Artigo de Marcio Heinzen, presidente da Associação Praça Olívio Amorim (APROA)

A proposta de requalificação do centro de Florianópolis, apresentada pelo escritório do conceituado arquiteto e urbanista dinamarquês Jan Gehl, merece reconhecimento. Repensar os espaços urbanos, suas dinâmicas de uso e, sobretudo, devolver a cidade às pessoas é um passo essencial para construirmos um ambiente mais humano, seguro e vibrante.
Valorizar a caminhabilidade, promover conexões e incentivar a permanência nos espaços públicos — especialmente sob a sombra de árvores nativas — não é apenas uma tendência internacional, mas uma necessidade concreta para cidades que buscam qualidade de vida aliada ao desenvolvimento sustentável. O projeto leva em conta, por exemplo, o conceito da “cidade de 15 minutos”, modelo urbano em que as necessidades essenciais dos moradores são acessíveis a pé ou de bicicleta dentro de um curto perímetro perto de casa.
Nesse contexto, é importante destacar que movimentos locais já vêm atuando de forma consistente nessa direção. A Associação da Praça Olívio Amorim, por exemplo, tem promovido ações práticas no entorno das avenidas Hercílio Luz e Mauro Ramos. Por meio de mutirões de poda e plantio, além do desenvolvimento de um projeto de revitalização da própria praça, a associação — com recursos próprios de seus integrantes — contribui diretamente para qualificar o espaço urbano e fortalecer o sentimento de pertencimento da comunidade.
Somado a isso, o Programa de Benefícios para Associados, com foco no incentivo ao “compre local”, fortalece a economia da região e potencializa uma de suas maiores virtudes: o uso misto, onde comércio, moradia e lazer convivem e se retroalimentam de forma positiva. Iniciativas como essa evidenciam que a transformação do centro não depende apenas de grandes projetos, mas também do engajamento contínuo da sociedade civil.
A APROA e seus associados estão permanentemente à disposição para colaborar com propostas voltadas também ao Passeio da Hercílio — um caminho histórico que ainda carece de modernização e maior circulação de pessoas. Afinal, o movimento na rua gera vitalidade, impulsiona a economia e amplia a sensação de segurança.
O futuro do centro passa, necessariamente, pela soma de esforços. E esse caminho, felizmente, já começou.





