A pré-campanha ao governo de Santa Catarina ganhou seu primeiro movimento com cara de campanha nas redes, uma primeira peça com plataforma e estética de campanha majoritária. E ele veio de Gelson Merísio.
Havia uma expectativa natural de que o tabuleiro começasse a se mexer, midiaticamente, a partir do governador Jorginho Mello ou de João Rodrigues. Só que a primeira peça com projeto, narrativa, estética eleitoral e visão de mundo veio do candidato da frente progressista.
Merísio publicou um vídeo que merece atenção menos pelo gesto isolado e mais pelo conjunto da obra. A peça tem ritmo, recorte, mensagem, mobilização e um ponto central para qualquer campanha que queira disputar Santa Catarina em 2026: ela diz ao eleitor a que veio.
O vídeo não tenta apenas apresentar um nome. Ele apresenta uma chapa. Reafirma a candidatura como a chapa do presidente Lula em Santa Catarina. Coloca Décio Lima no centro da construção ao Senado, valoriza Afrânio Boppré, dá lugar a Ângela Albino como vice e transforma a composição em imagem política. Não é pouco em um campo que muitas vezes gastou energia demais explicando suas diferenças internas e tempo de menos comunicando unidade.
A mobilização em torno da publicação também é parte da notícia. O engajamento de lideranças como Leonel Camasão, Ana Paula Lima, Eduardo Zanatta e Jean Volpatto mostra que a frente progressista tem capilaridade digital, militância organizada e capacidade de espalhar a mensagem em diferentes regiões e bolhas políticas do Estado. Em Santa Catarina, onde a direita costuma dominar o ambiente emocional das redes, isso importa.
O conteúdo da peça também revela uma escolha. Merísio fala de feminicídio, pobreza extrema, racismo, imigração, mulheres na política, baixo desemprego, inflação controlada e renda das famílias. Faz a defesa do legado do governo Lula e amarra essa defesa ao enfrentamento a problemas de Santa Catarina. Essa é a parte mais madura do vídeo. Não aparece ali apenas a tentativa de colar no presidente. Aparece uma tentativa de traduzir o lulismo para feridas catarinenses.
Há coragem nesse caminho. Santa Catarina é um Estado difícil para o campo progressista. A tentação seria entrar na disputa pedindo licença, suavizando tudo, falando em gestão e deixando Lula no rodapé. Merísio fez outra escolha. Colocou Lula no centro, falou das pautas caras à esquerda e tratou temas sensíveis sem parecer estar lendo uma cartilha.
Também há cálculo. Ao falar de imigração, racismo e violência contra as mulheres, Merísio conversa com um eleitorado que se sente pouco representado na política estadual. Ao falar de desemprego, inflação controlada e renda, tenta atravessar a fronteira da militância e entrar na vida real das famílias. Campanha competitiva nasce quando uma causa encontra uma linguagem. O vídeo mostra que alguém começou a procurar essa linguagem.
O detalhe simbólico ajuda a entender o tamanho do movimento. Merísio não publicava um reels em seu perfil desde maio de 2020. A volta com uma peça de pré-campanha, bem montada e amplamente articulada, não parece improviso. Parece sinal de largada.
E largada, em política, tem valor. Não decide eleição. Não garante fôlego. Não resolve contradições de trajetória, alianças e discurso. Só que marca posição. Gelson Merísio foi o primeiro a transformar a pré-campanha em comunicação eleitoral de verdade.
Em Santa Catarina, a disputa começou nas redes. E começou por ele.





