25/03/2026

Santa Catarina e a vantagem demográfica da próxima década. Por Paulo Bornhausen

Artigo de Paulo Bornhausen, Secretário de Articulação Internacional de Santa Catarina

O debate sobre crescimento econômico no Brasil tem sido cada vez mais associado à questão demográfica. Estudos recentes mostram que o país caminha para um rápido envelhecimento populacional, o que tende a reduzir o dinamismo da economia nas próximas décadas. Menos trabalhadores ativos significam menor capacidade de expansão da produção e maiores pressões sobre sistemas previdenciários e fiscais.

Santa Catarina, no entanto, apresenta uma dinâmica distinta.

Projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que o estado tinha cerca de 7,6 milhões de habitantes em 2022 e deverá ultrapassar 10,4 milhões até 2070.
Trata-se de um crescimento próximo de 40%, impulsionado principalmente pela migração de brasileiros de outras regiões e, em menor escala, pela imigração internacional. O contraste com a tendência nacional é relevante. As projeções do próprio IBGE indicam que a população brasileira deve crescer muito pouco nas próximas décadas e iniciar trajetória de declínio por volta da metade do século. Entre 2022 e 2070, o crescimento
populacional do país deve ser da ordem de cerca de 5%, seguido por estabilização e queda gradual.

Essa diferença coloca Santa Catarina em uma posição singular no cenário brasileiro. Enquanto grande parte do país começará a lidar com redução da força de trabalho, o estado continuará ampliando sua população economicamente ativa por várias décadas. Esse movimento migratório já é visível. Santa Catarina registra há anos um dos maiores saldos migratórios do Brasil, resultado da combinação entre oportunidades econômicas,
dinamismo industrial, infraestrutura logística e qualidade de vida.

Mas crescimento populacional, por si só, não garante desenvolvimento.

Estratégia tem frentes em capital humano, indústria e internacionalização
Sem planejamento, ele pode gerar pressões urbanas e sobrecarregar serviços públicos. Com estratégia adequada, porém, pode se tornar um poderoso vetor de produtividade, inovação e internacionalização da economia. É nesse ponto que se insere o debate sobre a próxima década.

O período até 2034 será decisivo para posicionar Santa Catarina em um novo patamar de competitividade. O estado já reúne ativos relevantes: uma das economias industriais mais diversificadas do país, polos tecnológicos consolidados, forte cultura empreendedora e um sistema portuário que conecta diretamente a produção catarinense aos mercados internacionais. A estratégia precisa concentrar-se em três frentes.

A primeira é capital humano. A continuidade do crescimento populacional abre espaço para políticas estruturadas de atração de talentos e de imigração qualificada. Em uma economia baseada em conhecimento, profissionais especializados, pesquisadores e empreendedores são ativos estratégicos.

A segunda frente é produtividade industrial. A digitalização da indústria, a automação de processos e a incorporação de tecnologias avançadas serão determinantes para ampliar a competitividade das cadeias produtivas catarinenses.

A terceira é internacionalização econômica. Expandir exportações, integrar empresas às cadeias globais de valor e atrair investimentos internacionais são passos essenciais para sustentar crescimento de longo prazo.

Janela para produtividade e competitividade
Parcerias tecnológicas, atração de investimentos e cooperação econômica internacional fazem parte de uma estratégia mais ampla de posicionamento global de Santa Catarina. A vantagem demográfica que o estado possui não é apenas uma estatística. É uma janela histórica de desenvolvimento.

Transformar crescimento populacional em crescimento econômico exige planejamento, visão estratégica e ação coordenada entre governo, setor produtivo e instituições de conhecimento. Santa Catarina já demonstrou, ao longo de sua história, capacidade de antecipar tendências e construir soluções próprias de desenvolvimento. A década que se abre agora exige exatamente isso: clareza de rumo e determinação para executar.

É com esse espírito, a partir da iniciativa do governador Jorginho Mello, que estamos estruturando as políticas de internacionalização, inovação e atração de talentos que ajudarão a definir o próximo ciclo de crescimento do estado.

Santa Catarina tem uma oportunidade rara no cenário brasileiro. E estamos trabalhando para garantir que ela se traduza em mais produtividade, mais competitividade e mais prosperidade para os catarinenses.

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