Com uma apresentação detalhadas e comandada pelo próprio diretor do instituto José Luiz Orrico, o Futura apresentou um retrato interessante e fidedigno da disputa eleitoral catarinense pelo governo do Estado e pelas duas vagas ao Senado. Como disse o próprio Orrico, é um cenário claro de vitória em primeiro turno do governador Jorginho Mello (PL) não apenas porque lidera com 57,9% das intenções de voto – 32,2 pontos mais do que a soma de João Rodrigues (PSD), Gelson Merisio (PSB), Marcelo Brigadeiro (Missão), Laís Chaud (Unidade Popular) e Ralf Zimmer (PRD).
Ou seja, esse é o tamanho do desafio de João Rodrigues e Gelson Merisio, os dois oponentes do governador que terão alianças e estrutura para o combate, caso queiram forçar um segundo turno na eleição pelo governo do Estado. Crescer 32,2 pontos percentuais contra um adversário que ostenta 77,7% de aprovação de acordo com a mesma pesquisa Futura.
Uma avaliação óbvia é de que Jorginho apresenta potencial para crescer ainda mais, justamente por causa dessa aprovação. Além disso, o Futura mostra que o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) continua incólume entre o eleitorado catarinense, alcançando 52% das intenções de voto, contra 23,3% de Lula (PT). A expectativa por Ronaldo Caiado (PSD), por enquanto, segue mera expectativa: o presidenciável pessedista alcançou apenas 2,6%, numericamente atrás de Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).
Nem tudo, no entanto, é terra arrasada pela a oposição. O detalhamento realizado por José Luiz Orrico permitiu ler algumas potencialidades que João Rodrigues e Merisio podem explorar para construir um segundo turno no Estado.

João Rodrigues lidera no Oeste, mas só 22% sabem que é pré-candidato
No caso de João Rodrigues, ele pode comemorar os 20,8% das intenções de voto. É o mesmo patamar que ele tem garantido desde as pesquisas do ano passado, mostrando uma largada consolidada garantida pela liderança nas intenções de voto na região Oeste: 49,8% contra 40,5% de Jorginho. Esse é o esteio do ex-prefeito de Chapecó.
O pessedista precisa crescer nas outras regiões do Estado e se apresentar ao catarinense. Apenas 22,7% dos eleitores pesquisados sabiam que ele é pré-candidato ao governo. Até mesmo no Oeste, o indíce de desconhecimento de que João Rodrigues está no páreo alcança quase 50% dos eleitores.
Ou seja, ele tem margem para crescer em casa e terá visibilidade suficiente com a aliança PSD/MDB/PP/União Brasil para se apresentar ao catarinense. Não pode errar o que está em suas mãos e é seu ofício: a comunicação.
Gelson Merisio ainda não foi identificado pelo eleitor lulista
No caso de Gelson Merisio a margem para o crescimento é mais óbvia: buscar para si os 23% dos catarinenses que votam em Lula, de acordo com a pesquisa Futura. Hoje, tem apenas 3%. O primeiro passo para essa busca foi dado ao ter o apoio de praticamente todos os partidos de esquerda em sua composição, a começar pelo PT de Décio Lima, pré-candidato ao Senado. Apenas Laís Chaud, do ultraradical Unidade Popular, disputa os votos da esquerda com ele.
Não que seja algo automático essa relação. Em 2022, por exemplo, Décio Lima a vaga no inédito segundo turno com cerca de 17% dos votos, mas Lula teve quase 30% naquele primeiro turno no Estado. O eleitor tem suas próprias lógicas e sempre precisa ser convencido.
De qualquer forma, é natural que Merisio cresça conforme a campanha eleitoral (e até mesmo a pré-campanha) vincule seu nome ao de Lula. Superar o patamar de Décio em 2022 é a missão – nem de todo impossível, se considerarmos que naquela disputa havia nomes como Jorge Boeira (no PDT), Gean Loureiro (União Brasil) e até o então governador Carlos Moisés (Republicanos) beliscando uns votos lulistas por aqui.
Futura foi responsável pelo 100% Cidades em 2024
Para recorrer ao clichê, a pesquisa é um retrato do momento. É, também, um mapa do caminho para todos os pré-candidatos. É bom ressaltar que o Futura por o instituto responsável pelo projeto 100% Cidades que em 2024 realizou pesquisas em 100 cidades brasileiras, incluindo as catarinenses Joinville, Blumenau, Florianópolis e São José.
Teve bons resultados por aqui. Apontou desde sempre a ampla vantagem de Adriano Silva (Novo) e Topazio Neto (PSD à época) e foi o primeiro instituto a mostrar a chance de vitória em primeiro turno de Egidio Ferrari (PL) em Blumenau e a virada de Orvino Coelho de Ávila (PSD) sobre Adeliana Dal Pont (PL) em São José.
O instituto é ligado ao banco de investimentos Apex. Na época, entrevistei José Luiz Orrico sobre o projeto 100% Cidades.





