17/04/2026

“Se não atrapalhar, já ajuda”: o recado do agro para Brasília

Às vezes, o diagnóstico é simples.
E duro.

Em entrevista exclusiva ao Política e Agro, direto de Brasília, o deputado Jorge Goetten (Republicanos -SC) resumiu o momento com uma frase que diz muito sobre o ambiente atual:

“A economia flui sozinha. O governo precisa cuidar para não atrapalhar.”

A fala veio no contexto de um dos debates mais sensíveis no Congresso hoje: a mudança na escala de trabalho 6×1.

E o alerta é direto.

Escala 6×1: quando a política ignora a realidade do campo

Para Goetten, a discussão está contaminada pelo calendário eleitoral e ignora a dinâmica real do setor produtivo.

“Não é o momento de mexer nisso sem uma discussão profunda. O impacto econômico e social é enorme.”

No agro, o problema não é teórico. É prático.

Como ajustar escala em atividades contínuas?

“O produtor de leite vai combinar com as vacas para produzir só cinco dias por semana?”

A crítica vai além da jornada. Vai ao modelo.

Segundo ele, mudanças abruptas podem:

  • aumentar custo
  • reduzir emprego
  • pressionar pequenos negócios

E, no fim, quem paga a conta é o próprio trabalhador.

Tradução direta: boa intenção não paga folha.

Bastidor político: crescimento e disputa em Santa Catarina

Goetten também confirmou que é pré-candidato à reeleição e aposta no crescimento do Republicanos em Santa Catarina.

A projeção:

  • até 6 deputados estaduais
  • até 3 federais

Um crescimento que pode redesenhar o mapa político do estado em 2026.

A entrevista completa estará disponível no YouTube do Política e Agro, nesta sexta-feira (17), às 19h.

Clique aqui para ver a entrevista.

FPA lança ofensiva e coloca propriedade no centro da agenda

Enquanto o debate trabalhista esquenta, a Frente Parlamentar da Agropecuária avança em outra frente: o direito de propriedade.

A campanha “Invasão Zero” chega com objetivo claro:

  • conscientizar a sociedade
  • reforçar garantias constitucionais
  • frear ocupações com viés político

O presidente da FPA, Pedro Lupion, foi direto:

“O mínimo que a gente tem que dar é segurança jurídica para o produtor.”

Pacote anti-invasão: o que está na mesa

O chamado pacote anti-invasão reúne propostas que já tramitam no Congresso e buscam endurecer regras, aumentar punições e restringir benefícios a quem ocupa terras de forma ilegal.

Entre os principais projetos:

  • PL 8.262/2017 — autoriza a retirada de invasores de propriedade privada pela polícia, sem necessidade de mandado judicial em situações específicas;
  • PL 3.768/2021 — moderniza os critérios de seleção de beneficiários da reforma agrária, com foco em transparência e prioridade para quem realmente vive da terra;
  • PL 4.432/2023 — cria um cadastro nacional de invasores, integrado aos sistemas de segurança pública, para mapear reincidência e organização de ocupações;
  • PL 709/2023 — impede que invasores tenham acesso a benefícios sociais e crédito subsidiado do governo;
  • PL 4.357/2023 — define com mais clareza o que é propriedade produtiva, evitando desapropriações indevidas;
  • PL 1.198/2023 — aumenta as penas para crimes de invasão de terra, como o esbulho possessório;
  • PL 1.373/2023 — proíbe invasores de participar da reforma agrária e de acessar políticas de regularização fundiária e crédito público;
  • PL 6.612/2025 — cria tipificação penal específica para invasão de propriedade, fortalecendo o enquadramento jurídico dessas ações;
  • PDL 939/2025 — propõe sustar política federal que, segundo a bancada, acaba legitimando movimentos ligados a invasões.

Leitura política: o agro saiu da defensiva.

Agora, quer regra clara e reação rápida.

Crédito para quem produz, não para quem invade

Na mesma linha, a Comissão de Agricultura aprovou o PL 4705/2025.

A proposta proíbe invasores de terra de acessar:

  • Pronaf
  • programas de compra de alimentos
  • políticas públicas do setor

E atualiza critérios da Lei nº 11.326/2006.

Entre as exigências:

  • comprovação de posse legal
  • inscrição ativa no CNPJ
  • regularidade em programas fundiários

O relator, deputado José Medeiros, resumiu: “A justiça agrária não deve incluir quem promove desordem no campo.”

Em outras palavras: recurso público só para quem produz dentro da lei.

Seguro rural e Embrapa entram na mira

A FPA já prepara o próximo movimento.

Na sessão do Congresso, marcada para 30 de abril, a bancada pretende atuar para derrubar vetos considerados críticos, com foco em:

  • cortes na Embrapa
  • travamento de recursos do seguro rural

Bastidor: a disputa agora é orçamentária.

Mariangela Hungria leva a ciência do agro para o topo do mundo

Do laboratório para o mundo: a ciência do agro ganha protagonismo.

E, no meio de tanta pressão política, uma notícia muda o tom e eleva o nível.

A pesquisadora Mariangela Hungria entrou para a lista Time100 de 2026, entre as pessoas mais influentes do mundo.

E não foi por discurso, mas por resultado.

Seu trabalho com fixação biológica de nitrogênio ajudou a transformar a agricultura brasileira:

  • 85% da soja usa essa tecnologia
  • economia de até US$ 25 bilhões por ano
  • menos dependência de fertilizantes químicos

É ciência aplicada, na prática.

Produzir mais, gastando menos e com menor impacto ambiental.

Enquanto o mundo discute sustentabilidade, o Brasil já entrega.

Entre a política e a ciência, o agro segue fazendo sua parte

A semana termina com um contraste claro.

De um lado:

  • debates políticos
  • disputas regulatórias
  • incertezas econômicas

De outro:

  • produção
  • inovação
  • entrega

O agro continua funcionando.

Mas o recado foi dado e não poderia ser mais direto: se o governo ajudar, melhor. Senão, que pelo menos não atrapalhe.

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