Há muito tempo que a manipulação de resultados esportivos no Brasil deixou de ser caso de polícia apenas no sentido figurado. Agora, é caso de Polícia Federal, com todas as letras. E com portaria assinada.

Por meio da Portaria nº 305, foi criado o Grupo de Investigação para Repressão à Manipulação de Resultados Esportivos, Fraudes em Apostas e Crimes Correlatos, a chamada Base Apostas. Era mais do que hora.
O escopo de atuação é amplo: manipulação de competições, exploração ilícita de apostas, lavagem de dinheiro, corrupção privada, estelionato e associação criminosa. O foco, porém, não será no peixe pequeno. A diretriz é clara: identificar lideranças, intermediários e financiadores, e cortar o dinheiro por meio de apreensão e sequestro de bens.
Para operar tudo isso, a unidade terá um contingente enxuto, formado por um delegado coordenador, um escrivão e três analistas, mas com mandato robusto, que inclui cooperação policial internacional, articulação com entidades esportivas e elaboração de relatórios semestrais sobre padrões suspeitos. Os integrantes serão selecionados com preferência por experiência em análise de dados, inteligência financeira e monitoramento digital.
A sede da Base Apostas funcionará em local sigiloso no entorno do Distrito Federal. Nem o endereço é público, o que diz muito sobre o nível de ameaça que se espera enfrentar. A unidade tem duração inicial de um ano, com possibilidade de renovação.
O mercado de apostas cresceu rápido demais no Brasil para que o Estado ficasse parado. Ainda bem que a PF resolveu entrar em campo para realmente deixar “o jogo limpo”.





