14/05/2026

Coluna da Maga- ‘Briga de bugio’: efeitos do áudio de Flávio a Vorcaro; NOVO-SC emite nota; Mário Frias nega recursos de Vorcaro no filme

O áudio publicado com exclusividade pelo Intercept Brasil, que mostra Flávio Bolsonaro cobrando Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, é o principal assunto no mundo político no Brasil desde ontem.

A cobrança, segundo disse Flávio, se referia ao pedido de pagamento do patrocínio feito por Vorcaro ao filme que conta a trajetória de Jair Bolsonaro. Em tese, esse não é, ainda, o centro da polêmica. O que ‘pegou’ apoiadores do presidenciável foi o fato de que Flávio não teria falado ao seu núcleo de campanha sobre o tema com antecedência, fazendo com que a própria equipe fosse pega de surpresa.

Horas antes do vazamento da gravação, Flávio Bolsonaro foi questionado por um jornalista sobre o caso. Rindo, ele disse que ‘era mentira’ e encerrou a entrevista. Essa é a importância de uma boa pergunta. João Rodrigues, corre aqui!

Briga de bugio
“Agora vai ser briga de bugio”, confidenciou uma das pessoas ouvidas pela coluna. Se você, leitor, não sabe o significado dessa expressão, vá ao Google e pesquise o tema. É divertido, eu diria.

A leitura interna é de que a direita sempre questionou o PT por questões ligadas à corrupção ou escândalos envolvendo montantes em dinheiro e que, a partir de agora, com o áudio vazado e com o próprio Flávio admitindo a veracidade da gravação, PL e PT ‘estão em pé de igualdade’, pois, moralmente, para o eleitor, ambos precisam se explicar sobre temas similares.

Mesmo que Flávio não seja alvo de investigação sobre o caso, lideranças do PL destacam que a proximidade entre ele e Daniel Vorcaro, mostrada pelas mensagens divulgadas, é o que pode produzir impacto real na pré-campanha do filho de Jair Bolsonaro.

Efeitos em SC
Entre as tantas perguntas que ainda não têm resposta, estão os possíveis efeitos do fato nas campanhas estaduais, como é o caso de Santa Catarina. Flávio Bolsonaro cumpriu agenda no estado no último fim de semana e participou de atos partidários.

Quem conversou com a coluna avalia que ainda é preciso ter cautela e esperar para ver como o assunto será recebido pela sociedade, de modo geral. Segundo os interlocutores, não é possível prever, de modo imediato, como isso vai impactar as campanhas estaduais, embora entendam que o cenário catarinense não deve sofrer mudanças importantes.

E como fica o NOVO?
O Novo entra nessa conversa porque, ontem, minutos após a divulgação da matéria pelo Intercept, Romeu Zema, pré-candidato a presidente pelo NOVO, divulgou um vídeo e disse que o fato envolvendo Flávio era ‘imperdoável’. Na sequência, teve de ouvir de Eduardo Bolsonaro que Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, havia destinado R$ 1 milhão para o diretório estadual do partido quando Zema foi candidato ao governo de Minas Gerais, em 2022, ano em que venceu as eleições. O vídeo de Zema envelheceu como vinho barato. Mal, muito mal. E é aí que surge o ponto de atenção no cenário catarinense. No estado, o NOVO está anunciado para ser o vice de Jorginho Mello nas eleições deste ano, com Adriano Silva.

Com Zema pré-candidato a presidente, indo para o confronto com Flávio, como ficaria a situação no estado?

Sabendo o rumo que esse embate pode tomar, o NOVO de Santa Catarina emitiu uma nota na manhã desta quinta-feira. Nela, o partido diz que o posicionamento de Zema foi precipitado e reforça a aliança com Jorginho Mello.

“Quanto ao posicionamento, a divulgação do vídeo pela equipe de comunicação do nosso pré-candidato à Presidência, Romeu Zema, não houve alinhamento prévio com o partido, e consideramos que o vídeo foi divulgado de maneira precipitada e desnecessária pela equipe de comunicação da campanha. Em Santa Catarina, a aliança entre o governador Jorginho Mello e o prefeito Adriano Silva permanece sólida, baseada em diálogo, convergência de princípios e compromisso com resultados”.

A deputada federal Júlia Zanatta fez uma transmissão ao vivo em suas redes sociais, ainda na noite de quarta-feira, defendendo o rompimento com o Novo por conta da reação de Zema. Carlos Chiodini respondeu com palminhas à publicação. Deve ter pensado: ‘podia ser eu, mas vocês não me quiseram’.

E aí tu deves estar pensando que, por enquanto, era isso. Ledo engano.

Mário Frias, ex-ator e produtor executivo do filme sobre Jair Bolsonaro, publicou uma nota dizendo que “não há um único centavo do Sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse”. Se não há, para onde foram os R$ 134 milhões supostamente repassados por Vorcaro a Flávio?

Leia a nota completa no perfil de Mário Frias, no instagram.

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