A poucos dias do fim do prazo de filiações e renúncias para quem pretende concorrer nas eleições de outubro, a disputa pelo poder em Santa Catarina pode mudar completamente sua configuração. Depois de mais de dois anos se apresentando como pré-candidato ao governo do Estado, o prefeito chapecoense João Rodrigues deu um ultimato ao partido após a colunista Sol Urrutia, do Portal Upiara, noticiar a permanência do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, no PSD, mesmo apoiando a reeleição do governador Jorginho Mello (PL).
– Se ele ficar no partido, eu saio – disse João Rodrigues no grupo de WhatsApp da executiva estadual do PSD na tarde de quarta-feira, frase repetida nesta quinta-feira em entrevista exclusiva a Sol Urrutia.
A reação de João Rodrigues tem como pano de fundo mais do que a posição do prefeito da Capital em relação à pré-candidatura do próprio partido. Ela explicita uma crise interna no partido e as diferentes formas com que lideranças do partido se prepararam para uma disputa eleitoral marcada pelo favoritismo do governador Jorginho Mello (PL) e dos indícios de que Santa Catarina viverá uma nova Onda Bolsonaro.
A decisão de Topázio Neto veio em contraponto a uma articulação do próprio Jorginho Mello para que o prefeito de Florianópolis assumisse a presidência estadual do Podemos, legenda que está garantida em sua coligação. Topázio foi convencido pelo presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia, e pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, a permanecer na legenda. Na entrevista a Sol Urrutia, Topázio reafirmou o apoio a Jorginho e que terá Júlio Garcia como seu candidato a deputado federal.
Embora não haja novidade nas falas – ano passado, em Florianópolis, o próprio Kassab disse que o PSD catarinense deveria entender e ter “solidariedade interna” com a posição de Topázio em relação ao governador – o gesto foi lido pelo prefeito chapecoense como falta de suporte e isolamento de sua candidatura dentro do próprio partido.
Nos bastidores, a avaliação é de que a permanência de Topázio na legenda está combinada com a expectativa de que uma derrota do prefeito chapecoense o alçasse ao comando do PSD-SC.
Essa desconfiança se somou a outra baixa na trincheira da pré-candidatura de João Rodrigues: a decisão do deputado estadual Carlos Humberto de permanecer do PL, depois de meses de articulações para que migrasse para o PSD. Na avaliação de pessedista de Chapecó, teria faltado ação da prefeita Juliana Pavan (PSD), de Balneário Camboriú, para que fosse concretizada a adesão do parlamentar ao projeto de João Rodrigues.
João Rodrigues x JKB
Foi nesse contexto que João Rodrigues levou o link da postagem do Portal Upiara para o grupo da executiva estadual do PSD e deu um ultimato: “Se ele ficar, eu saio do partido”. Deu um prazo, até dia 17, para a saída espontânea ou expulsão de Topázio do partido. A resposta veio do experiente ex-senador e ex-governador Jorge Bornhausen: “Política se faz com paciência e não com ameaças”.
Herdeiro direto do antigo PFL, que quebrava os pratos em particular e sorria em público, o PSD catarinense viu seus conflitos intestinos expostos nos bastidores tão logo encerrou-se a conversa no grupo de WhatsApp. Magoado, João Rodrigues colocou em prática algo que já havia dito em entrevistas – sendo ele a única alternativa posta a Jorginho Mello, sua desistência acabaria com o jogo. Esse argumento, aliás, já havia sido utilizado em conversas com Jorginho Mello e parecia à espera de um fato novo para voltar à mesa.






