01/05/2026

Bar do Vadinho: um ícone da comida manezinha em Florianópolis 

Confesso que sou suspeita para escrever essa coluna, afinal, o Bar do Vadinho é um dos meus restaurantes preferidos e um dos que mais frequento em Florianópolis. Já escrevi inúmeras vezes sobre ele e estou sempre indicando a quem me pede boas dicas da Ilha. 

Acesso ao Bar do Vadinho – Foto: Renata Diem

A casa centenária da família do Seu Vadinho foi construída com ajuda de óleo de baleia e é localizada no canto esquerdo de quem chega à beira da praia do Pântano do Sul. É o reduto onde o manezinho se sente em casa, dividindo o espaço com alguns turistas que, por sorte ou bom conselho, acabam descobrindo que o luxo ali reside na simplicidade.

Um funcionário trazendo o banquete do prato da casa em um carrinho – Foto: Renata Diem

Sabe aquele peixinho fresco com pirão bem caseirinho? A comida deles é um ícone da gastronomia manezinha da Ilha e o grande destaque é o prato da casa, servido no sistema livre por R$ 85 por pessoa. 

Todos os itens do prato da casa – Foto: Renata Diem

Nele, estão incluídos arroz, feijão simples, mas bem feito e temperado (nada parecido com as versões sem graça de buffets), peixe em posta, que varia entre gordinho, anchova e tainha, conforme a sazonalidade, e a estopa, um dos diferenciais do restaurante. 

Estopa (peixe desfiado e refogado) – Foto: Renata Diem

Segundo eles, foram pioneiros em servir estopa, que é esse preparo de cação desfiado e refogado com diversos temperos. O banquete segue com uma batata frita caseira que deveria ser tombada como patrimônio gastronômico da cidade de tão deliciosa.

Batata frita caseira – Foto: Renata Diem

É raro encontrar batatas assim hoje em dia, já que a maioria é industrializada; lá, eles utilizam uma máquina própria para o corte e uma fritadeira especial. Nunca acho que daremos conta da montanha de batatas, mas, ao final, noto que ela foi devorada. 

Filé de peixe espada à dorê – Foto: Renata Diem

O filé de peixe espada à dorê é um capítulo à parte, a casquinha crocante do empanamento e o interior da carne branca e tenra sem espinhas fazem dele um dos itens preferidos. É só espremer o limão por cima e aproveitar. Além dele, o prato ainda inclui pirão de peixe e salada e, se a comida for acabando, é só pedir mais. Tudo é tão bem servido que sempre acabo levando marmitinhas para casa. Para quem prefere camarão, o cardápio oferece opções à milanesa e à parmegiana, mas minha indicação é sempre o prato da casa para conhecer a verdadeira essência do lugar. 

Seu Vadinho e uma de suas clientes (que por acaso é minha mãe Maria da Graça) – Foto: Renata Diem

Esse é outro caso raro de consistência no padrão de qualidade de um restaurante daqui da cidade. Todas as vezes que fui, por anos a fio, a comida era sempre igual, com a mesma qualidade e cuidado. Enquanto degustamos, Seu Vadinho, que já trabalhou com pesca industrial, hoje apenas comanda o restaurante e vai passando de mesa em mesa cumprimentando os fregueses como um ótimo e carismático anfitrião. Uma de suas frases recorrentes é que “o peixe do dia é sempre o mar que escolhe”. E com o friozinho chegando, logo, logo teremos tainha fresca.

*valores praticados em abril de 2026.

Serviço:

Bar do Vadinho

Endereço: Rua Manoel Vidal, 305, Pântano do Sul – Florianópolis

Telefone: (48) 3237-7305

Horário de funcionamento: de sexta à domingo, das 11h às 16h45 (durante a temporada de verão, abre todos os dias).

Instagram: @bardovadinho.floripa

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