01/06/2026

Junho abre o inverno sob os primeiros sinais do El Niño em SC

O mês de junho marca o início do inverno meteorológico e, neste ano, chega acompanhado por um fenômeno que costuma chamar a atenção dos meteorologistas: o retorno do El Niño.

Aquecimento do Oceano Pacífico começa a influenciar a atmosfera e pode alterar o comportamento do frio e da chuva nos próximos meses
Aquecimento do Oceano Pacífico começa a influenciar a atmosfera e pode alterar o comportamento do frio e da chuva nos próximos meses

Os dados mais recentes mostram um aquecimento consistente das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Embora a atmosfera ainda esteja em processo de resposta a esse aquecimento, os principais centros de monitoramento climático já indicam uma evolução para condições de El Niño ao longo das próximas semanas.

Em Santa Catarina, os impactos mais significativos ainda devem aparecer durante a primavera. Mesmo assim, junho já representa o começo de uma mudança importante no comportamento da atmosfera.

O Pacífico está aquecendo

O El Niño faz parte de um fenômeno climático conhecido como Oscilação Sul-El Niño (ENOS), caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial.

Quando esse aquecimento se estabelece, ocorre uma reorganização da circulação atmosférica em diferentes partes do planeta. No Sul do Brasil, uma das consequências mais conhecidas costuma ser o aumento da frequência e da intensidade das chuvas, especialmente durante a primavera e o verão.

Atualmente, as águas do Pacífico já apresentam anomalias positivas superiores a 0,5°C em áreas utilizadas para o monitoramento do fenômeno. Em alguns setores do oceano, os desvios ultrapassam 1°C, indicando que o aquecimento segue em expansão.

Por isso, meteorologistas acompanham com atenção a evolução do fenômeno, que poderá influenciar o clima catarinense ao longo dos próximos meses.

Junho terá chuva próxima da média, mas mal distribuída

Apesar do avanço do aquecimento no Pacífico, não há indicativos de um mês excessivamente chuvoso em Santa Catarina. A previsão climática aponta precipitação próxima da média histórica de junho, porém com distribuição irregular. Isso significa que o estado deverá alternar períodos de vários dias consecutivos de tempo firme com episódios de chuva associados à passagem de frentes frias e áreas de baixa pressão.

 A previsão climática aponta precipitação próxima da média histórica de junho, porém com distribuição irregular
A previsão climática aponta precipitação próxima da média histórica de junho, porém com distribuição irregular

A atuação frequente de massas de ar seco sobre o Sul do Brasil deve limitar a ocorrência de precipitações mais abrangentes durante boa parte do mês. Esse padrão é diferente daquele normalmente observado quando o El Niño já está plenamente estabelecido, situação em que os episódios de chuva tendem a se tornar mais frequentes e persistentes.

Frio continua no radar

O avanço do El Niño não significa ausência de frio. Junho segue sendo um dos meses mais frios do ano em Santa Catarina e a chegada de massas de ar polar continuará favorecendo temperaturas baixas, especialmente durante as madrugadas.

A previsão indica ocorrência de geadas em diferentes momentos do mês, principalmente nas áreas mais elevadas da Serra, Planalto Norte e Meio-Oeste. A diferença em relação ao inverno passado está na duração desses episódios. Em anos de El Niño, é comum que as incursões de ar frio sejam intercaladas por períodos mais amenos, reduzindo a persistência do frio intenso.

A previsão indica ocorrência de geadas em diferentes momentos do mês, principalmente nas áreas mais elevadas da Serra, Planalto Norte e Meio-Oeste
A previsão indica ocorrência de geadas em diferentes momentos do mês, principalmente nas áreas mais elevadas da Serra, Planalto Norte e Meio-Oeste

Isso ocorre porque o fenômeno tende a favorecer uma atmosfera mais dinâmica sobre o Sul da América do Sul, com maior sucessão de sistemas meteorológicos.

A amplitude térmica deve chamar atenção

Outra característica prevista para junho é a grande diferença entre as temperaturas registradas ao amanhecer e durante a tarde.

As massas de ar seco favorecem noites frias e perda rápida de calor próximo à superfície.
Já a presença do sol durante o dia permite aquecimento mais eficiente da atmosfera. O resultado são manhãs frias e tardes agradáveis em diversas regiões catarinenses.

Em algumas situações, essa diferença poderá ultrapassar 15°C entre a mínima e a máxima do mesmo dia, um comportamento bastante comum durante o inverno catarinense.

O inverno começa agora, mas a primavera já está sendo desenhada

Do ponto de vista climático, junho será um mês de transição. O estado ainda sentirá os efeitos típicos do inverno, com frio, geadas e períodos prolongados de tempo seco. Ao mesmo tempo, o aquecimento do Pacífico começa a modificar gradualmente a circulação atmosférica que influenciará o Sul do Brasil nos próximos meses.

Por enquanto, o principal sinal não é o aumento da chuva nem a redução do frio, mas a mudança de cenário que está em curso.

O inverno começa em junho. Mas os movimentos observados hoje no Oceano Pacífico já ajudam a desenhar o clima que Santa Catarina deverá enfrentar na primavera.

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