Junho começa a mostrar sua face mais característica no Sul do Brasil. Depois de uma semana sem extremos, a atmosfera entra em uma fase mais dinâmica nesta semana com a formação de dois ciclones extratropicais no Oceano Atlântico, a passagem de frentes frias e a chegada de novas massas de ar frio.

Em Santa Catarina, a combinação desses sistemas deve resultar em vários dias com chuva, muitas nuvens e temperaturas mais baixas. O cenário chama atenção não apenas pelo que acontece nesta semana, mas também pelos sinais de que a segunda quinzena de junho poderá ser marcada por episódios mais expressivos de frio.
O que é um ciclone extratropical?
Sempre que a palavra ciclone aparece nos noticiários, é comum surgir preocupação. No entanto, nem todo ciclone representa um evento extremo.
Um ciclone extratropical é uma área de baixa pressão atmosférica que se forma fora das regiões tropicais. Esses sistemas são comuns nas latitudes médias e fazem parte da dinâmica natural da atmosfera no Sul do Brasil, especialmente durante o outono e o inverno.
Na prática, eles funcionam como grandes organizadores do tempo. Ao seu redor, concentram nuvens, áreas de chuva, ventos e mudanças de temperatura. Também costumam estar associados à formação e ao deslocamento de frentes frias.

Os dois ciclones previstos para esta semana devem permanecer sobre o oceano. Ainda assim, exercem influência direta sobre o tempo em Santa Catarina ao favorecer períodos de instabilidade e aumentar o transporte de umidade para a região.
Por que esta semana terá tanta chuva?
O primeiro sistema começa a atuar já nesta segunda-feira (8), quando uma área de baixa pressão avança pelo Sul do Brasil e dá origem a um ciclone na costa do Rio Grande do Sul. A consequência é o aumento da instabilidade atmosférica. A chuva ocorre de forma irregular ao longo do estado, alternando momentos de melhoria com pancadas mais intensas.
As áreas com mais risco de temporais isolados são o Oeste, Meio-Oeste, Serra e Vale do Itajaí. Nessas regiões, não está descartada a ocorrência localizada de granizo e rajadas de vento, embora o risco para eventos severos seja considerado baixo a moderado.
Na terça-feira (9), a frente fria associada ao ciclone avança por Santa Catarina mantendo o céu encoberto e condições para chuva em praticamente todas as regiões. Os acumulados não devem ser excessivos na maioria dos municípios, mas a persistência da instabilidade pode gerar volumes mais elevados de forma pontual.
Uma pausa rápida antes da segunda rodada de instabilidade
Entre quarta-feira (10) e parte da quinta-feira (11), o tempo apresenta uma melhora relativa. O sol volta a aparecer em alguns períodos, mas ainda dividido espaço com muitas nuvens.
As temperaturas diminuem em relação aos dias anteriores, principalmente nas áreas mais elevadas do estado. Em municípios da Serra, as mínimas podem ficar abaixo dos 5°C durante as madrugadas. A sensação será típica de inverno, embora a ainda tenhamos chance de chuva nas áreas mais próximas ao Paraná.
O segundo ciclone pode ser mais abrangente
A trégua deve durar pouco. Os modelos meteorológicos indicam a formação de uma nova área de baixa pressão entre quinta -feira (11) e sexta-feira (12). Esse sistema dará origem ao segundo ciclone extratropical da semana no Atlântico Sul.
Diferentemente do primeiro episódio, a instabilidade associada ao segundo sistema tende a alcançar uma área maior do Sul do Brasil. Em Santa Catarina, há expectativa de chuva em todas as regiões e possibilidade de temporais isolados.

Embora ainda seja cedo para definir volumes exatos, alguns modelos apontam acumulados expressivos para junho nas regiões Oeste, Serra e Planalto Norte. O monitoramento seguirá sendo importante nos próximos dias porque pequenas alterações na trajetória do sistema podem modificar os locais mais impactados.
O que muda depois da chuva?
A resposta está justamente na presença dos ciclones. Quando esses sistemas avançam para o oceano e se afastam do continente, costumam abrir caminho para a entrada de massas de ar mais frio vindas do sul da América do Sul. É exatamente esse comportamento que os modelos atmosféricos começam a indicar para a segunda metade de junho.
Após a passagem do segundo ciclone, uma massa de ar frio e seco deve avançar sobre a Região Sul entre os dias 13 e 15. O tempo tende a ficar mais firme e as temperaturas voltam a cair. Uma nova frente fria ainda deve passar pelo estado por volta do dia 16, mas sem sinais de chuva volumosa ou prolongada.
Frio pode ganhar força na reta final do mês
O destaque da tendência de médio prazo está entre os dias 19 e 22 de junho. As projeções mais recentes indicam o avanço de uma massa de ar polar mais intensa sobre o Sul do Brasil. Se o cenário atual for mantido, cidades do Meio-Oeste, Serra e Planalto Norte poderão registrar temperaturas próximas de 0°C ou negativas nas madrugadas.

O risco de geada aumenta de forma significativa em grande parte do interior catarinense. Em áreas tradicionalmente frias, o fenômeno poderá ocorrer de forma ampla e consecutiva por vários dias. Ainda faltam quase duas semanas para esse período, o que exige cautela nas projeções. Mesmo assim, os modelos vêm demonstrando uma tendência consistente de fortalecimento do frio na segunda quinzena do mês.
O que merece atenção nos próximos dias?
O principal destaque desta semana será a sequência de sistemas meteorológicos atuando sobre o Sul do Brasil. A chuva deve aparecer em diferentes momentos, especialmente entre segunda e sexta-feira, enquanto as temperaturas começam a entrar em trajetória de queda.
Não há indicativos de eventos extremos generalizados, mas temporais isolados com vento e granizo podem ocorrer de forma localizada. Na sequência, o foco passa a ser o avanço do ar polar e a possibilidade de um período mais prolongado de frio na reta final de junho.







