A semana começou com um dado incômodo e terminou com uma cobrança direta.

Panorama da Semana
A semana começou com um dado incômodo e terminou com uma cobrança direta.
O agro brasileiro liderou os pedidos de recuperação judicial em 2025, com 30,1% do total, escancarando uma mudança de fase: o setor mais resiliente da economia começou a sentir o peso da combinação entre crédito travado, custo elevado e mercado instável.
A resposta veio rápida e política.
O Congresso entrou em campo com força:
- segurança jurídica voltou ao centro do debate
- propriedade privada virou prioridade
- crédito rural passou a ser tratado como risco sistêmico
No meio desse cenário, a exigência de validação ambiental via Prodes tensionou ainda mais o setor — ao ponto de o próprio governo admitir rever a medida diante da insegurança jurídica gerada.
Enquanto isso, o agro seguiu fazendo o que sempre fez:
- gerando empregos
- batendo recordes de exportação
- avançando em tecnologia
Santa Catarina, mais uma vez, foi o retrato desse contraste:
crescimento, inovação e liderança, convivendo com pressão de mercado e risco de renda.
Mas foi na reunião da FPA que a semana se definiu.
A bancada entregou ao governo um pacote completo de reivindicações — um diagnóstico claro do setor — e deixou o recado:
A agro não está pedindo incentivo. Está pedindo condição de continuar existindo.
Agro em Alerta
Recuperação judicial no agro acende sinal estrutural
Com 30,1% dos pedidos no país, o setor mostra que a crise deixou de ser pontual. O problema agora é margem e financiamento.
Crédito rural sob risco regulatório
A exigência via Prodes gerou bloqueios e insegurança jurídica. Governo recua, mas o impasse continua.
Endividamento vira pauta central
O PL 5.122/2023 ganha força, mas já é considerado insuficiente diante da dimensão do problema.
Direito de propriedade entra na ofensiva política
Com pacote anti-invasão e subcomissão instalada, o tema ganha prioridade no Congresso.
Cadeias produtivas pressionadas
Alho, leite e pescado mostram o mesmo problema: mercado desorganizado e concorrência desigual.
Indicadores da Semana
- Ibovespa (IBOV): instabilidade com pressão externa
- Bitcoin (Bitcoin): volatilidade com cenário global
- Emprego agro (Caged): +8.123 vagas formais em fevereiro
- Exportações de carne (SC): US$ 1,17 bilhão no trimestre
- Recuperações judiciais (agro): 743 empresas em 2025
- Tecnologia no agro: avanço em rastreabilidade e genética aplicada
Radar do Agro (Semana de 20 a 24 de abril)
(semana com feriado — ritmo reduzido, mas decisões importantes nos bastidores)
Segunda (20)
Semana começa mais lenta com agenda reduzida em Brasília. Bastidores seguem com articulação sobre crédito rural e Prodes.
Terça (21) — Tiradentes (feriado)
Sem atividade legislativa relevante. Setor acompanha impacto do clima e mercado.
Quarta (22)
Retomada gradual das atividades. Expectativa de movimentação sobre projetos ligados a crédito e propriedade.
Quinta (23)
Possível avanço nas discussões do pacote anti-invasão e articulações sobre seguro rural.
Sexta (24)
Mercado monitora efeitos acumulados da semana e prepara agenda para votação de vetos no fim do mês.
Visão da Semana
O agro produz. O sistema precisa acompanhar.
O Brasil já mostrou que sabe produzir.
Mostrou que sabe exportar.
Mostrou que sabe inovar — da genética ao DNA do pescado.
Mas a semana deixou claro que isso não é mais suficiente.
O problema agora é outro:
- crédito travando
- regras gerando insegurança
- mercado pressionando
Santa Catarina mostra o que funciona.
Brasília ainda discute como organizar.
E o agro, mais uma vez, faz a sua parte.
Mas o recado está dado — e dessa vez sem rodeio:
Não é falta de produção. É falta de previsibilidade. E sem previsibilidade… não tem próxima safra!
Por Letícia Schlindwein da Agro Agência Catarina — direto de Brasília





