14/05/2026

Estética é saúde, só falta reconhecer e regulamentar. Por Geovânia de Sá

Artigo de Geovânia de Sá, Deputada Federal por Santa Catarina

Durante muito tempo, a estética e cosmetologia foram tratadas no Brasil como um assunto secundário, associado apenas à vaidade ou ao luxo. Mas essa visão já não corresponde à realidade. A estética e a cosmetologia evoluíram, incorporaram ciência, tecnologia, biossegurança e conhecimento técnico, e hoje ocupam um espaço cada vez mais importante na promoção do bem estar físico, emocional e social das pessoas.

Não estamos falando apenas de aparência. Estamos falando de saúde. A autoestima tem impacto direto sobre a saúde emocional. Pessoas que convivem com cicatrizes, queimaduras, problemas dermatológicos, flacidez extrema, sequelas físicas ou alterações corporais muitas vezes enfrentam também ansiedade, depressão, isolamento social e perda da confiança. Em muitos casos, os procedimentos estéticos ajudam justamente na reconstrução dessa dignidade emocional.

Mas os benefícios não se limitam à saúde mental. A estética moderna também possui impactos importantes na saúde física e funcional das pessoas. Procedimentos estéticos reparadores auxiliam na recuperação da pele após cirurgias, queimaduras e tratamentos agressivos, ajudam na melhora da circulação sanguínea e linfática, colaboram no controle de edemas e retenção de líquidos, aliviam dores musculares e tensões corporais e podem até contribuir para a prevenção de complicações decorrentes de processos inflamatórios e cicatriciais.

Áreas como a drenagem linfática, a estética pós-operatória, os tratamentos dermatofuncionais e os cuidados terapêuticos integrados já fazem parte da rotina de recuperação de milhares de pacientes em todo o Brasil. Mulheres mastectomizadas, pacientes bariátricos, pessoas em recuperação pós-cirúrgica ou vítimas de acidentes encontram nesses profissionais apoio técnico que vai além da estética tradicional. É cuidado físico, acolhimento humano e recuperação da qualidade de vida.

A própria Organização Mundial da Saúde compreende saúde como um estado de completo bem estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças. Isso significa que qualidade de vida, autoestima e equilíbrio emocional também fazem parte do cuidado com a saúde humana. É impossível ignorar essa realidade.

Mulheres que enfrentaram o câncer, por exemplo, encontram na estética reparadora uma forma de recuperar sua feminilidade e sua confiança. Pessoas que passaram por grandes transformações físicas voltam a se enxergar com dignidade. Pacientes que conviviam com dores emocionais profundas conseguem recuperar segurança e autoestima. Isso não é superficialidade. Isso é acolhimento humano.

Além do impacto social e emocional, a estética se tornou um importante motor econômico no Brasil. O setor gera empregos, movimenta bilhões de reais e abriu portas principalmente para o empreendedorismo feminino. Em milhares de cidades brasileiras, mulheres sustentam suas famílias através da estética, da cosmetologia e dos serviços ligados ao bem estar.

Por isso, o Brasil precisa avançar no reconhecimento da estética e da cosmetologia como áreas que possuem relação direta com a saúde. O debate precisa deixar de lado preconceitos antigos e compreender a realidade tal qual como ela é.

Não se trata de incentivar padrões irreais de beleza. Trata-se de reconhecer o direito das pessoas de se sentirem bem consigo mesmas, com segurança, responsabilidade e acompanhamento profissional qualificado.

A estética moderna não pode mais ser vista como futilidade. Ela acolhe, reconstrói, devolve confiança e melhora a qualidade de vida de milhões de brasileiros.

E justamente por tudo isso, é urgente que o Congresso Nacional avance na sua regulamentação, valorizando suas especificidades técnicas, científicas e sanitárias. A estética e a cosmetologia precisam ser tratadas pelo poder público não apenas como atividades ligadas à beleza, mas como áreas diretamente conectadas à saúde, ao bem estar e à dignidade humana. Regulamentar corretamente o setor significa proteger pacientes, valorizar profissionais qualificados, combater a clandestinidade e garantir segurança para toda a sociedade.

Os colunistas são responsáveis pelo conteúdo de suas publicações e o texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Upiara.