direção ao centro urbano e de lá pegar mais um ônibus para chegar em seu destino final.
Com um sistema com grandes lacunas de atendimento, o impacto do “apagão” é direto em diferentes esferas socioeconômicas. O transporte intermunicipal é essencial para a circulação de trabalhadores (11% destes no estado realiza esse tipo de deslocamento), acesso à polos de educação superior (8,5% dos estudantes estudam fora do município de origem), além da conexão entre cidades referências em tratamentos de saúde como São José, Itajaí e Chapecó. O declínio da oferta também impacta diretamente a população que depende de descontos e gratuidades como idosos, pessoas com deficiência (correspondendo a 16% e 7% da população do estado) e pessoas de baixa renda.
Apesar do desaparecimento de linhas que atendiam as regiões mais dependentes do estado, a entrada de novas transportadoras, assim como a concessão para autorizações de operação entre cidades não é uma prioridade do Governo Estadual. Desde 2018, com a discussão sobre o transporte intermunicipal de passageiros ressurgindo em Santa Catarina com uma ação do Ministério Público, não houve avanços significativos para a implementação de licitações para rotas desatendidas ou com poucos operadores.
Neste cenário, os operadores atuais acabam escolhendo: quais cidades terão, ou não, atendimento; qual a frequência; e qual o valor que o passageiro vai pagar. Escolhas que nas últimas décadas impactaram a presença do ônibus no estado, e todo o desenvolvimento regional e social que ele proporciona.
Dados complementares V2:
Potencial Turístico SC:
- +1 milhão de viagens domésticas em 2023
- R$ 2,1 bilhões movimentados
- 561.954 turistas internacionais (jan–jul 2025, +71% vs. 2024)
Evolução posse de veículos:
- Automóveis: frota quase triplicou em 20 anos (de 1.579.936 veículos ativos para 4.442.370 em 2025)
- Motocicletas: frota quase triplicou em 20 anos (de 488.524 veículos ativos para 1.358.734 em 2025)





