29/03/2026

Sextou com termômetro eleitoral e diesel no centro do jogo

A última sexta-feira de março chega com um recado claro vindo do coração do agro brasileiro: o clima político já entrou em modo eleitoral e o diesel continua sendo o fiel da balança econômica do campo.

Entre pesquisa, subsídio, frete pressionado e crédito emergencial, Brasília fecha o mês tentando equilibrar o curto prazo, sem perder de vista 2026.

Agro testa o Planalto: Flávio abre vantagem sobre Lula no Mato Grosso

O sinal mais direto da temperatura política no agro vem de um dos estados que mais pesam na balança do PIB agrícola nacional: o Mato Grosso.

Levantamento do instituto Real Time Big Data mostra que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lidera com folga sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os eleitores mato-grossenses.

Nos três cenários simulados de primeiro turno:

  • Flávio Bolsonaro aparece com 45% a 46% das intenções de voto
  • Lula oscila entre 30% e 31%

A diferença chega a 16 pontos percentuais, com vantagem mínima de 11 pontos dentro da margem de erro.

E aqui está o dado que mais interessa ao agro: o mesmo levantamento aponta o Mato Grosso como o estado com maior reprovação ao governo federal no país.

  • 67% desaprovam o governo
  • 56% classificam como ruim ou péssimo
  • Apenas 23% consideram bom ou ótimo

Metodologia da pesquisa:

  • Instituto: Real Time Big Data
  • Amostra: 1.600 entrevistas
  • Período: 21 a 23 de março de 2026
  • Margem de erro: ±2 pontos percentuais
  • Nível de confiança: 95%
  • Registro: BR-05763/2026 (Justiça Eleitoral)

O recado é direto: no estado que lidera exportações do agro, o humor com Brasília não é apenas econômico: é político.

Diesel vira prioridade máxima governo propõe subsídio de R$ 1,20

Se o termômetro eleitoral preocupa, o econômico pressiona ainda mais.

Após resistência dos estados em zerar o ICMS sobre o diesel importado, o governo apresentou uma nova proposta:
Subsídio de R$ 1,20 por litro

Dividido assim:

  • R$ 0,60 pagos pela União
  • R$ 0,60 pelos estados

A medida é temporária, válida até 31 de maio, com impacto estimado em:

  • R$ 3 bilhões no total
  • Cerca de R$ 1,5 bilhão por mês

A estratégia muda o eixo: sai a renúncia fiscal direta, entra a subvenção compartilhada uma tentativa de resposta mais rápida à escalada internacional do petróleo, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio.

No agro, o diagnóstico é conhecido: combustível caro vira custo logístico, que vira pressão de margem e, no fim, preço.

Frete sob pressão: Conab flexibiliza contratos para evitar colapso

Com o diesel pressionando toda a cadeia, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já se mexe para evitar um problema maior.

A estatal estuda:

  • Suspender multas contratuais
  • Flexibilizar prazos de entrega
  • Ajustar contratos de frete caso a caso

O foco é manter o funcionamento do Programa de Venda em Balcão (ProVB), que abastece pequenos produtores especialmente no Nordeste.

Entre dezembro de 2025 e março de 2026:

  • Foram realizados 4 leilões de frete
  • Total de R$ 17 milhões em contratos

O alerta das transportadoras é claro: com diesel em alta, o frete fica inviável e sem frete, trava a logística do alimento.

Crédito emergencial: governo libera R$ 15 bilhões para exportadoras

No mesmo pacote de resposta à instabilidade global, o governo editou medida provisória liberando R$ 15 bilhões em crédito para empresas exportadoras.

Os recursos serão operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), dentro do programa Brasil Soberano.

A justificativa:

  • Guerra no Oriente Médio
  • Tensões comerciais com os EUA
  • Impactos tarifários sobre empresas brasileiras

A MP entra em vigor imediatamente, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias.

Para o agro exportador, é oxigênio em um cenário onde o risco deixou de ser só climático e passou a ser geopolítico.

Energia é estratégia: Arnaldo Jardim acelera agenda dos biocombustíveis

No meio da crise, surge também uma janela e ela passa pelos biocombustíveis.

O deputado Arnaldo Jardim, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) na Câmara, foi direto:

“Será necessário quadruplicar a produção de biocombustíveis, e o Brasil pode e deve liderar esse movimento.”

A defesa é clara:

  • B17 no biodiesel
  • E32 no etanol

Mais do que pauta ambiental, o argumento agora é estratégico:
Segurança energética
Controle de preços
Redução da dependência externa

Com o diesel no centro da crise, o discurso ganha força e urgência.

Troca no MDA: Fernanda Machiavelli assume o comando

No campo político, o governo também reorganiza sua base.

A atual secretária-executiva, Fernanda Machiavelli, será a nova ministra do Desenvolvimento Agrário, substituindo Paulo Teixeira, que deixará o cargo para disputar as eleições de outubro.

Anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural, Machiavelli assume com perfil técnico:

  • Servidora de carreira
  • Especialista em políticas públicas
  • Já integrada à estrutura do ministério desde 2023

A escolha sinaliza continuidade, mas também reforça que o calendário eleitoral já começa a moldar o governo.

Entre o voto e o diesel

O agro fecha março com duas certezas:

  1. O diesel virou variável política e não apenas econômica
  2. O humor do campo já aponta para 2026

Quando o principal estado produtor do país amplia a rejeição ao governo e entrega vantagem consistente a um adversário direto, não é apenas uma fotografia – é tendência em construção.

E, no meio disso, Brasília corre para baixar o preço do combustível, sustentar o frete e irrigar o crédito.

Porque no agro, assim como na política, quem não controla custo, não controla o resultado.

Excelente sexta-feira, Agroamigos!

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