

Fora do protagonismo estadual e sem espaço na coligação que será liderada por Gelson Merísio, o Partido dos Trabalhadores de Joinville articula uma dobradinha inédita que pode alinhar duas mulheres negras, professoras e com o mesmo núcleo de votos. No circuito estão a atual vereadora Vanessa da Rosa e a ex-vereadora Ana Lúcia Martins, que tentam acertar os ponteiros para lançar uma frente única com a ideia de eleger pelo menos uma delas ou emplacar a dupla em um cenário que seria inédito.
O movimento ganhou importância estadual desde o Carnaval, quando a Secretaria de Combate ao Racismo do PT esteve reunida em Joinville e decidiu que apoiará as candidatas para a Assembleia Legislativa e mais Bia Vargas, ex-candidata a vice-governadora na eleição de 2022 junto com Décio Lima.
Internamente há várias opiniões contrárias sobre lançar as duas candidatas com o mesmo perfil para a mesma vaga à Assembleia. No entanto, um movimento até então silencioso vem à tona. A vereadora Vanessa da Rosa já está praticamente convencida que pode concorrer para a Câmara Federal, abrindo espaço para Ana Martins na Alesc e formando uma dobradinha inédita. São duas mulheres, negras, professoras e que dividem praticamente os mesmos votos.
Vanessa para Federal tem apoio do movimento negro estadual

A vereadora Vanessa da Rosa foi eleita em 2024 com 4.366 votos e é a primeira suplente do PT na Alesc. Chegou a assumir a vaga de deputada em 2023, sendo a primeira mulher negra a assumir o posto desde Antonieta de Barros, em 1934. Com apoio da ala ligada do ex-prefeito de Joinville Carlito Merss, Vanessa é apontada naturalmente como o nome mais emergente dos petistas joinvilenses. Teria uma eleição bem pavimentada para deputada estadual, mas movimentos do próprio movimento negro estadual tem incentivado a sua candidatara para deputada federal. O assunto animou pessoas próximas da parlamentar, que ainda não confirmou e revelou que deve decidir em breve.
A candidatura de Vanessa para Federal e Ana para Estadual levanta uma disputa interna que coloca outros atores como protagonistas do PT municipal. A eleição da duas, em um cenário mais otimista, abre a vaga para o ativista do movimento negro e também professor Rhuan Fernandes. Para muitos, o sinal na eleição de 2024 já ficou claro que os três mais votados do partido são do mesmo seguimento e defendem pauta racial. Rhuan afirma que o movimento está otimista com o lançamento de Vanessa à Câmara Federal, o que pode transformá-la na primeira mulher negra eleita por Santa Catarina.
Petistas não elegem deputado estadual há 24 anos e para Federal desde 2006
A ex-vereadora Ana Martins é primeira suplente na Câmara de Vereadores. Não conseguiu a reeleição e perdeu espaço justamente para Vanessa. Mesmo não eleita fez um pouco mais de 3.100 votos e se credencia também a ser um nome na busca por uma vaga na Alesc. O PT de Joinville não elege deputado estadual há 24 anos quando elegeu Francisco de Assis e Dentinho. O último deputado federal eleito foi Carlito Merss na eleição de 2006, ou seja, há 20 anos.
A esquerda de Joinville perdeu protagonismo em Joinville desde o final da administração Carlito Merss em 2012. Com sucessivas derrotas nas urnas não consegue voltar a ter importância no cenário político. Nas duas últimas eleições municipais elegeu somente uma parlamentar. Nomes como Merss e Francisco de Assis não conseguem obter sucesso nas urnas. As discussões internas tentam minimizar os conflitos de alas e lançar um número reduzido de candidatos. Atualmente, além de Vanessa da Rosa e Ana Lúcia também são pré-candidatos o sindicalista Rodolfo de Ramos para a Alesc e Assis para a Câmara Federal.






