
A última sexta-feira de março chega com um recado claro vindo do coração do agro brasileiro: o clima político já entrou em modo eleitoral e o diesel continua sendo o fiel da balança econômica do campo.
Entre pesquisa, subsídio, frete pressionado e crédito emergencial, Brasília fecha o mês tentando equilibrar o curto prazo, sem perder de vista 2026.
Agro testa o Planalto: Flávio abre vantagem sobre Lula no Mato Grosso
O sinal mais direto da temperatura política no agro vem de um dos estados que mais pesam na balança do PIB agrícola nacional: o Mato Grosso.
Levantamento do instituto Real Time Big Data mostra que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) lidera com folga sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os eleitores mato-grossenses.
Nos três cenários simulados de primeiro turno:
- Flávio Bolsonaro aparece com 45% a 46% das intenções de voto
- Lula oscila entre 30% e 31%
A diferença chega a 16 pontos percentuais, com vantagem mínima de 11 pontos dentro da margem de erro.
E aqui está o dado que mais interessa ao agro: o mesmo levantamento aponta o Mato Grosso como o estado com maior reprovação ao governo federal no país.
- 67% desaprovam o governo
- 56% classificam como ruim ou péssimo
- Apenas 23% consideram bom ou ótimo
Metodologia da pesquisa:
- Instituto: Real Time Big Data
- Amostra: 1.600 entrevistas
- Período: 21 a 23 de março de 2026
- Margem de erro: ±2 pontos percentuais
- Nível de confiança: 95%
- Registro: BR-05763/2026 (Justiça Eleitoral)
O recado é direto: no estado que lidera exportações do agro, o humor com Brasília não é apenas econômico: é político.
Diesel vira prioridade máxima governo propõe subsídio de R$ 1,20
Se o termômetro eleitoral preocupa, o econômico pressiona ainda mais.
Após resistência dos estados em zerar o ICMS sobre o diesel importado, o governo apresentou uma nova proposta:
Subsídio de R$ 1,20 por litro
Dividido assim:
- R$ 0,60 pagos pela União
- R$ 0,60 pelos estados
A medida é temporária, válida até 31 de maio, com impacto estimado em:
- R$ 3 bilhões no total
- Cerca de R$ 1,5 bilhão por mês
A estratégia muda o eixo: sai a renúncia fiscal direta, entra a subvenção compartilhada uma tentativa de resposta mais rápida à escalada internacional do petróleo, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio.
No agro, o diagnóstico é conhecido: combustível caro vira custo logístico, que vira pressão de margem e, no fim, preço.
Frete sob pressão: Conab flexibiliza contratos para evitar colapso
Com o diesel pressionando toda a cadeia, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já se mexe para evitar um problema maior.
A estatal estuda:
- Suspender multas contratuais
- Flexibilizar prazos de entrega
- Ajustar contratos de frete caso a caso
O foco é manter o funcionamento do Programa de Venda em Balcão (ProVB), que abastece pequenos produtores especialmente no Nordeste.
Entre dezembro de 2025 e março de 2026:
- Foram realizados 4 leilões de frete
- Total de R$ 17 milhões em contratos
O alerta das transportadoras é claro: com diesel em alta, o frete fica inviável e sem frete, trava a logística do alimento.
Crédito emergencial: governo libera R$ 15 bilhões para exportadoras
No mesmo pacote de resposta à instabilidade global, o governo editou medida provisória liberando R$ 15 bilhões em crédito para empresas exportadoras.
Os recursos serão operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), dentro do programa Brasil Soberano.
A justificativa:
- Guerra no Oriente Médio
- Tensões comerciais com os EUA
- Impactos tarifários sobre empresas brasileiras
A MP entra em vigor imediatamente, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias.
Para o agro exportador, é oxigênio em um cenário onde o risco deixou de ser só climático e passou a ser geopolítico.
Energia é estratégia: Arnaldo Jardim acelera agenda dos biocombustíveis
No meio da crise, surge também uma janela e ela passa pelos biocombustíveis.
O deputado Arnaldo Jardim, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) na Câmara, foi direto:
“Será necessário quadruplicar a produção de biocombustíveis, e o Brasil pode e deve liderar esse movimento.”
A defesa é clara:
- B17 no biodiesel
- E32 no etanol
Mais do que pauta ambiental, o argumento agora é estratégico:
Segurança energética
Controle de preços
Redução da dependência externa
Com o diesel no centro da crise, o discurso ganha força e urgência.
Troca no MDA: Fernanda Machiavelli assume o comando
No campo político, o governo também reorganiza sua base.
A atual secretária-executiva, Fernanda Machiavelli, será a nova ministra do Desenvolvimento Agrário, substituindo Paulo Teixeira, que deixará o cargo para disputar as eleições de outubro.
Anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural, Machiavelli assume com perfil técnico:
- Servidora de carreira
- Especialista em políticas públicas
- Já integrada à estrutura do ministério desde 2023
A escolha sinaliza continuidade, mas também reforça que o calendário eleitoral já começa a moldar o governo.
Entre o voto e o diesel
O agro fecha março com duas certezas:
- O diesel virou variável política e não apenas econômica
- O humor do campo já aponta para 2026
Quando o principal estado produtor do país amplia a rejeição ao governo e entrega vantagem consistente a um adversário direto, não é apenas uma fotografia – é tendência em construção.
E, no meio disso, Brasília corre para baixar o preço do combustível, sustentar o frete e irrigar o crédito.
Porque no agro, assim como na política, quem não controla custo, não controla o resultado.
Excelente sexta-feira, Agroamigos!





