09/03/2026

Santa Catarina registra mais de 50 feminicídios por ano  

Imagem: Retrato dos feminicídios no Brasil / Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Em dez anos o Brasil quase triplicou o número de mulheres assassinadas por razões de gênero. Em 2015, primeiro ano completo após a tipificação do crime de feminicídio, foram registradas 449 mortes.

Em 2025, o país chegou a 1.568 mulheres assassinadas, um aumento de quase 250% no período.  Em Santa Catarina, de 2021 a 2025, mais de 50 mulheres foram vítimas de feminicídio por ano.

Os dados fazem parte da nota técnica Retrato dos Feminicídios no Brasil, divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública na semana do Dia Internacional da Mulher.

O levantamento mostra que, desde que a legislação passou a reconhecer o feminicídio como crime específico, ao menos 13.703 mulheres foram assassinadas no Brasil por sua condição de gênero.  

O crescimento expõe um paradoxo: mesmo com avanços legislativos e maior visibilidade do tema, a violência letal contra mulheres continua avançando no país.

Santa Catarina: estado seguro, mas que ainda mata mulheres

O retrato também ajuda a olhar para Santa Catarina com menos complacência. Embora o estado frequentemente apareça nos rankings como um dos mais seguros do Brasil, os dados mostram que a violência de gênero permanece uma realidade dura.

Nos últimos cinco anos, mais de 50 mulheres foram vítimas de feminicídio anualmente no estado. Sendo 55 casos em 2021; 57 em 2022 e em 2023; 51 em 2024; e 52 em 2025. Desde janeiro deste ano, 8 casos já foram registrados.

O contraste é evidente: Santa Catarina se orgulha de seus indicadores de segurança pública, mas ainda convive com uma estatística que deveria causar indignação permanente.

Os dados nacionais reforçam um padrão conhecido. A maior parte dos feminicídios ocorre dentro de relações íntimas: parceiros ou ex-parceiros são responsáveis por cerca de 80% dos casos.  A violência que termina em feminicídio quase sempre começa antes, com ameaças, agressões, controle e violência doméstica.

Confira os dados divulgados – clique aqui

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