02/04/2026

O que o Brasil precisa aprender com a queda da Seleção da Itália, antes que seja tarde demais

A ausência da Seleção Italiana em mais uma Copa do Mundo não é acaso. É um processo. Um retrato claro de escolhas feitas lá atrás e de um modelo que foi se afastando da própria essência.

Foto: Reuters

Nos anos 80 e 90, a Itália dominava o futebol mundial. A Serie A era o centro do planeta bola. Os melhores jogadores estavam lá. O espetáculo cresceu, o dinheiro entrou e, junto, veio a mudança silenciosa: cada vez mais estrangeiros, cada vez menos espaço para formar italianos. O que parecia evolução virou dependência.

O resultado veio com o tempo. A base deixou de revelar com a mesma qualidade. O jogador italiano perdeu protagonismo dentro de casa. E, quando a seleção precisou renovar, faltou material humano à altura da própria história. O alerta soa familiar.

No Brasil, o movimento é parecido. Clubes cada vez mais abertos ao mercado externo, elencos inchados de estrangeiros e uma base que, muitas vezes, prioriza o físico e a intensidade acima do improviso, justamente aquilo que sempre nos diferenciou. O campinho de terra virou quadra sintética. O drible perdeu espaço para a corrida. E o talento, quando aparece, muitas vezes é moldado para se encaixar, não para desequilibrar.

Enquanto isso, outras escolas evoluíram. O jogo ficou mais coletivo, mais inteligente, mais técnico. E nós, que sempre fomos referência, começamos a correr atrás.

A troca constante de presidentes na CBF escancara outro problema: falta de projeto. Cada ciclo começa do zero. Cada ideia substitui a anterior sem tempo para maturar. Não há continuidade, não há identidade sólida.

E aí mora a ironia: na tentativa de resgatar o prestígio, o Brasil recorre ao italiano Carlo Ancelotti, um dos maiores técnicos do mundo, formado justamente nesse ambiente que hoje serve de alerta.

Com o novo formato da Copa, é difícil imaginar o Brasil fora de um Mundial. Mas isso não significa muita coisa. Participar virou obrigação. Protagonizar, não.

A Itália ensina na dor. Mostra que tradição não ganha jogo sozinha. Que história não entra em campo. E que, quando se perde a essência, a lição aparece, às vezes, tarde demais.

O Brasil ainda tem tempo. Mas precisa decidir rápido: quer ser mais um ou voltar a ser o que sempre foi?

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