20/05/2026

Desafio de Chiodini: levar o MDB para o mesmo lado

As agendas do presidente estadual do MDB, Carlos Chiodini, ao lado do pré-candidato ao Governo do Estado pelo PSD, João Rodrigues, e do senador Esperidião Amin (PP), que busca espaço para disputar a reeleição ao Senado, ajudam a consolidar um ambiente cada vez mais favorável a uma futura aliança entre os partidos.

Chiodini, João Rodrigues e Amin em pré-campanha pelo Estado. Foto: Divulgação PSD

Para isso, porém, Chiodini terá antes de pacificar um MDB dividido entre dois projetos distintos: integrar a oposição como vice de João Rodrigues ou permanecer na órbita do governador Jorginho Mello (PL), ainda que sem espaço garantido na chapa majoritária.

Por onde passam pelo interior catarinense, Chiodini já é apresentado em eventos e entrevistas como futuro candidato a vice de João Rodrigues. O roteiro político está montado com certa naturalidade.

Depois de estarem no Planalto Norte na semana passada, esta semana eles visitam os municípios de Presidente Getúlio, Ituporanga, Rio do Sul e Taió, no Alto Vale do Itajaí.

Nas internas do partido, o cenário está longe de ser consenso. Deputados como Valdir Cobalchini, Fernando Krelling e Jerry Comper, além de um grupo expressivo de prefeitos e vice-prefeitos, não escondem a preferência pela manutenção da aliança com Jorginho Mello.

A tendência é que o impasse, como tantas vezes ocorreu na história emedebista, desemboque na convenção estadual, prevista entre o fim de julho e o início de agosto. Será lá que o partido decidirá oficialmente qual caminho seguirá em 2026.

Até lá, Chiodini enfrenta um duplo desafio: vencer a disputa interna para ocupar a vaga de vice de João Rodrigues e, caso consiga, evitar que o MDB saia rachado da convenção.

— Assim que o MDB decidir, na convenção, eu vou estar onde o MDB estiver — sustenta o deputado Valdir Cobalchini, um dos defensores da composição com Jorginho Mello.

O ex-governador Eduardo Moreira transmite a ideia de unidade possível, apesar das divergências:

— O MDB foi criado na democracia e as disputas internas por teses diferentes são normais. Mas, depois de batido o martelo, todo mundo sai abraçado.

É justamente nessa tradição histórica de convivência entre alas divergentes que Chiodini aposta para tocar a pré-campanha.

— Por onde nós passamos, a base do MDB é unânime em defender o projeto com João Rodrigues e Esperidião Amin — afirma o presidente estadual do partido.

Sobre a possibilidade de ser vice, ele evita tratar o tema como definição consumada:

— O MDB é quem vai decidir. Se tivermos outros nomes, o partido terá o direito de se manifestar na hora certa.

Histórico de disputas internas

As disputas internas fazem parte da trajetória do MDB catarinense praticamente desde a fundação do partido, há seis décadas. Divergências sobre alianças e candidaturas majoritárias são recorrentes e frequentemente chegam até a convenção estadual.

O exemplo mais recente ocorreu em 2022. O hoje deputado estadual Antídio Lunelli renunciou à prefeitura de Jaraguá do Sul para construir sua pré-candidatura ao Governo do Estado, mas acabou derrotado internamente. Na convenção, o MDB optou por indicar o ex-prefeito de Joinville Udo Döhler para vice na chapa do então governador Carlos Moisés.

A composição não ganhou tração eleitoral e terminou fora do segundo turno.

O fator Amin nessa composição

Se por um lado o presidente estadual do MDB, Carlos Chiodini, encontra dificuldades para levar todo o partido ao projeto de João Rodrigues, por outro a histórica rusga entre emedebistas e o senador Esperidião Aminparece cada vez mais superada.

É cada vez mais comum ouvir de emedebistas raiz que um dos votos ao Senado em 2026 deverá ser destinado a Amin. Esse movimento também tem relação direta com a resistência de parte do eleitorado catarinense à possível candidatura do ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina.

Desde 1982, quando foi eleito governador pela primeira vez, Amin travou disputas históricas contra o MDB em quatro eleições estaduais. Venceu Pedro Ivo Campos em 1982 e Paulo Afonso Vieira em 1998, mas acabou derrotado por Luiz Henrique da Silveira em 2002 e 2006.

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