
Cerca de 5,7 milhões de eleitores, mais de 70 mil pessoas mobilizadas, 18,5 mil urnas eletrônicas espalhadas pelo Estado e aproximadamente 900 candidatos na disputa por seis cargos. Santa Catarina se prepara para viver mais uma vez o maior evento da democracia brasileira e quem estará à frente da operação é o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), o desembargador Carlos Alberto da Silva.
Em entrevista exclusiva ao Portal Upiara, o magistrado falou sobre os preparativos para o pleito, o crescimento acelerado do eleitorado catarinense, os desafios da desinformação e o papel da Justiça Eleitoral em um cenário político cada vez mais polarizado. Mas a conversa também saiu do ambiente institucional e revelou um pouco do homem por trás da toga: a rotina intensa, a preparação para o período eleitoral e até a tranquilidade para dormir na véspera da eleição.
Esta é o primeiro texto de uma série especial produzida a partir da conversa com o presidente do TRE/SC.
Tudo pronto para 4 de outubro
Apesar da proximidade do calendário eleitoral e da movimentação já intensa da pré-campanha, Carlos Alberto da Silva garante que o TRE/SC trabalha em modo permanente. “A preparação para a eleição começa no dia seguinte ao pleito. É um processo contínuo”, afirma o presidente.
Segundo ele, o tribunal já se considera pronto para a eleição deste ano. “Se a eleição fosse semana que vem, estaríamos preparados”, disse.
O desembargador destacou que a eleição deste ano exigirá atenção especial porque o eleitor terá um voto a mais na urna, o que aumenta o tempo de votação e demanda reorganização das sessões eleitorais e dos locais de votação.
Acessibilidade e o engajamento dos Idosos
Outro desafio crescente, segundo ele, é a acessibilidade. “Não apenas o número de eleitores cresce, mas os eleitores envelhecem também.”
Mesmo assim, o presidente do TRE/SC destacou uma característica peculiar de Santa Catarina: o forte engajamento dos idosos no processo eleitoral.
“Os eleitores facultativos idosos são muito assíduos, eles têm muito interesse em participar.”
Santa Catarina deve chegar a 5,7 milhões de eleitores
O crescimento populacional vivido por Santa Catarina já aparece diretamente no eleitorado. Até o dia 4 de maio, o Estado já contabilizava 5,676 milhões de eleitores registrados. A expectativa do TRE/SC é encerrar o cadastro eleitoral próximo de 5,7 milhões de votantes.
Para o presidente do tribunal, o avanço é reflexo direto do intenso fluxo migratório vivido pelo Estado nos últimos anos.
“Santa Catarina tem recebido um número muito expressivo de pessoas de outros estados da federação”, explicou.
Segundo ele, o fenômeno já é percebido em praticamente todas as regiões catarinenses , do litoral ao Oeste.
“Eu andei por todo o Estado no ano passado e verifiquei a presença de brasileiros de outras partes em todas as regiões de Santa Catarina”, relatou.
Entre os municípios que mais chamam atenção está Florianópolis, que vem reduzindo a distância para Joinville no número de eleitores.
“Florianópolis tem um crescimento muito importante do seu eleitorado e possivelmente, se continuar nessa proporção, ultrapassará Joinville”, afirmou.
Um “exército” de 70 mil pessoas
Para garantir o funcionamento da eleição, o TRE/SC contará com uma verdadeira força-tarefa. Serão aproximadamente 70 mil pessoas envolvidas diretamente na operação eleitoral entre servidores, mesários, voluntários e equipes das zonas eleitorais.
O Estado também terá 18.599 urnas eletrônicas aptas para utilização, além de equipamentos reservas para substituição em casos excepcionais.
Carlos Alberto da Silva faz questão de destacar o engajamento dos voluntários catarinenses. “Temos municípios em que 100% dos mesários são voluntários”, contou.
Segundo ele, muitas dessas pessoas participam repetidamente das eleições por acreditarem no processo democrático.
Preparo emocional e sono em dia
Em meio à pressão natural de comandar uma eleição estadual, o presidente do TRE/SC surpreende pela serenidade. Quando questionado se fica nervoso no período eleitoral, respondeu sem hesitar: “O preparo mais é mental mesmo.”
Com 33 anos de carreira, ele afirma que a experiência ajuda a lidar com a responsabilidade. E garante que consegue dormir tranquilamente até na véspera da votação. “Durmo todos os dias. Durmo oito horas tranquilamente”, contou.
A tranquilidade, segundo ele, vem da confiança na equipe técnica da Justiça Eleitoral. “Quando você reúne estímulo, vontade, alegria de trabalhar e capacidade técnica, você tem algo próximo da perfeição”, afirmou.
Desinformação, redes sociais e responsabilidade do eleitor
O avanço da desinformação nas redes sociais será novamente um dos principais desafios da eleição. O TRE/SC mantém um comitê de combate à desinformação e aposta cada vez mais na conscientização do eleitor. “O eleitorado hoje já desconfia mais das notícias que recebe pela internet”, avaliou.
Para ele, a imprensa profissional segue sendo a principal referência de credibilidade. A principal fonte da informação é a imprensa estabelecida”, disse.
O presidente também alertou que tanto candidatos quanto cidadãos comuns podem ser responsabilizados pela divulgação de informações falsas. “Todo cidadão que comete uma irregularidade eventualmente pode ser punido”, reforçou.
Momento de celebração
Em um cenário político marcado pela polarização, Carlos Alberto da Silva diz defender uma eleição baseada no diálogo e no respeito. Segundo o magistrado, a eleição não pode significar rompimento entre famílias e amigos. “As eleições não precisam ser um momento de ruptura nas relações familiares”, disse.
Para ele, o processo eleitoral deve ser encarado como uma celebração democrática.
Acompanhe mais sobre a entrevista aqui na coluna nas próximas semanas.







