21/04/2026

O agro não pede incentivo, pede condição de continuar operando!

A semana começou com um dado incômodo e terminou com uma cobrança direta.

Panorama da Semana

A semana começou com um dado incômodo e terminou com uma cobrança direta.

O agro brasileiro liderou os pedidos de recuperação judicial em 2025, com 30,1% do total, escancarando uma mudança de fase: o setor mais resiliente da economia começou a sentir o peso da combinação entre crédito travado, custo elevado e mercado instável.

A resposta veio rápida e política.

O Congresso entrou em campo com força:

  • segurança jurídica voltou ao centro do debate
  • propriedade privada virou prioridade
  • crédito rural passou a ser tratado como risco sistêmico

No meio desse cenário, a exigência de validação ambiental via Prodes tensionou ainda mais o setor — ao ponto de o próprio governo admitir rever a medida diante da insegurança jurídica gerada.

Enquanto isso, o agro seguiu fazendo o que sempre fez:

  • gerando empregos
  • batendo recordes de exportação
  • avançando em tecnologia

Santa Catarina, mais uma vez, foi o retrato desse contraste:
crescimento, inovação e liderança, convivendo com pressão de mercado e risco de renda.

Mas foi na reunião da FPA que a semana se definiu.

A bancada entregou ao governo um pacote completo de reivindicações — um diagnóstico claro do setor — e deixou o recado:

A agro não está pedindo incentivo. Está pedindo condição de continuar existindo.

Agro em Alerta

Recuperação judicial no agro acende sinal estrutural
Com 30,1% dos pedidos no país, o setor mostra que a crise deixou de ser pontual. O problema agora é margem e financiamento.

Crédito rural sob risco regulatório
A exigência via Prodes gerou bloqueios e insegurança jurídica. Governo recua, mas o impasse continua.

Endividamento vira pauta central
O PL 5.122/2023 ganha força, mas já é considerado insuficiente diante da dimensão do problema.

Direito de propriedade entra na ofensiva política
Com pacote anti-invasão e subcomissão instalada, o tema ganha prioridade no Congresso.

Cadeias produtivas pressionadas
Alho, leite e pescado mostram o mesmo problema: mercado desorganizado e concorrência desigual.

Indicadores da Semana

  • Ibovespa (IBOV): instabilidade com pressão externa
  • Bitcoin (Bitcoin): volatilidade com cenário global
  • Emprego agro (Caged): +8.123 vagas formais em fevereiro
  • Exportações de carne (SC): US$ 1,17 bilhão no trimestre
  • Recuperações judiciais (agro): 743 empresas em 2025
  • Tecnologia no agro: avanço em rastreabilidade e genética aplicada

Radar do Agro (Semana de 20 a 24 de abril)

(semana com feriado — ritmo reduzido, mas decisões importantes nos bastidores)

Segunda (20)
Semana começa mais lenta com agenda reduzida em Brasília. Bastidores seguem com articulação sobre crédito rural e Prodes.

Terça (21) — Tiradentes (feriado)
Sem atividade legislativa relevante. Setor acompanha impacto do clima e mercado.

Quarta (22)
Retomada gradual das atividades. Expectativa de movimentação sobre projetos ligados a crédito e propriedade.

Quinta (23)
Possível avanço nas discussões do pacote anti-invasão e articulações sobre seguro rural.

Sexta (24)
Mercado monitora efeitos acumulados da semana e prepara agenda para votação de vetos no fim do mês.

Visão da Semana

O agro produz. O sistema precisa acompanhar.

O Brasil já mostrou que sabe produzir.

Mostrou que sabe exportar.
Mostrou que sabe inovar — da genética ao DNA do pescado.

Mas a semana deixou claro que isso não é mais suficiente.

O problema agora é outro:

  • crédito travando
  • regras gerando insegurança
  • mercado pressionando

Santa Catarina mostra o que funciona.
Brasília ainda discute como organizar.

E o agro, mais uma vez, faz a sua parte.

Mas o recado está dado — e dessa vez sem rodeio:

Não é falta de produção. É falta de previsibilidade. E sem previsibilidade… não tem próxima safra!

Por Letícia Schlindwein da Agro Agência Catarina — direto de Brasília

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