11/05/2026

Coluna da Maga: efeitos da agenda de FlávioB em SC; a resposta sobre a direita; o gesto de Amin no Sul

A política catarinense inicia a semana ainda sob os efeitos da passagem de Flávio Bolsonaro pelo estado. O presidenciável não é apenas o pré-candidato do PL à Presidência. É o ‘escolhido’ por Jair Bolsonaro para enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva na eleição deste ano. A escolha do ex-presidente gerou dúvidas inicialmente, já que a própria direita não tinha Flávio em seu radar para ocupar a função de candidato a presidente. Antes dele, outros nomes ganhavam destaque, como foi o caso de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo pelo Republicanos. Os fatores que levaram Jair a preferir seu filho 01 serão assunto para outra coluna. Na de hoje, vamos nos ater à humilde leitura desta que vos escreve sobre o #FlavioBolsonaroDay.

Pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Vitor Salles.

Flávio reúne atributos que também compõem uma eleição. Jovem, boa aparência, vitalidade e boa educação, elementos que chegam ao público, muito antes da mensagem. E foi basicamente isso que vi acontecer no evento do PL, no sábado, em Florianópolis

Sem “fazer arminha” e com um discurso alinhado a temas que pautam debates cotidianos, como maioridade penal, alta carga tributária no país e violência contra as mulheres, Flávio iniciou sua pré-campanha em um tom diferente do de seu pai. Essa percepção evidencia um reposicionamento do bolsonarismo e sua adequação para questões práticas do dia a dia.

O próprio Carlos Bolsonaro, em sua fala durante o evento, citou que ele e seus irmãos costumam conversar sobre os erros cometidos na gestão de seu pai, quando presidente, e que esses erros não vão se repetir se Flávio for eleito. A diferença entre Flávio e Jair não é apenas no discurso. Se, desta vez, o pré-candidato do PL à Presidência declarou que o candidato do partido em SC é Jorginho Mello, em 2022 foi diferente.

À época, Jair Bolsonaro gravou um vídeo caseiro, feito com celular, para ser exibido na convenção do PL naquele ano. Só que liberais catarinenses esperavam que, para o período de campanha, efetivamente, o então presidente e candidato à reeleição gravasse outro vídeo, com declaração oficial de apoio ao candidato do partido ao governo catarinense, mas isso não ocorreu. O Progressistas, liderado por Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, articulou com o então presidente para que, nos estados em que o PP tivesse candidatura própria ao governo, Jair Bolsonaro não declarasse apoio a nenhum candidato da disputa, evitando “dividir” ainda mais esses apoios. Naquela eleição, o candidato ao governo de SC foi Esperidião Amin, quinto colocado na corrida eleitoral.

Ao que parece, a falta de apoio do candidato a presidente de seu partido em 2022 não deve se repetir na disputa deste ano para Jorginho Mello. Flávio Bolsonaro deixou no estado a impressão de ‘menos arminha e mais conexão com a vida real do brasileiro’ e de apoio à chapa do PL, sem abrir exceção.

No atual cenário, o principal embate até o momento envolve dois pré-candidatos ao governo que se apresentam como “candidatos de direita”: Jorginho Mello (PL), que vai à reeleição, e João Rodrigues (PSD).

A pergunta
Com base no recorte histórico citado anteriormente sobre a corrida eleitoral de 2022 e no retrospecto de como a família Bolsonaro define seus apoios, perguntei a Flávio Bolsonaro, na coletiva de sábado à tarde, quantos candidatos à direita há em Santa Catarina. Flávio respondeu sem titubear que “só tem um: Jorginho Mello”.

João não gostou
A resposta, amplamente divulgada pela imprensa catarinense, chegou rápido a João Rodrigues, que não gostou do que disse o 01. Em comentário posteriormente apagado, João perguntou: “Quem deu a escritura ou poder a ele para dizer quem é ou não é de direita em Santa Catarina?”.

Amin fez o 11
Durante o encerramento do evento do PSD no Sul, que reuniu mais de mil pessoas em Criciúma, o gesto do senador Esperidião Amin não passou batido na hora da foto. Enquanto lideranças pessedistas e emedebistas faziam o tradicional gesto com as mãos abertas, mostrando os cinco dedos para sinalizar o ‘55’, número do PSD, Esperidião, na segunda fileira da foto, levantou as mãos, com os dois dedos indicadores apontando para cima, sinalizando o ‘11’, número do PP. O detalhe, claro, não passou despercebido.

Lideranças do Progressistas, aliás, pontuaram à coluna que Esperidião Amin esteve ‘sozinho’ na agenda de João no Sul. “Não levou nem prefeitos, nem outros deputados do partido. Ele foi sozinho, está cuidando da candidatura dele”, disse um progressista inconformado. Na noite de sexta-feira, enquanto Amin ‘fazia o 11’ em Criciúma, os deputados do PP, Zé Milton Scheffer e Pepê Collaço, marcavam presença no evento privado do PL, que reuniu cerca de 50 pessoas para a exibição de um documentário que faz alusão à trajetória de Jair Bolsonaro.

Chiodini consolidado
Tirando a briga para ver quem é ou não de direita em Santa Catarina e voltando às questões paroquiais, é possível observar que a chapa de João Rodrigues está consolidada. O que nasceu a partir da ruptura entre MDB e PL ganhou força internamente e já é tratado como fato consumado. Carlos Chiodini está cada vez mais ‘vice do João’. Prova disso foi a intensa agenda que o emedebista cumpriu ao lado do ex-prefeito de Chapecó na região Sul. Ainda que prefeitos tenham declarado apoio a Jorginho, o Manda Brasa deve estar com seu CNPJ na campanha de João. O partido é tão grande que vai ter emedebista para dividir entre os dois projetos.

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