29/04/2026

Bilhões em caixa, gestão em crise: o futebol rico que ainda não se sustenta

As Sociedades Anônimas do Futebol chegaram ao Brasil com a promessa de profissionalizar a gestão e reorganizar finanças negativadas há anos. Mas o problema não está na SAF e sim na forma como o futebol brasileiro insiste em operá-la. Casos como Cruzeiro, Botafogo e Atlético-MG evidenciam um padrão recorrente: a busca por resultados imediatos sem calcular o ônus. Receitas crescem, mas despesas avançam em ritmo superior. A dívida permanece. Fica evidente que o gargalo nunca foi falta de dinheiro, mas sim ausência de disciplina no futebol nacional. Investir na base, ajustar passivos e garantir previsibilidade financeira ainda não mobiliza arquibancada. A transformação necessária é menos jurídica e mais cultural.

Foto: Vítor Silva/Botafogo

Primo Rico
A CBF projeta um crescimento de 28,6% em receita para 2026, com orçamento estimado em R$ 1,6 bilhão, avanço relevante em relação aos quase R$ 1,2 bilhão de 2025. O salto se explica, em grande parte, pela entrada de novos patrocinadores como Sadia, Azul, Volkswagen, Uber, Amazon e Gemini, além do acordo firmado anteriormente com o iFood. Do ponto de vista comercial, o desempenho é sólido da entidade. O contraste permanece no campo: fora dele, a gestão avança; dentro, os resultados seguem aquém do potencial, tanto na Seleção quanto nas melhorias de campeonatos.

Impacto Tributário
A Reforma Tributária aprovada recentemente altera de forma significativa o cenário dos clubes associativos. A partir de 2027, receitas como patrocínio, direitos de transmissão e bilheteria passarão a ser tributadas por IBS e CBS, dentro da lógica do IVA. A alíquota ainda será definida, mas a projeção gira em torno de 11%. Hoje, essas receitas são isentas, o que torna a mudança estrutural. Em contrapartida, permanece a carga de 20% sobre a folha de pagamento, que já consome cerca de metade das receitas. O novo modelo pressiona margens e pode acelerar discussões sobre governança e transformação institucional.

Crônica Catarinense
O presidente da Acesc, Polidoro Júnior, foi recebido pelo presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, deputado estadual Júlio Garcia. Na reunião, realizada no gabinete da presidência da Alesc, foram encaminhados assuntos de interesse dos cronistas esportivos do estado. Também esteve em pauta a programação dos 70 anos da Associação, fundada em 26 de julho de 1956. Para quem não sabe, o presidente Júlio Garcia tem ligação com o esporte: na juventude, foi goleiro de futebol de salão do time do BESC e é um incentivador da crônica esportiva catarinense.

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