Artigo de Paulo Bornhausen, Secretário de Articulação Internacional de Santa Catarina

Este 1º de maio de 2026 ficará marcado como um divisor de águas. O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia entra em vigor de forma provisória e Santa Catarina está bem posicionada para aproveitar as oportunidades que essa nova era traz.
Não é retórica. É o resultado de um processo que acompanho há mais de três décadas. Nos anos 1990, como deputado federal presidindo a Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul, participei dos primeiros debates com o Parlamento Europeu e estive presente na assinatura do Acordo-Quadro em Madrid, em 1995. Foram 25 anos de negociações. O sonho virou entrega.
O que está em jogo
A ApexBrasil identificou 543 oportunidades de exportação com desgravação imediata, em um mercado que importa em média US$43,9 bilhões por ano. Nossa participação atual é de apenas 2,6%, o que significa que o espaço para crescer é imenso. Máquinas, equipamentos, produtos químicos, calçados, aviões e motores figuram entre os setores em que o Brasil é competitivo e que ganham acesso preferencial a um bloco de 720 milhões de consumidores. Segundo a CNI, para cada R$1 bilhão exportado para a UE, são gerados 21,8 mil empregos e R$441,7 milhões em massa salarial. Não são apenas estatísticas: são famílias catarinenses.
Santa Catarina chega preparada
Nosso perfil exportador é sólido, nossa infraestrutura logística é competitiva e nosso padrão sanitário, industrial, tecnológico e de sustentabilidade é reconhecido por empresas como BMW, Thyssenkrupp e Engie. Portos, rodovias e nossa posição geográfica nos colocam como plataforma natural de escoamento para a Europa. E temos algo que não se improvisa: a cultura catarinense de fazer acontecer.
Na agroindústria, o acordo traz avanços tarifários, mas as cotas para carne de aves, suína e bovina têm limites de volume já próximos do que exportamos hoje. O ganho real está na previsibilidade e na agregação de valor: produtos processados, com certificação e rastreabilidade, no padrão que o consumidor europeu exige e paga mais para ter. Já máquinas, equipamentos e calçados têm espaço concreto de crescimento, com tarifas zeradas imediatamente. As micro, pequenas e médias empresas são o pilar central dessa estratégia: é nelas que mora o maior potencial inexplorado de internacionalização.
O setor produtivo no centro
Acordos só geram riqueza quando chegam à ponta. É por isso que o governador Jorginho Mello e nossa Secretaria têm trabalhado para que governo e setor produtivo atuem em cooperação real. A desgravação imediata de tarifas que hoje chegam a 7% cria uma janela que não pode ser desperdiçada. Empresas que se moverem primeiro vão ocupar espaço no mercado europeu. As que esperarem, vão encontrar outros já instalados.
Hoje celebramos o começo do trabalho real. Santa Catarina estará na linha de frente, transformando acordos em comércio, comércio em emprego e emprego em dignidade para nossa gente. Está nas nossas mãos fazer acontecer. Sempre esteve.





