
Às vezes, o diagnóstico é simples.
E duro.
Em entrevista exclusiva ao Política e Agro, direto de Brasília, o deputado Jorge Goetten (Republicanos -SC) resumiu o momento com uma frase que diz muito sobre o ambiente atual:
“A economia flui sozinha. O governo precisa cuidar para não atrapalhar.”
A fala veio no contexto de um dos debates mais sensíveis no Congresso hoje: a mudança na escala de trabalho 6×1.
E o alerta é direto.
Escala 6×1: quando a política ignora a realidade do campo
Para Goetten, a discussão está contaminada pelo calendário eleitoral e ignora a dinâmica real do setor produtivo.
“Não é o momento de mexer nisso sem uma discussão profunda. O impacto econômico e social é enorme.”
No agro, o problema não é teórico. É prático.
Como ajustar escala em atividades contínuas?
“O produtor de leite vai combinar com as vacas para produzir só cinco dias por semana?”
A crítica vai além da jornada. Vai ao modelo.
Segundo ele, mudanças abruptas podem:
- aumentar custo
- reduzir emprego
- pressionar pequenos negócios
E, no fim, quem paga a conta é o próprio trabalhador.
Tradução direta: boa intenção não paga folha.
Bastidor político: crescimento e disputa em Santa Catarina
Goetten também confirmou que é pré-candidato à reeleição e aposta no crescimento do Republicanos em Santa Catarina.
A projeção:
- até 6 deputados estaduais
- até 3 federais
Um crescimento que pode redesenhar o mapa político do estado em 2026.
A entrevista completa estará disponível no YouTube do Política e Agro, nesta sexta-feira (17), às 19h.
Clique aqui para ver a entrevista.
FPA lança ofensiva e coloca propriedade no centro da agenda
Enquanto o debate trabalhista esquenta, a Frente Parlamentar da Agropecuária avança em outra frente: o direito de propriedade.
A campanha “Invasão Zero” chega com objetivo claro:
- conscientizar a sociedade
- reforçar garantias constitucionais
- frear ocupações com viés político
O presidente da FPA, Pedro Lupion, foi direto:
“O mínimo que a gente tem que dar é segurança jurídica para o produtor.”
Pacote anti-invasão: o que está na mesa
O chamado pacote anti-invasão reúne propostas que já tramitam no Congresso e buscam endurecer regras, aumentar punições e restringir benefícios a quem ocupa terras de forma ilegal.
Entre os principais projetos:
- PL 8.262/2017 — autoriza a retirada de invasores de propriedade privada pela polícia, sem necessidade de mandado judicial em situações específicas;
- PL 3.768/2021 — moderniza os critérios de seleção de beneficiários da reforma agrária, com foco em transparência e prioridade para quem realmente vive da terra;
- PL 4.432/2023 — cria um cadastro nacional de invasores, integrado aos sistemas de segurança pública, para mapear reincidência e organização de ocupações;
- PL 709/2023 — impede que invasores tenham acesso a benefícios sociais e crédito subsidiado do governo;
- PL 4.357/2023 — define com mais clareza o que é propriedade produtiva, evitando desapropriações indevidas;
- PL 1.198/2023 — aumenta as penas para crimes de invasão de terra, como o esbulho possessório;
- PL 1.373/2023 — proíbe invasores de participar da reforma agrária e de acessar políticas de regularização fundiária e crédito público;
- PL 6.612/2025 — cria tipificação penal específica para invasão de propriedade, fortalecendo o enquadramento jurídico dessas ações;
- PDL 939/2025 — propõe sustar política federal que, segundo a bancada, acaba legitimando movimentos ligados a invasões.
Leitura política: o agro saiu da defensiva.
Agora, quer regra clara e reação rápida.
Crédito para quem produz, não para quem invade
Na mesma linha, a Comissão de Agricultura aprovou o PL 4705/2025.
A proposta proíbe invasores de terra de acessar:
- Pronaf
- programas de compra de alimentos
- políticas públicas do setor
E atualiza critérios da Lei nº 11.326/2006.
Entre as exigências:
- comprovação de posse legal
- inscrição ativa no CNPJ
- regularidade em programas fundiários
O relator, deputado José Medeiros, resumiu: “A justiça agrária não deve incluir quem promove desordem no campo.”
Em outras palavras: recurso público só para quem produz dentro da lei.
Seguro rural e Embrapa entram na mira
A FPA já prepara o próximo movimento.
Na sessão do Congresso, marcada para 30 de abril, a bancada pretende atuar para derrubar vetos considerados críticos, com foco em:
- cortes na Embrapa
- travamento de recursos do seguro rural
Bastidor: a disputa agora é orçamentária.
Mariangela Hungria leva a ciência do agro para o topo do mundo
Do laboratório para o mundo: a ciência do agro ganha protagonismo.
E, no meio de tanta pressão política, uma notícia muda o tom e eleva o nível.
A pesquisadora Mariangela Hungria entrou para a lista Time100 de 2026, entre as pessoas mais influentes do mundo.
E não foi por discurso, mas por resultado.
Seu trabalho com fixação biológica de nitrogênio ajudou a transformar a agricultura brasileira:
- 85% da soja usa essa tecnologia
- economia de até US$ 25 bilhões por ano
- menos dependência de fertilizantes químicos
É ciência aplicada, na prática.
Produzir mais, gastando menos e com menor impacto ambiental.
Enquanto o mundo discute sustentabilidade, o Brasil já entrega.
Entre a política e a ciência, o agro segue fazendo sua parte
A semana termina com um contraste claro.
De um lado:
- debates políticos
- disputas regulatórias
- incertezas econômicas
De outro:
- produção
- inovação
- entrega
O agro continua funcionando.
Mas o recado foi dado e não poderia ser mais direto: se o governo ajudar, melhor. Senão, que pelo menos não atrapalhe.





