06/05/2026

Se isso acontecer na convocação, pode entrar para história como uma das maiores injustiças da Seleção

Tem jogador que veste a camisa da Seleção como obrigação. E tem jogador que parece entrar em campo carregando um sonho de infância nas costas. Endrick é desse segundo grupo. Talvez seja por isso que incomode tanto os pseudo-craques.

Foto: CBF

A discussão sobre Neymar ir ou não para Copa, sinceramente, para mim perdeu força faz tempo. O futebol segue. A Seleção segue. O que realmente chama atenção hoje é outra possibilidade: Carlo Ancelotti cometer a insanidade de deixar Endrick fora da lista final do Mundial.

E aí não estamos falando de simpatia com grupo, marketing ou comportamento fora de campo. Estamos falando de bola. Futebol. Daquilo que deveria importar mais.

Porque é difícil olhar para a atual geração brasileira e encontrar alguém com a personalidade que Endrick demonstra ter. O garoto não se esconde. Não foge da responsabilidade. Não entra em campo preocupado em parecer bonito na câmera ou em viralizar nas redes sociais. Ele quer decidir jogo. Quer competir. Quer fazer história com a camisa do Brasil.

E isso tem sido raro na última década.

O momento dele na França escancara isso. Enquanto muitos jogadores brasileiros vivem de nome, Endrick entrega intensidade, personalidade e fome de gol. Características que, ironicamente, já foram a marca registrada da Seleção Brasileira. O atacante entra sem medo do jogo. Pode errar? Claro. Todo protagonista erra. Mas ele tenta de novo. Assume. Chama a responsabilidade. Coisa que falta em boa parte desse elenco acomodado emocionalmente.

E vou ser sincero: entre um Raphinha preocupado mais com creme corporal, perfumes, pose e estética, eu fico mil vezes com Endrick. Porque futebol de Seleção nunca foi concurso de imagem. Sempre foi sobre personalidade, pressão e capacidade de decidir quando o país inteiro está na torcida.

Aliás, o Brasil campeão do mundo sempre teve jogadores “difíceis”. Romário era fácil de lidar? Rivaldo era? Neymar nunca foi simples. E daí? Resolveram dentro de campo. Ganharam jogo. Colocaram medo nos adversários.

O problema é que hoje parece existir uma obsessão moderna por atletas “comportados”, politicamente perfeitos e midiaticamente treinados. Só que Copa do Mundo não se ganha com discurso pronto ou amizades de vestiário. Se ganha com jogador que suporta pressão e não se esconde dela.

Endrick tem isso.

Talvez por ser jovem demais. Talvez por ter personalidade forte. Talvez porque alguns técnicos simplesmente não saibam lidar com jogador diferente. Mas a sensação é clara: a Seleção vai empurrando o garoto para escanteio enquanto falta exatamente o que ele oferece, coragem.

E seria uma injustiça enorme deixá-lo fora da Copa. Não apenas pelo presente, principalmente pelo futuro que representa ao Brasil. A minha lista para o Mundial começa por ele.

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