24/04/2026

MDB 60 anos: algumas curiosidades

O Movimento Democrático Brasileiro chega aos 60 anos nesta sexta-feira (24) carregando uma contradição que, no fundo, explica sua própria sobrevivência: nasceu como oposição consentida e virou uma das estruturas de poder mais duradouras da política brasileira.

Lígia Doutel de Andrade: primeira mulher eleita no MDB de Santa Catarina

Sua origem remonta ao Ato Institucional nº 2, que extinguiu os partidos e impôs o bipartidarismo. De um lado, a Aliança Renovadora Nacional(Arena), sustentáculo do regime. Do outro, o MDB, autorizado a existir como válvula institucional para a insatisfação.

Era, em tese, uma oposição controlada. Na prática, virou abrigo de quem não aceitava o silêncio.

Em Santa Catarina, denominado de primeiro gabinete, o MDB foi oficializado em 23 de abril de 1966, tendo como presidente Doutel de Andrade, deputado federal eleito pelo PTB em 1962 e cassado pelo golpe de 1964.

Era formado por políticos oriundos do PTB, alguns do PSD que não concordaram com o golpe militar, e do PCB, que se abrigaram na sigla para não ficar na clandestinidade. 

O primeiro prefeito emedebista foi Dejandir Dalpasquale, eleito em Campos Novos, pelo PTB. Com a extinção do PTB ele acabou se filiando ao recém criado MDB. Depois, pelo MDB, foi deputado estadual e federal.

Já em 1966 o MDB catarinense disputou a eleição parlamentar, já que o governador era nomeado pela ditadura. Elegeu três deputados federais: Lígia Doutel de Andrade —a mais votada do partido com 43.965 votos. Depois ela ajudou a fundar o PDT, com Leonel Brizola, e foi candidata a governadora em 1982.

Também foram eleitos em 1966, Paulo Macarini e Eugênio Doin Vieira, que vem a ser o pai do governador emedebista Paulo Afonso Vieira.

Todos tiveram os mandatos cassados pelo Ato Institucional número 5, o famigerado AI5, em 1968. 

Nesta mesma eleição, em 1966, o MDB elegeu onze deputados estaduais. Entre eles estava Pedro Ivo Campos, que depois, em 1986, foi eleito o primeiro governador emedebista de Santa Catarina. 

Também foi eleito Manoel Dias, que depois fundou com Leonel Brizola o PDT e foi ministro do Trabalho, do Governo Dilma.

Em 1970 o partido elegeu quatro deputados federais: Pedro Ivo Campos, Francisco Libardoni, Jaison Barreto e Laerte Vieira. Foram eleitos também onze estaduais. Entre eles, Delfim de Pádua Peixoto, que se reelegeu em 1974 e depois se tornou presidente da Federação Catarinense de Futebol, até morrer no acidente que vitimou o time da Chapecoense, na Colômbia, em 2016.

Em 1974 o MDB elegeu seu primeiro senador, Evilásio Vieira, o Lazinho. Em 1978, elegeu senador Jaison Barreto, que foi derrotado para o Governo do Estado, em 1982, por Esperidião Amin (PP).

Em 1986 o MDB fez cabelo e barba na eleição catarinense. Elegeu o governador Pedro Ivo Campos, o vice Casildo Maldaner, os senadores Dirceu Carneiro e Nelson Wedekin, nove deputados federais e 19 deputados estaduais. 

Luiz Henrique o recordista de eleições

Em 1970 começou a carreira política de Luiz Henrique da Silveira, que viria a ser a emedebista com mais eleições disputadas e com o maior número de vitórias eleitorais. 

Em 1970 ele disputou uma vaga na Assembleia Legislativa ficando como suplente e assumindo ao longo do mandato. Ele foi eleito federal em 1974 e reeleito em 1978, 1976 foi eleito prefeito de Joinville a primeira vez. Em 1982 foi novamente eleito deputado federal, se reelegendo em 1986, 1990 e 1994. 

Em 1992 ele disputou novamente a Prefeitura de Joinviile. Desta vez perdeu — sua única derrota em eleições majoritárias — para WittichFreitag. Em 1996 foi novamente eleito prefeito de Joinville e reeleito em 2000.

Em 2002 renunciou a prefeitura de Joinville e disputou o Governo do Estado. Foi eleito e reeleito em 2006. Em 2010 foi eleito ao Senado, morrendo no cargo, em 2015.

Cinco emedebistas comandaram o Estado

Além de Luiz Henrique em dois mandatos, mais quatro emedebistas comandaram o Estado. 

Pedro Ivo Campos, eleito em 1986. Casildo Maldaner, em 1990, com a morte de Pedro Ivo Campos (27/02/1990).

Paulo Afonso Vieira, eleito em 1994, e Eduardo Pinho Moreira, por duas vezes, em 2006, com a renúncia de Luiz Henrique, e 2018, com a renúncia de Raimundo Colombo (PSD).

Os campeões de votos

Luiz Henrique, Mauro Mariani (hoje diretor do BRDE) e o deputado federal Valdir Cobalchini são os recordistas em eleições proporcionais como mais votados do MDB.

O ex-governador falecido em 2016, foi o deputado federal mais votado do partido em 1982, 1986, 1990 e 1994.

Mauro Mariani foi o estadual mais votado do MDB em 2002 e o federal mais votado em 2006, 2010 e 2014. Em 2018 disputou o Governo do Estado e não se elegeu. 

Já Valdir Cobalchini foi o emedebista mais votado para estadual em 2010, 2014 e 2018 e o federal mais votado em 2022.

Antídio Lunelli é o deputado estadual mais bem votado da história do MDB, com 74.500 votos, em 2022, e Herneus de Nadal, hoje conselheiro do Tribunal de Contas, o segundo mais votado, com 72.093, em 2006. 

Entre os deputados federais o campeão é Mauro Mariani, com 195.492 votos, em 2014. Em 1982, Luiz Henrique fez 121.434 votos.

Mulheres no MDB

Em 1966, Lígia Doutel de Andrade foi eleita deputada federal. A única na história do partido em Santa Catarina.

Ada de Luca, em 2006, foi a primeira mulher eleita deputada estadual pelo MDB. Ela foi reeleita em 2010 e 2014. Em 2018 disputou uma vaga na Câmara Federal e ficou na suplência. 

Outra mulher eleita pelo MDB foi Dirce Heiderscheidt, em 2014. Em 2010 e 2018 ela ficou na suplência, mas também assumiu durante o mandato. Hoje ela preside o MDB Mulher. 

Atualmente o MDB catarinense tem uma senadora. Ivete Apell da Silveira, viúva de Luiz Henrique. Ela foi eleita primeira suplente de Jorginho Mello — atual governador — em 2018.

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