22/05/2026

A voz de Gal Costa reencontra o violão do catarinense Luiz Meira em álbum histórico

“Foram 19 anos andando pelo mundo com a Gal Costa.” É assim que o violonista catarinense Luiz Meira resume a parceria construída com uma das maiores vozes da música brasileira. Uma relação de música, amizade e cumplicidade que agora ganha um novo capítulo com o lançamento do álbum póstumo “Gal Costa – Ao vivo no Teatro Castro Alves”, disponibilizado nesta quinta-feira (22) nas plataformas digitais.

Gal Costa e Luiz Meira: uma parceria de 19 anos revisitada em álbum ao vivo

Gravado em Salvador, cidade natal da cantora, em 22 de maio de 2003, o disco resgata um dos shows de voz e violão apresentados por Gal ao lado de Luiz Meira dentro do projeto “Vozes do Brasil”. O álbum reúne 24 músicas e eterniza uma fase intimista da artista, sustentada pela força da interpretação e pela delicadeza do violão do músico catarinense.

“É um registro histórico da mais alta importância para a música brasileira, ainda mais sendo um álbum póstumo. Estou muito honrado e muito orgulhoso de fazer parte desse projeto”, afirma Luiz Meira.

A parceria entre os dois começou em 1997, quando Gal procurava um violonista para acompanhá-la em apresentações no Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. O primeiro encontro aconteceu poucos dias antes da estreia dos shows.

“Conheci a Gal numa segunda-feira e fui para a casa dela ensaiar. Já no primeiro ensaio rolou uma cumplicidade maravilhosa”, relembra.

O que começou em três apresentações se transformou em uma relação profissional que atravessou quase duas décadas. Entre idas e vindas, Luiz Meira acompanhou Gal Costa até 2016, participando de shows no Brasil e no exterior, em uma convivência que ultrapassou os palcos.

“Minha carreira está muito atrelada a esses 19 anos com a Gal Costa. A presença dela na minha vida delineou muito da minha trajetória profissional e abriu muitas portas para mim”, conta.

Mais do que uma parceria artística, Luiz guarda lembranças da amizade construída ao longo dos anos. Segundo ele, a relação próxima entre os dois permaneceu até os últimos dias de vida da cantora, que morreu em novembro de 2022.

“A gente nunca perdeu contato. Pelo contrário. Dez dias antes de ela falecer eu ainda conversei com ela no telefone. Sempre tivemos uma relação muito próxima, de muito carinho e amizade.”

No palco, o encontro entre a voz de Gal e o violão de Luiz Meira ajudava a construir apresentações marcadas justamente pela simplicidade. Sem grandes arranjos ou excessos, os shows apostavam na força das canções e da interpretação.

“Gal Costa era uma pessoa muito tranquila. E nós tínhamos uma profunda cumplicidade musical.”

O álbum traz músicas que marcaram os roteiros desses shows ao longo dos anos, como “Azul”, de Djavan, “Força Estranha”, de Caetano Veloso, “Eu Vim da Bahia”, de Gilberto Gil, além de clássicos como “Folhetim”, “Aquarela do Brasil” e “Você Não Entende Nada”.

Antes do lançamento completo, três faixas já haviam sido disponibilizadas nas plataformas digitais como antecipação do projeto. O disco foi produzido por Marco Mazzola e lançado em parceria pelas gravadoras Biscoito Fino e MZA Music.

Para Luiz Meira, o álbum também representa a preservação de um momento importante da música brasileira em um formato raro na trajetória de Gal.

“É um disco muito característico, muito particular, porque é só voz e violão.”

Hoje, mais de 20 anos depois daquela apresentação em Salvador, o registro ganha um novo significado. Não apenas como documento musical, mas como memória afetiva de uma artista gigante nos palcos e humana nos bastidores.

Gal Costa já não está mais aqui. Mas a voz continua viva. E um catarinense faz parte dessa memória.

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