
O dado é duro. E simbólico.
O agronegócio brasileiro liderou, em 2025, os pedidos de recuperação judicial no país com 30,1% do total, somando 743 empresas, segundo levantamento da Serasa Experian.
É a primeira vez que o setor assume essa posição.
E não é um movimento isolado.
Por trás do número, está a combinação que já vinha sendo desenhada nas últimas semanas:
- crédito mais restrito
- custo elevado
- volatilidade de preços
- clima instável
Tradução direta: o agro não quebrou. Mas começou a pedir socorro.
E quando o setor mais resiliente da economia entra nessa estatística, o sinal deixa de ser pontual. Passa a ser estrutural.
Propriedade entra no centro do debate e Congresso reage
Em meio ao aumento de conflitos no campo, a Câmara instalou a Subcomissão de Direito de Propriedade e Regularização Fundiária.
O colegiado terá relatoria do Pedro Lupion e a vice-presidência será do Rafael Pezenti.
E o tom já veio definido.
Lupion sinalizou que o foco será sair do discurso e avançar em propostas concretas:
“Nosso papel será consolidar um diagnóstico claro da situação fundiária e apresentar soluções legislativas que garantam o direito de propriedade e reduzam os conflitos no campo.”
Pezenti reforçou o eixo central da discussão:
“É fundamental restabelecer a segurança jurídica para que o produtor tenha tranquilidade para investir e produzir.”
A subcomissão terá prazo inicial de 180 dias e deve atuar em três frentes:
- levantamento de conflitos fundiários
- fiscalização da atuação de órgãos públicos
- construção de propostas legislativas
Leitura política: segurança jurídica voltou ao topo da agenda e não por acaso.
Pequeno produtor entra na pauta com novas regras de acesso
Avançou na Câmara o PL 4.705/2025, que atualiza critérios de acesso a políticas públicas.
O texto aprovado na Comissão de Agricultura busca:
- exigir comprovação de posse ou propriedade
- reforçar critérios de regularidade
- aumentar transparência na destinação de recursos
A proposta tem tramitação conclusiva.
Se aprovada na CCJ, segue direto ao Senado.
Segundo o relator, o objetivo é claro: garantir que os recursos cheguem a quem realmente produz.
Na prática: menos distorção e mais filtro.
Combustível entra no radar e FPA pressiona por fiscalização
A Câmara aprovou o PLP 109/2025, que amplia os poderes da Agência Nacional do Petróleo para cruzamento de dados fiscais.
A proposta permite:
- acesso a notas fiscais eletrônicas
- rastreamento de produção e comercialização
- identificação de fraudes e inconsistências
Para a Frente Parlamentar da Agropecuária, a medida é estratégica.
O deputado Pedro Lupion foi direto:
“É necessário fortalecer as agências reguladoras na ponta da fiscalização para combater irregularidades no mercado.”
Tradução: combater fraude também é política agrícola.
Pressão funciona: governo recua e reavalia regra do Prodes
Depois de uma semana de forte reação do setor, o governo já admite rever a exigência de validação via Prodes para concessão de crédito rural.
O secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos, foi claro:
“A ferramenta ainda não tem a acuidade necessária para vetar acesso ao crédito. Do jeito que está, gera insegurança.”
Hoje, a regra obriga bancos a verificarem alertas de desmatamento para liberar financiamento.
O problema:
- risco de falso positivo
- bloqueio de produtores regulares
- insegurança jurídica
Nos bastidores:
- projetos para sustar a regra podem ser votados
- a Febraban defende a medida
- o setor produtivo pressiona pela revisão
Resultado: a regra ainda está em disputa.
Novo comando no Mapa, perfil técnico assume a operação
O Ministério da Agricultura e Pecuária ganha um novo nome no comando operacional.
Cleber Soares assume como secretário-executivo da pasta.
Com trajetória na Embrapa e passagem pela área de inovação do ministério, chega com perfil técnico e foco em gestão.
Entre os desafios:
- reorganizar políticas públicas
- lidar com pressão sobre crédito e seguro
- equilibrar sustentabilidade e produção
Em outras palavras: vai pegar o agro em um dos momentos mais sensíveis dos últimos anos.
Quando o agro pede recuperação, o problema já chegou
O agro sempre foi o setor que sustentava a economia nos momentos de crise.
Agora, começa a aparecer nos dados como setor em dificuldade.
Não por falta de produção. Mas por falta de margem, previsibilidade e estabilidade.
A discussão sobre crédito, propriedade e regras ambientais mostra uma coisa: o problema deixou de ser técnico. Virou político.
E quando isso acontece, a solução não vem da lavoura, vem de Brasília.
Boa semana, Agroamigos!





