30/03/2026

Entre a desconfiança e o protagonismo, os desafios de Rejane Gambin, a nova prefeita de Joinville

Rejane Gambin assume a prefeitura com o desafio de superar a desconfiança no meio político e empresarial. Crédito: Maauro Schlieck

Sob uma certa desconfiança, a jornalista Rejane Gambin assume nesta semana o cargo de prefeita da maior cidade do Estado. No dia 2 de abril, quinta-feira, Adriano Silva deixa a prefeitura para concorrer a vice-governador na chapa de reeleição do governador Jorginho Mello. Ele transmite o cargo em meio de um governo até então bem avaliado.

Escolhida estrategicamente como vice-prefeita do então candidato Adriano Silva para ter figura feminina como novidade na chapa, uma jornalista com popularidade nas redes sociais e ex-apresentadora de TV. Rejane tinha experiência de ter sido uma das principais âncoras da televisão joinvilense e uma passam rápida pela gestão pública.

O protagonismo de Rejane sempre andou de mãos dadas com a gestão de Adriano Silva. Primeiro ficou responsável por retomar o embelezamento de parques e praças da cidade, o que jocosamente sempre tratado como ação frágil do governo. Mesmo quando apostavam que Rejane seria substituída na busca da reeleição em 2024 por um nome que seria alternativa viável na sucessão, a vice ganhou a batalha e permaneceu na chapa que conquistou a continuidade por mais quatro anos com uma votação histórica e avassaladora. 

Agora se depara para o seu maior desafio na carreira. Tocará a prefeitura de Joinville sem ter Adriano ao lado. Transforma-se na primeira mulher a comandar a principal cidade de Santa Catarina. E a pergunta é: Rejane conseguirá dar continuidade ao governo Adriano e chegará favorita na eleição de 2028? 

A sombra de um nome do meio empresarial para 2028

Secretário da Fazenda do governo Jorginho Mello (PL) defendeu uso ampliado de benefícios fiscais durante transição da reforma tributária
Secretário da Fazenda, o joinvilense Cleverson Siewert, sempre circula como um nome forte para 2028

Rejane assume com uma certa desconfiança tanto de lideranças políticas como de lideranças empresariais. Muitos veem o seu mandato como um período tampão e que até a eleição municipal um outro nome ligado ao mundo empresarial poderá sem alçado. Fala-se muito nos bastidores do nome do atual secretário estadual da Fazenda, Cleverson Siewert, que seria o preferido do governador Jorginho Mello, agora aliado de primeira ordem do partido Novo. Gente de dentro do Novo também tem pretensões eleitorais. Mas tudo vai depender muito da eleição deste ano. 

Enfrentar um meio com lideranças majoritariamente masculina

Rejane Gambin terá muitos desafios pela frente. Não dá pra esconder que terá que superar o machismo estrutural incrustado nas lideranças majoritariamente masculinas. Joinville na sua história sequer teve uma vice-prefeita. Outro fator que é preciso considerar é que Joinville terá depois de 14 anos seguidos (oito anos de Udo Döhler e seis anos de Adriano Silva) uma liderança na prefeitura que não seja empresário ligado a uma grande empresa. Dos últimos sete prefeitos, desde 1983, três foram empresários (Wittich Freitag, Udo e Adriano) e outros três tiveram empresários como vice-prefeitos (Luiz Henrique da Silveira com Henrique Loyola, Marco Tebaldi com Rodrigo Bornholdt e Carlito Merss com Ingo Butzke). O desafio de Rejane é conquistar a velha guarda empresarial e também falar – além de compreender –  a linguagem deles.

Teste para habilidade política está em jogo

Rejane Gambin vai ter certa tranquilidade nestes primeiros meses de governo e até o final da eleição deste ano. Desde o anúncio da renúncia do prefeito, ela passou a comandar nas negociações com o sindicato dos servidores e controlou uma possível ameaça de greve. Mas seu maior desafio não será em 2026, mas em 2027. O resultado da eleição deste ano poderá colocar novos e velhos personagens no jogo de olho na sucessão da Prefeitura. Sem Adriano, que estará ou não no governo do Estado, Rejane terá que ter voo solo, enfrentará uma nova composição na Câmara de Vereadores (com eleição da mesa diretora) e construir novos apoios políticos. Virá justamente dos bastidores da Câmara os principais adversários. Neste quesito, diferente do meio empresarial, a nova prefeita terá que contar com gente experiente ao seu lado e muita habilidade se quiser chegar viva na disputa eleitoral em 2028. 

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