08/06/2026

Coluna do Upiara: Ato em Lages mostra Caiado e João Rodrigues alinhados e de olho nas pesquisas

Ato em Lages mostra Caiado e João Rodrigues alinhados e de olho nas pesquisas

Ronaldo Caiado chegou ao evento em Lages durante o discurso de João Rodrigues. Foto: Divulgação.
Ronaldo Caiado chegou ao evento em Lages durante o discurso de João Rodrigues. Foto: Divulgação.

O belo Teatro Marajoara, de Lages, ficou pequeno para o animado evento que o PSD estadual realizou no sábado com três objetivos claros: receber o presidenciável Ronaldo Caiado, reforçar em público a imagem do MDB, do PP e do União Brasil em torno da pré-candidatura de João Rodrigues ao governo do Estado e mostrar que o ex-governador Raimundo Colombo está realmente de volta ao jogo com sua pré-candidatura a deputado federal.

O evento contou até com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab e mostrou uma convergência de discurso e de expectavas no time pessedista em relação às disputas pelo Palácio do Planalto e pela Casa d’Agronômica.

Caiado e João Rodrigues não são favoritos e nem outsiders. Têm trajetória e experiência demais para se apresentarem como ruptura do sistema, seja o que isso signifique. Em termos nacionais, o presidenciável pessedista tenta aproveitar o momento de desgaste de Flávio Bolsonaro (PSD) pelas relações com Daniel Vorcaro, do Banco Master, e pelos efeitos controversos da visita a Donald Trump às vésperas de um novo tarifaço, para aparecer como alternativa segura e confiável para enfrentar o presidente Lula (PT) em um segundo turno.

Caiado e a “autoridade moral”

Era evidente a animação de Caiado, Kassab e João Rodrigues com as pesquisas do final de semana que apontavam o pessedista empatado com Lula e o petista à frente do filho de Jair Bolsonaro. Sem citar Flávio, Caiado usou para designar a si mesmo, mais de uma vez, o termo “autoridade moral”. Lembrou que a primeira vez que esteve em Lages foi em 1987, na construção da União Democrática Ruralista e nos enfrentamentos da Constituinte pela garantia do direito de propriedade. “Naquela época o agro não era pop e nem tech”, brincou.

Usou o termo “autoridade moral” para criticar Lula nas negociações com Trump. Repete o bordão de que sob as gestões petistas só quem avançou foram as organizações criminosas PCC e CV. Embrulha no mesmo pacote os temas do momento com um discurso de que colocará ordem na bagunça. Kassab mostrou expectativa de que a pesquisa Quaest desta semana dê fôlego a Caiado como o melhor anti-Lula. Raimundo Colombo traduziu a expectativa pessedista sobre o comportamento do eleitorado com uma daquelas frases que compõem o estilo do ex-governador: “o povo já mudou de opinião, ainda não mudou de posição”.

O evento no Marajoara, bom dizer, mostrou que Colombo ainda tem capacidade de mobilização – que se somou à capacidade de mobilização de outro nome da politica lageana, o ex-deputado estadual e ex-prefeito Elizeu Mattos (MDB). Eles garantiram o público. No palco, Carlos Chiodini (MDB) muito à vontade no papel de condutor do MDB para a aliança com o PSD, foi o destaque, mas os emedebistas também trouxeram o deputado estadual Volnei Weber também estava presente.

O União Brasil levou o ex-governador Carlos Moisés e o ex-prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro. Ambos foram candidatos ao governo em 2022, terceiro e quarto colocados. O quinto foi Esperidião Amin (PP), pré-candidato ao Senado, ausente na Serra. Eleitor declarado de Flávio Bolsonaro, preferiu não se expor. O PP estava lá com o logotipo no palco e o presidente municipal Juliano Polese.

João Rodrigues diz que “Caiado é o caminho”

O discurso e as entrevistas de João Rodrigues trouxeram o alinhamento com o PSD nacional e pré-candidatura de Caiado. Não houve meias-palavras sobre isso: “Caiado é o caminho”, disse o ex-prefeito de Chapecó, dizendo que que outros presidenciáveis de direita que fizeram parte da coligação são bem-vindo em seu palanque se quiserem vir. Garante que vai tratar dos temas de Santa Catarina e acusa o governador Jorginho Mello (PL) de ter rompido institucionalmente com o governo Lula (PT) para “agradar uma bolha” e que o Estado sofre prejuízos com isso. Prometeu cobrar quem estiver na presidência se for eleito governador.

Mais uma vez fez críticas a comunicação institucional do governo estadual. Ainda não avançou em propostas, mas disse que vai adaptar o que foi feito nas gestões de Ratinho Junior (PSD) no Paraná e do próprio Caiado em Goiás às necessidade do Estado. E, claro, os exemplos das gestões em Chapecó.

Será suficiente para uma disputa em que o governador Jorginho Mello é amplamente favorito às reeleição?

Diferentemente de Caiado, não basta a João Rodrigues conseguir a vaga no segundo turno. Ele precisa, com sua votação, a de Gelson Merisio (PSB), Ralf Zimmer (PRD) e Marcelo Brigadeiro (Missão), garantir que exista esse segundo turno.

Diferenças, semelhanças

Em 2014, Colombo viu Paulo Bauer (PSDB), seu principal adversário, fazer 30% dos votos. E foi reeleito em primeiro turno com 51,3%. Em 2002, Amin era mais favorito do que hoje Jorginho é. E viu o jogo virar com porque os 30% de Luiz Henrique da Silveira (PMDB) se somaram aos 27% que José Fritsch (PT) alcançou com a Onda Lula, garantindo o segundo turno que seria disputado voto a voto, com vitória do emedebista.

Amin e Colombo, chegaram à eleição perdendo aliados e com candidaturas presidenciais que não potencializaram seus palanques. Um perdeu, o outro colocou-se em risco.

A diferença de Jorginho, até agora, se chama (Flávio) Bolsonaro.

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