28/04/2026

Bastidores da carta divulgada pelo presidente estadual do MDB; almoço da bancada teve ausências em forma de protesto

O day after do evento que reuniu prefeitos do MDB em Florianópolis mostra o clima interno no partido. No fim da manhã, o presidente estadual da sigla, Carlos Chiodini, decidiu “lembrar quem manda” e divulgou uma carta extensa em tom crítico ao evento. Disse que o MDB foi “esnobado e preterido pelo atual governo” e que “o que está acontecendo é grave”, em referência ao grupo que declarou apoio à reeleição de Jorginho Mello, na noite de ontem.

A carta deixa explícito o sentimento de Carlos Chiodini com relação aos colegas de partido presentes no evento. “Pessoas que até ontem não tinham qualquer compromisso com a nossa história”, diz um trecho do material. Embora não cite nomes, o recado tem endereço certo: os deputados estaduais Fernando Krelling e Emerson Stein, e o deputado federal Valdir Cobalchini, entusiastas do apoio a Jorginho. No final deste texto, leia o conteúdo na íntegra.

Almoço da bancada sofreu baixas

Tradicionalmente, o MDB reúne a bancada do partido na Assembleia para um almoço no gabinete do vice-presidente, também conhecido como gabinete de Fernando Krelling. Nesta terça-feira, porém, o almoço sofreu baixas.

“Estamos almoçando em um restaurante. Não participamos do almoço na Alesc como forma de demonstrar nosso apoio ao presidente Chiodini”, disse um dos emedebistas. Os ausentes no almoço foram os deputados estaduais Tiago Zilli, Volnei Weber e Mauro de Nadal.

Pressão dos presidentes de partido

O parlamentar que conversou com a coluna disse que houve um movimento de pressão para que a direção estadual se manifestasse. “Pode escrever aí, Maga: mais de 90% dos presidentes de partidos cobraram um posicionamento do presidente para deixar claro que o partido não concorda com o que está acontecendo”, disse.

Caro amigo emedebista,
Chegou a hora de falar com clareza, sem rodeios e sem medo. O momento que o MDB de Santa Catarina atravessa exige coragem, não silêncio. Em 1999, filiei-me ao PMDB com apenas 17 anos. Não foi um movimento oportunista; foi uma escolha de vida. De lá para cá, enfrentamos batalhas duras, disputamos eleições difíceis, ajudamos a construir governos e fomos protagonistas em momentos decisivos do nosso Estado. O MDB sempre foi grande porque pensava grande. Mas os números recentes mostram uma realidade que não pode ser ignorada. Em 2018, ficamos fora do segundo turno do Governo do Estado. Em 2022, novamente não chegamos ao segundo turno. O reflexo foi direto: redução das nossas bancadas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, perda de espaço político e enfraquecimento da nossa capacidade de liderar Santa Catarina. Diante disso, o caminho natural seria a reconstrução com protagonismo: retomar o nosso espaço, organizar o partido, fortalecer lideranças e preparar o MDB para voltar à majoritária, mas não como coadjuvante. Após ser esnobado e preterido pelo atual Governo no início deste ano, o MDB, em vez de se posicionar com firmeza, assiste à construção de um movimento conduzido por pessoas que, até ontem, não tinham qualquer compromisso com a nossa história. Um movimento que tenta empurrar o partido para uma aliança subordinada, baseada em interesses pontuais, como uma eventual suplência ao Senado, e não em um projeto real que respeite o tamanho de uma sigla que ajudou a construir Santa Catarina. Isso não é estratégia. Isso é apequenamento. É preciso dizer com todas as letras: o MDB não nasceu para ser figurante. Não nasceu para aceitar migalhas. Não nasceu para ser linha auxiliar de um governo que não nos respeita, não na minha gestão como presidente. Quero deixar claro: se estivesse pensando em um projeto pessoal, já teria ocupado espaços, cargos ou feito qualquer composição conveniente. Caminhos não faltaram. Porém, nunca foi esse o meu compromisso. Tenho uma trajetória de lealdade ao partido, não de conveniência pessoal. O que está acontecendo hoje é grave. Aos 60 anos, o MDB de Santa Catarina corre o risco de se transformar em um partido fragmentado, de decisões isoladas, onde interesses individuais se sobrepõem ao projeto coletivo. Um partido que deixa de liderar para apenas acompanhar. Precisamos reagir. O MDB tem tamanho, história, capilaridade e liderança para disputar a majoritária. Vamos respeitar os diretórios municipais que decidiram estar em um projeto de verdade, que votaram a favor de compor a chapa com PSD e União Progressista. Aos líderes partidários que promoveram o episódio de ontem, deixo um alerta: se não enfrentarmos esta batalha hoje, em dois, quatro, seis anos, não teremos nada para disputar. Ou o MDB volta a ser grande, ou aceitará, pouco a pouco, a irrelevância. Essa é a escolha que está diante de todos nós.

Carlos Chiodini
Presidente do MDB de Santa Catarina
Santa Catarina, 28 de abril de 2026

Deputados emedebistas, Tiago Zilli e Antídio Lunelli, em lados opostos na (in)decisão partidária. Foto: Ana Quinto/Agência Alesc.

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