
A possibilidade de formação do El Niño no segundo semestre já mobiliza Santa Catarina e acende um alerta no campo. Com previsão de mais chuva no Sul, risco de enxurradas, impacto sobre a operação nas lavouras e pressão adicional nos custos, a coluna de hoje mostra como Epagri e Defesa Civil começaram a se preparar para o fenômeno.
Você vai acompanhar também a projeção de safra recorde no país, a alta do diesel que encarece a mecanização e a logística rural, e a conquista de um queijo catarinense que reforça a força do agro quando transforma produção em valor.
Mais chuva, mais risco e mais pressão sobre o campo
O cenário projetado para o Sul do Brasil não deixa dúvida:
- aumento significativo das chuvas
- maior risco de enxurradas e inundações
- deslizamentos de terra
- tempestades severas com granizo e vendavais
- possibilidade de microexplosões e até tornados
E mais: há 25% de chance de o fenômeno atingir forte intensidade.
O problema não é só chover.
É chover no momento errado.
Para o agro, isso significa:
- solo encharcado
- dificuldade de operação com máquinas
- aumento de doenças fúngicas
- perda de produtividade
Do café à soja: impactos desiguais no Brasil
O El Niño não afeta o país de forma uniforme.
No Sul:
Excesso de chuva
No Norte e Nordeste:
Risco de seca
Segundo o Inmet, o fenômeno altera completamente a dinâmica climática do país.
No campo:
- trigo e culturas de inverno podem sofrer com excesso de umidade
- café e cana podem ter colheita prejudicada entre setembro e novembro
- soja e milho podem ter condições mais favoráveis em algumas regiões
Tradução direta: não é um problema igual para todos. Mas é risco para todos.
Safra recorde no papel e interrogação no clima
Enquanto o clima preocupa, a produção projeta recorde.
A safra 2025/26 está estimada em 356,3 milhões de toneladas, segundo a Conab.
Os números impressionam:
- soja: 179,2 milhões de toneladas
- milho: 139,6 milhões de toneladas
- área plantada: crescimento de 2%
Mas tem um detalhe: boa parte dessa conta ainda depende do clima.
Diesel dispara e o custo da mecanização sobe no campo
E não é só o clima que preocupa.
A guerra no Oriente Médio também chegou à lavoura.
O conflito na região do Estreito de Ormuz pressionou o petróleo e o diesel em Santa Catarina.
Segundo a Epagri:
- o diesel subiu de R$ 6,14 para R$ 7,33
- alta com impacto direto no custo operacional
As culturas mais afetadas:
- maçã
- arroz
- cebola
E o impacto vai além:
O transporte terrestre responde por até 70% do custo logístico no estado.
Resultado: o campo paga a conta de um conflito global.
De SC para o mundo: queijo brasileiro é eleito o melhor do planeta
E, no meio de tanta pressão, uma boa notícia e com sotaque catarinense.
O queijo Reserva do Vale, produzido em Pouso Redondo (SC), foi eleito o melhor do mundo no Mundial do Queijo.
Detalhes que fazem diferença:
- maturação de 12 meses
- produção familiar
- controle total da matéria-prima
O resultado: superou concorrentes de mais de 20 países.
Leitura clara: quando agrega valor, o agro brasileiro compete em qualquer lugar.
Entre o céu e o solo, o agro segue em alerta
A semana termina com um cenário que mistura tudo:
- clima imprevisível
- custo pressionado
- produção recorde no papel
E um produtor que precisa tomar decisão agora, sobre uma safra que depende do que ainda vai acontecer.
Santa Catarina já começou a se preparar.
O Brasil acompanha.
Porque, no agro, antecipar não é vantagem. É sobrevivência.
Boa sexta-feira, Agroamigos.





