Artigo de Fernando Assanti, presidente do Instituto Selo Social

A participação do Instituto Selo Social na 9ª edição do Fórum dos Países da América Latina e Caribe sobre o Desenvolvimento Sustentável, realizada em Santiago, no Chile, neste mês de abril marcou um novo capítulo na atuação internacional de uma iniciativa que nasceu em Santa Catarina e hoje dialoga com o mundo.
O encontro reuniu representantes de governos, organismos internacionais, setor privado, academia e sociedade civil para avaliar os avanços e desafios no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela ONU. Integrando a comitiva oficial do Governo Federal, tivemos a oportunidade de não apenas acompanhar os debates estratégicos sobre a Agenda 2030, mas também conduzir dois side events (eventos paralelos). Mais do que apresentar projetos, levamos ao cenário internacional uma tecnologia social construída em Santa Catarina, baseada na articulação entre setores e no fortalecimento de redes de impacto.
O primeiro encontro, realizado em parceria com a Comissão Nacional para os ODS (CNODS) e o Sesc Brasil, abordou as alianças multissetoriais como caminho para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Ao compartilhar experiências brasileiras de colaboração entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil, reforçamos uma convicção que vem orientando nosso trabalho há mais de uma década: nenhum desafio complexo se resolve de forma isolada.
Já o segundo evento, desenvolvido com a Rede Unisustentável, trouxe para o centro do debate o papel das instituições de ensino na Agenda 2030. Ao reunir redes universitárias da América Latina e Caribe, além de organismos internacionais como a UNESCO e a IESALC, discutimos como a educação básica e superior pode ser um vetor estruturante para o desenvolvimento sustentável, especialmente quando organizada em rede e conectada aos territórios.
Os dados apresentados ao longo do Fórum reforçam a urgência dessa articulação. Na América do Sul, apenas 19% das metas dos ODS estão em trajetória de avanço. Na América Central, o índice é de 18%, e no Caribe, apenas 13%. Ao mesmo tempo, cresce o percentual de indicadores estagnados ou em retrocesso, evidenciando desafios estruturais que ultrapassam fronteiras nacionais.
Nesse contexto, iniciativas que promovem integração, colaboração e troca de experiências deixam de ser complementares e passam a ser essenciais. É nesse ponto que o Brasil tem muito a contribuir. Ao longo dos últimos anos, temos construído metodologias capazes de transformar boas intenções em resultados mensuráveis, conectando organizações e fortalecendo a atuação local com visão global.
O Instituto Selo Social é fruto dessa construção coletiva. Hoje somos o maior certificador social do Brasil de iniciativas alinhadas aos ODS, com mais de 20 mil impactos sociais reconhecidos. Desde 2023, representamos a sociedade civil na Comissão Nacional para os ODS, contribuindo diretamente para o avanço da Agenda 2030 no país.
Estar na ONU, conduzindo discussões e apresentando soluções brasileiras, é um reconhecimento desse percurso, mas, sobretudo, uma responsabilidade. Significa ampliar o alcance das nossas ações, fortalecer parcerias internacionais e seguir conectando pessoas, instituições e territórios em torno de um objetivo comum: construir um futuro mais justo, sustentável e colaborativo.
A Agenda 2030 é um compromisso global. E cada avanço, por menor que pareça, nasce de iniciativas locais que se conectam, se fortalecem e ganham escala. Foi isso que levamos ao Fórum. E é isso que seguimos construindo todos os dias.





